João
Pedro Domingues
Vereador responsável
pelas Obras Municipais
e Gestão Urbanística |
Uma nova
dinâmica de desenvolvimento
Qual a importância do vector
planeamento no desenvolvimento sustentado dos projectos municipais?
Os investimentos municipais, nos vários domínios,
devem obedecer a uma lógica coerente de actuação
da Autarquia, devidamente contextualizados num processo de planeamento
territorial, de forma a contribuírem para o desenvolvimento
sustentável do nosso concelho.
É importante que do processo de planeamento resulte um maior
conhecimento das reais necessidades das populações,
de modo a encontrar as respostas mais adequadas, sem desperdício
dos sempre escassos meios colocados ao nosso dispor.
Para além da importante componente de racionalidade de ocupação
do território, o planeamento clarifica regras, iguais para
todos, permitindo assim o estabelecimento de sinergias entre iniciativas
públicas e privadas, que complementarmente contribuam para
os mesmos objectivos de desenvolvimento, traçados pelo Município.
Quais os principais objectivos presentes na
estratégia da revisão do Plano Director Municipal?
O processo de planeamento deve ser entendido de forma dinâmica.
O actual PDM de Loures foi dos primeiros no País a ser publicado,
tendo sido elaborado num contexto distinto do actual: com outro
enquadramento legislativo, com outros métodos de trabalho,
antes da concretização de um conjunto de infra-estruturas
e equipamentos com impacte determinante no território (CRIL,
CREL, Ponte Vasco da Gama e MARL), e sem necessidade de ter de responder
a uma estratégia de desenvolvimento metropolitana, cristalizada
em Plano Regional de Ordenamento do Território.
A revisão do PDM deve, em primeiro lugar, reflectir sobre
o modelo de desenvolvimento que pretendemos para Loures, e qual
o seu lugar à escala metropolitana e nacional, para, seguidamente,
à luz desse modelo, fazer o balanço das dinâmicas
territoriais que o próprio Plano introduziu, corrigindo as
perversidades detectadas.
Pretendemos, com a revisão do PDM, contribuir para a defesa
de um desenvolvimento sustentável do nosso território,
através da interligação dos valores naturais
e culturais, compatibilizando-os com as necessidades de ocupação
humana; aproveitar os mecanismos de programação de
solos, criados pelo novo enquadramento legal dos instrumentos de
planeamento, para a maior fixação de actividades económicas,
aproveitando as novas acessibilidades regionais, aumentando a oferta
qualificada de emprego; dar maior sustentabilidade à estratégia
de desenvolvimento turístico do concelho, através
da revalorização do património natural, do
património construído e dos núcleos urbanos
tradicionais; contribuir para uma melhor resposta às necessidades
de equipamentos e espaços de lazer das populações
residentes; contribuir para lançar as bases da requalificação
urbana e paisagística de zonas degradadas, em risco geotécnico,
que apresentem conflitualidade de usos ou neces-sidades de reconversão
urbanística por obsolescência das actividades instaladas;
contribuir para uma aposta sustentada no transporte colectivo. Tudo
isto se resume em maior qualidade de vida para todos aqueles que
residem, trabalham ou estudam no concelho de Loures.
Num contexto de mudança, quais
são as prioridades sectoriais no domínio da implementação
de projectos estruturantes para o concelho?
Sob o ponto de vista ambiental: a revalorização da
várzea de Loures, em íntima ligação
com a zona ribeirinha oriental, como elemento central e unificador
do nosso território; através de intervenções
que criem condições de fruição para
residentes e visitantes; funcionando como espaço de descompressão
urbana, e de promoção da secular actividade agrícola
que marca grandemente a matriz cultural do concelho.
Em matéria de transportes: as ligações de
Loures, Sacavém e Moscavide à rede de metro são
concretizações estratégicas de extraordinária
importância para a melhoria da qualidade de vida de todos
aqueles que hoje se vêem obrigados a fazer as suas deslocações
em transporte individual, enfrentando longas filas de trânsito.
Por outro lado, estes importantes investimentos vêm reforçar
a centralidade do concelho, no seio da Área Metropolitana,
facilitando a fixação de tecido empresarial e, por
consequência de postos de trabalho, os quais vão equilibrar
os fluxos pendulares actualmente existentes no sentido de Lisboa.
No que se refere à saúde: o Hospital é um
equipamento estratégico que vai contribuir para melhorar
substancialmente o acesso das populações aos cuidados
de saúde, hoje tão dependentes dos saturados hospitais
da Capital. Por outro lado este equipamento vai significar uma nova
centralidade que pretendemos potenciar para a criação
de um pólo de excelência em Loures/Santo António
dos Cavaleiros.
Destaco estes três projectos porque, sob o ponto de vista
do urbanismo e da sua interacção com a qualidade de
vida dos cidadãos, me parecerem fundamentais como alavancas
de desenvolvimento, no sentido de introduzirem dinâmicas positivas
na transformação urbanística do concelho e
consequente reabilitação da sua afirmação
externa.
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