O enterro do Rei Momo

A tradição é antiga e remonta às encenações populares que se faziam em Loures por alturas do Entrudo. Primeiro a chamada “Serração da Velha”, depois as “Cegadas” e, mais tarde, o “Enterro de D. Ocarário” foram sempre momentos de descompressão coletiva onde se lia – e ainda lê – o testamento deixado pelo monarca falecido.
Apontando questões e figuras locais, o rei do carnaval de Loures é, no fundo, o transmissor dos pensamentos do povo que comenta na rua ou no café os problemas da sua terra, sempre com muito sentido de humor mordaz.
Há notícia de que, em tempos idos, muitas pessoas de outros concelhos se deslocavam a Loures expressamente para ouvirem o testamento do Rei D. Ocarário. Na noite de quarta-feira, viúva(s), familiares e amigos, reúnem-se no largo 4 de Outubro para carpirem a sua tristeza pelo desaparecimento do monarca. O cortejo segue, depois, para o Parque da Cidade, onde é lido o documento régio.
O rei existe de facto e é o mesmo desde, pelo menos, os anos 70. Trata-se de um mecanismo que tem vindo a sofrer alterações e melhoramentos para que a sua atuação na quarta-feira de cinzas corra da melhor forma.
Tal como sempre aconteceu, as “figuras públicas” lourenses continuam a encarnar as personagens de tabelião ou juiz, que encabeçam o cortejo. Para se perceber a importância do ato, houve anos em que, mesmo não havendo corso, o também chamado “enterro do bacalhau” não deixou de acontecer.
Hoje em dia, a Associação de Carnaval de Loures mantém os moldes tradicionais do evento, adicionando-lhe um espetáculo de fogo-de-
-artifício e pirotecnia no final da cerimónia, encerrando da melhor forma toda a folia carnavalesca.



