O Município de Loures apresentou, no dia 27 de outubro, a Rota de Turismo Cemiterial em cemitérios não românticos.
A partir do Cemitério Municipal de Loures, seguiu-se pelos espaços paroquiais de São Julião do Tojal, Bucelas, São João da Talha e Sacavém criando uma rota turística que visa a sua valorização enquanto património com arte e história.
Em São Julião do Tojal comprova-se que anexaram ao espaço público o que era da igreja, configurando-a no próprio cemitério, encontrando-se no sítio sagrado, desde o século XVII, o enterramento de três padres. À entrada está representada uma alcachofra, figura de saudade eterna, e no interior estão exemplares de jazigos de construção vertical, nomeadamente, um de arquitetura neogótica, datado de 1910, com porta de ferro fundido, obra de cantaria lisboeta que identifica a influência francesa na arte tumular. Ao lado, outro jazigo, do canteiro Guilherme Victor, de 1901.
Em Bucelas, observamos a presença de outro discurso estético: a Arte Nova, com linhas direitas, que mostra a simplicidade como a construção de um modelo da casa portuguesa, influências de Raul Lino ou um jazigo que evoca uma família com retratos em faiança de Álvaro Pedro Gomes, pintor de azulejos da Fábrica de Loiça de Sacavém. Destacam-se campas com berços de ferro, do século XIX.
Paredes-meias com a igreja, em São João da Talha, nasceu o cemitério paroquial, no qual a figura dos terços surge como proteção, e a imitação da pedra com metal e o azulejo indicam a evolução dos materiais. Um jazigo, do principio do século XX, de autoria do canteiro António Polycarpo, do Freixial, evoca uma família em que se sente a ruralidade através de símbolos como: foice, arado, peneira, trigo.
O cemitério paroquial de Sacavém, reformulado em 1939, apresenta uma cruz anacrónica, datada do século XVII, que se encontra na alameda central. Apresenta trabalhos de cantaria, alguns com as marcas de Manuel Félix Alves, e campas com trabalhos de Álvaro Pedro Gomes, retratos em faiança, e a referência a um dedicado trabalhador da Fábrica de Loiça de Sacavém com trabalho de azulejo, oferta da mesma. Alguns jazigos têm gradeamentos em ferro fundido, denotando as influências dos cemitérios lisboetas e forte presença das fundições francesas de Val d’Osne, Durenne ou Colas. Vê-se ainda azulejaria da Fábrica de Loiça de Sacavém, trabalho dos retratos em faiança de Álvaro Pedro Gomes, e trabalhos de cantaria bem como de campas com ferros.
“São descobertas da história local que permitem perceber até que ponto o cemitério acaba por ser o espelho da sociedade dos vivos. O património de origem cemiterial assume um importante significado pela ligação às comunidades, bem como à identidade cultural, devendo as autarquias ter a missão de valorizar a história e as pessoas, preservando o legado histórico”, declarou o vice-presidente da Câmara Municipal de Loures, Paulo Piteira, após a visita, também acompanhada por representantes das respetivas juntas de freguesia.
No final do percurso, na Capela do Cemitério de Loures, o professor Pedro Gomes Barbosa, do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT-TERRITUR), felicitou a Autarquia pelo “lançamento desta rota de turismo cemiterial e pela importância dos estudos levados a cabo que comprovam a história local”.
A museóloga e investigadora Ana Paula Assunção, assinalou que “estamos a lançar uma rota pioneira, um trabalho novo, daqueles que fizeram o 4 de Outubro com sinais em Loures, Bucelas e Sacavém. Juntar esta história é inédito em todo o país”.
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