A Câmara Municipal de Loures, no âmbito do projeto “Não Te Risques do Mundo”, promoveu uma Conversa de Abril, na escola secundária José Cardoso Pires, em Santo António dos Cavaleiros.
Convidou Conceição Matos e Domingos Abrantes, da União de Resistentes Antifascistas Portugueses, para partilharem as suas vivências com dezasseis alunos. Domingos Abrantes foi preso, pela primeira vez, em 1959, tendo participado na conhecida fuga de Caxias, em 1961. Quatro anos depois, foram ambos presos: Conceição Matos durante ano e meio e Domingos Abrantes, por oito anos.
Estiveram cerca de cinco anos sem contacto. A forma de comunicar era cifrada por “cartas e até um postal que, embora censurado, deixaram seguir”. “Enquanto separados, cada um tinha de assumir a sua responsabilidade. Mas, houve sempre confiança e a nossa relação afetiva era muito forte”, admitem. Casaram em 1969, em Peniche.
Os períodos de tempo nas prisões eram passados sob constantes e insistentes pressões, provocações, tortura psicológica e espancamento. “Era um país de repressão. Havia organizações clandestinas que lutavam contra a opressão e quem lutava, sujeitava-se a ser preso. A justiça era a polícia”, explicou Domingos Abrantes.
“Os anos de ditadura representaram a privação de todas as liberdades fundamentais e as mulheres eram consideradas cidadãs de segunda”, elucidou Conceição Matos.
Passados 42 anos sobre a Revolução de Abril, Conceição alerta os jovens para a necessidade de “preservarem a liberdade” e reconhece que, apesar de sempre participar em iniciativas como esta, “é complicado reviver aqueles momentos. Houve situações que me marcaram profundamente”. Já Domingos Abrantes afirma: “ultrapassei isso. Não esqueço, até porque a liberdade custou sacrifícios e a vida a dezenas de milhares de portugueses, mas não me pesa”. E deixa a mensagem que a expressão 25 de Abril sempre, fascismo nunca mais, “simboliza o que se conquistou e o que não queremos voltar a ter”.