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Instalado em 2009 num novo edíficio, o Arquivo Municipal de
Loures é, além de um depósito de documentos de valor histórico
e cultural, a memória do concelho de Loures, que reflecte não só
a actividade administrativa do Município, mas também a vida da
população e o relacionamento com as instituições municipais.
Nesta edição da Loures Municipal debruçar-nos-emos sobre as
competências, actividades e espólio existentes neste edifício.
Situado junto à Biblioteca Municipal José
Saramago e inaugurado em Maio deste ano, este
equipamento tem cinco pisos e capacidade para
cerca de 15,8 quilómetros lineares de arquivos, além
de espaços para atendimento ao público, sala de
leitura, gabinetes técnicos e estacionamento
subterrâneo.
A obra representou um investimento municipal
de cerca de 6,1 milhões de euros e foi comparticipada
ao abrigo do Programa de Apoio à Rede de
Arquivos Municipais (PARAM).
O Arquivo Municipal é a memória do concelho
de Loures, reflectindo não só a actividade do
Município mas também a vida da sua população.
É constituído maioritariamente por documentação
resultante da actividade administrativa do Município
de Santa Maria dos Olivais, a cujo território Loures
pertenceu até 1886, e de Loures. O fundo
documental reúne ainda documentos com interesse
para a história de Loures, nomeadamente de
associações e famílias, sendo que o documento mais
antigo data do século XVI.
Missão e competências
O Arquivo Municipal de Loures tem como missão definir
uma política de gestão arquivística da documentação
produzida e recebida, a qual conserva tendo em vista
objectivos de gestão administrativa, de prova ou de
informação, acessibilizando-a às unidades orgânicas da
Autarquia, aos investigadores e aos cidadãos em geral.
Através da realização de diversas actividades para a
promoção de uma política cultural que vise a divulgação
de toda a documentação à sua guarda, compete ao
Arquivo:
– Recolher, assegurando a transferência dos documentos
produzidos pelos diversos serviços do Município, arquivos
e conjuntos documentais pertencentes a pessoas colectivas
ou individuais, com interesse histórico, patrimonial,
arquivístico e informativo.
– Inventariar, procedendo ao tratamento arquivístico
dos documentos de forma a torná-los acessíveis aos
utilizadores, através da elaboração de instrumentos de
descrição documental.
– Conservar, zelando pela salvaguarda das espécies
em depósito, entre outras medidas, através da criação de
boas condições ambientais, de instalação, acondicionamento
e de segurança.
– Divulgar, difundindo ao público o património
documental do Município de Loures, através da realização
de actividades de âmbito cultural e educativo.
Serviços disponíveis
ao utilizador
Cumprindo a sua missão, o Arquivo Municipal de Loures
disponibiliza ao cidadão comum diversos serviços,
nomeadamente:
– Acesso aos fundos documentais, sendo possível pedir
a leitura presencial ou a reprodução dos documentos.
– Acesso à Internet.
– Animação cultural que prevê a realização de
exposições, conferências, encontros e comemorações de
efemérides.
– Educativo, onde se incluem as visitas de estudo e
diversas outras iniciativas, dirigidas a toda a comunidade
escolar, que têm como finalidade fomentar a curiosidade
pelo espólio existente no Arquivo.
– Serviço de Referência.
– Investigação por solicitação dos serviços da Autarquia,
de outras instituições ou para apoio à elaboração de
trabalhos científicos.
Centro de digitalização
Criado a partir de candidatura ao Quadro de Referência
Estratégica Nacional (QREN), no âmbito do Projecto Urbdigital, o
Centro de Digitalização do Arquivo Municipal visa, entre outros
objectivos, melhorar a qualidade dos serviços prestados pelo Município
na área do urbanismo, facilitando o acesso dos cidadãos e das
empresas a documentação relacionada com os processos de obra
particulares.
Num processo de obras encontra-se todo o tipo de documentos
que possibilitam que uma casa particular, uma loja, uma fábrica,
ou outro possam ser construídas e posteriormente legalizadas.
Do processo fazem parte requerimentos, projectos de arquitectura,
estrutura, águas, esgotos e electricidade, informações, pareceres,
despachos, ofícios, autos de vistoria, licenças de obras, habitação,
ocupação ou utilização.
Cada pedido é sujeito a apreciação para que não se proceda à
digitalização do processo por inteiro, sendo apenas digitalizadas as
tipologias mais representativas do processo a disponibilizar por Internet
ou Intranet.
Desta forma, pretende tornar-se o acesso à informação mais
eficiente e eficaz.
Fundos documentais
O Arquivo é constituído maioritariamente por documentação resultante
da actividade administrativa de instituições municipais dos Olivais, a cujo
território Loures pertenceu até 1886, e de Loures.
Em menor proporção, o Arquivo Municipal recebeu ainda documentos
com interesse para a história de Loures, nomeadamente de associações e
famílias, pertencendo a estas últimas o documento mais antigo, que data do
século XVI.

Arquivos Públicos
Administração local desconcentrada
Provedoria do 2.º Distrito de Lisboa (1834/1837)
Administração do 2.º Julgado de Lisboa (1837/1840)
Administração do Concelho dos Olivais (1852/1886)
Administração do Concelho de Loures (1887/1938)
Administração Central
Subdelegação de Saúde de Loures (1903/1915)
Administração Local
Câmara Municipal de Lisboa (1819/1838)
Administração do Bairro da Mouraria (1842/1852)
Câmara Municipal dos Olivais (1852/1886)
Câmara Municipal de Loures (1887/…)
Assembleia Municipal (1980/…)
Serviços Municipalizados (1944/1995)
Conselho Municipal de Loures (1937/1974)
Junta de Paróquia de Santa Maria de Loures (1836/1910)
Junta de Paróquia de São João Baptista da Talha (1883/1893)
Judiciais
Juízo de Conciliação da Freguesia de Nossa Senhora
do Socorro de Lisboa (1834)
Juízo de Paz da Freguesia do Socorro (1832/1834)
Juízo de Conciliação da Freguesia de São José
de Lisboa (1834)
Arquivos Privados
Associações
Centro Escolar Republicano Tenente Valdez (1911/1961)
Corpo de Bombeiros de Loures (1927/1933)
Comissão Democrática de Bucelas (1974)
Irmandades e Confrarias
Ermida da Senhora Sant’Ana de Loures (1753/1910)
Irmandade da Nossa Senhora da Conceição dos Mártires
(1752/1842)
Irmandade São Miguel das Almas da Freguesia de Santos Reis
do Campo Grande (1841/1860)
Irmandade do Santíssimo Sacramento da Freguesia
de São Bartolomeu de Lisboa (1845/1868)
Irmandade do Santíssimo Sacramento da Freguesia de São Tiago
de Camarate (1848/1873)
Irmandade do Santíssimo Sacramento da Freguesia
de Santa Maria de Loures (1878/1912)
Famílias
Correia da Lacerda e Saldanha (1644/1834)
Galvão Pegado (1693/1894)
Rangel de Almeida Castelo Branco (1704/1837)
Picanço Cabral (1717/1741)
Fundos não identificados (1557/1862)
Projectos futuros
Nos próximos anos, o trabalho do Arquivo Municipal vai pautar-se pela continuação do projecto de digitalização da documentação
à guarda da Divisão de Arquivo Municipal das séries de licenças de
condução, matrículas, livros/documentos de escrituras e alvarás
sanitários, dando início à digitalização selectiva das diversas séries
do Urbanismo, nomeadamente, processos de obras particulares, ao
abrigo da candidatura do Município ao Quadro de Referência
Estratégica Nacional – QREN.
Por outro lado, será dado enfoque ao planeamento de um Serviço
Educativo com o objectivo de divulgar o património documental,
disponibilizando visitas guiadas e a consulta dos documentos ao
público e dando também a conhecer a importância das fontes
primárias no desenvolvimento da plena cidadania, em especial para
o público escolar, como complemento da sua formação.
A criação e concepção de um Serviço Cultural, com exposições
alusivas aos temas mais relevantes do Arquivo Municipal de Loures,
visando a apresentação de documentos ilustrativos do património
documental à guarda do Arquivo e complementados com textos e
fotografias, será outro dos objectivos curto prazo.
Edifício de linhas
contemporâneas
Projectado por Fernando Martins e João
Santa Rita, o edifício, a praça pública e o
estacionamento foram concebidos com o
objectivo da articulação arquitectónica com
a Biblioteca Municipal José Saramago.
Construído de raiz para albergar o Arquivo,
trata-se de um edifício de linhas modernas,
com os tectos em betão à vista, acabados a
verniz mate transparente.
A fachada é composta por panos de vidro
duplo, colocados interiormente às lâminas
estruturais, afastadas dez centímetros das lajes
formadas por vidros laminados translúcidos.
Já em 2009, o projecto do edifício foi um
dos nomeados para o mais prestigiado prémio
de arquitectura europeu.
Arquivo Municipal de Loures
Horário
De segunda a sexta-feira das 9h00 às 17h00,
sem interrupção para almoço.
Feriado Municipal – 26 de Julho
Localização e Contactos
R. Cesário Verde – 2670-527 Loures
Telefone: 219 826 297
Fax: 219 820 084
E-mail: geral@cm-loures.pt |
Legislação
Arquivos e património
arquivístico protegido
Com o objectivo de disciplinar normativamente e garantir a
valorização, inventariação e preservação dos fundos documentais dos
arquivos nacionais, foi instituído o Regime Geral dos Arquivos e do
Património Arquivístico.
Este regime define os princípios que devem presidir às operações
que permitem a guarda, o acesso e o uso desse património, tendo em
vista a sua defesa.
Segundo este regime, entende-se por arquivo o conjunto de
documentos, qualquer que seja a sua data ou suporte material, reunidos
por uma entidade pública ou privada no exercício da sua actividade,
e conservados, tendo em vista objectivos de gestão administrativa, de
prova ou de informação ao serviço das entidades que os detêm, dos
investigadores e dos cidadãos em geral.
Entende-se ainda por Arquivo uma instituição cultural ou unidade
administrativa onde se recolhe, conserva, trata e difunde a
documentação arquivística.
Visando regulamentar a avaliação, selecção e eliminação dos
documentos das autarquias, bem como os procedimentos administrativos
que lhes estão associados, foi ainda aprovado o Regulamento
Arquivístico para as Autarquias Locais.
Este Regulamento é aplicável à documentação produzida e recebida
pelas autarquias locais no âmbito das suas atribuições e competências.
Acta da sessão de instalação da Câmara Municipal de Loures
, para o
triénio de 1887 a 1889
Arquivo Municipal
de Loures
(Arquivo Municipal de Loures, Câmara Municipal dos Olivais,
Registo de
actas das sessões da Câmara Municipal dos Olivais, livro 17)
Camara Municipal do Concelho de Loures
Sessão de installação da Camara Municipal do Concelho de Loures, que ha-de servir no triennio de 1887 a 1889
Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos oitenta e sete, aos dois dias do mez de Janeiro pelas doze
horas e trez quartos do dia, achando-se reunidos nos Paços do Concelho, sitos no Largo do Leão, os cidadãos: Barão de Valle Formoso,
Presidente da Camara dos Olivaes e os vereadores da mesma Camara: Manoel Rodrigues de Azevêdo, Ollegario Luiz Antonio de Souza,
João Antunes Pomba, Fernando Silvestre Alves e Francisco Pereira Pedroso, deixando de comparecer o vereador Joaquim Marques
Ferreira, por motivo justificado. Estando tambem presentes os cidadãos Henrique Cezar Farinha, Anselmo Braamcamp Freire, Antonio
Barbosa, Francisco Ferreira Guedes, Jose Maria Vieira Borges, Agostinho da Fonseca Dine, deixando de comparecer por motivo de
doença, Jose Baptista Canha, todos eleitos vereadores effectivos para a Camara Municipal do Concelho de Loures, para o triennio de
1887 a 1889, e bem assim os vereadores substitutos: Antonio Ferreira dos Santos, Agostinho Domingues da Silva e Antonio João
Duarte, achando-se tambem presente o Meretissimo Administrador do Concelho Jose Madeira Abranches. – O Barão de Valle Formoso,
em conformidade do art.º 16.º do novo codigo Administrativo deferiu o juramento aos vereadores effectivos da Camara de Loures, que
se achavam presentes como lhe havia sido ordenado pelo Excellentissimo Governador Civil em officio n.º 881 de 21 de Dezembro
ultimo, e em seguida deixou a presidencia bem como os vereadores da Camara dos Olivaes, que sahiram da salla. – Tomando então
a presidencia o vereador Henrique Cezar Farinha por ser o decano dos vereadores effectivos, procedeu-se á eleição do presidente da
Camara, e tendo entrado na urna seis listas, foram estas lidas pelo decano, reconhecendo-se pelo apuramento dos votos havendo sido
votados para presidente os cidadãos: Anselmo Braamcamp Freire, com cinco votos e Henrique Cezar Farinha, com um voto. = Em
seguida procedeu-se pela mesma forma á eleição de Vice-presidente, e tendo entrado na urna seis listas, foram votados: Henrique
Cezar Farinha com cinco votos e Anselmo Braamcamp Freire com um voto, ficando por tanto eleitos: Presidente Anselmo Braamcamp
Freire e Vice-presidente Henrique Cezar Farinha. – O Senhor Presidente tomou logo o seu logar, agradecendo a nomeação com que o
honravam e pedindo a coadjuvação de todos os collegas para poder desempenhar bem os deveres da administração municipal que lhe
estava confiada. Em seguida propoz que as sessões ordinarias da Câmara, continuassem a ter logar ás quintas feiras, passando para
o dia util seguinte, quando estes dias forem santificados ou feriados, e que lhe parecia que a Camara se devia reunir em sessão
extraordinaria no dia 3 do corrente pela hora do meio dia, para se tratar de contas, obras, arrematações e empregados. – A Camara
approvou por unanimidade. = O Barão de Valle Formoso appresentou a conta da receita e despeza da Camara dos Olivaes no anno
de 1886, e em seguida fez a apresentação dos empregados do municipio. – Sendo uma e meia horas da tarde declarou o Presidente
encerrada a sessão. – E eu Augusto Frederico Haupt secretario da Camara o subscrevo e assigno com os senhores Presidente e mais
Vereadores
O Adm. do Con.º
Jose Madeira Abranches
O Presidente
Anselmo Braamcamp Freire
O Vice-Presidente
Henrique Cezar Farinha
Os Vereadores
Agostinho da Fonseca Dine
Jose Maria Vieira Borges
Francisco Ferreira Guedes
Antonio Barbosa
O Secretario da Câmara
Augusto Frederico Haupt
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