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Manuel Correia, licenciado em Radiologia, é desde 2003 Presidente do Conselho Directivo da Escola Superior de Tecnologias de Saúde (ESTeSL), situada no Parque das Nações, na linha de fronteira entre os concelhos de Loures e de Lisboa.
Esta instituição, com cerca de dois mil alunos, nasceu em 1980. Durante quase duas décadas, teve sede em Entrecampos, em instalações não adequadas à formação, então desenvolvida em instituições de saúde. Actualmente, dispõe de instalações próprias, planeadas para o ensino, investigação e prestação de serviço à comunidade.
A sua missão consiste em preparar profissionais de saúde para intervirem nas áreas do diagnóstico e da terapêutica. Para tal, aposta na qualificação de recursos humanos, de forma a contribuir para a melhoria dos padrões de qualidade do ensino e da eficácia na prestação de cuidados de saúde. A Loures Municipal foi conhecer uma pouco desta instituição aberta ao conhecimento e ao mundo.
Como chegou a Presidente do Conselho Directivo da ESTeSL?
Frequentei o primeiro curso de Radiologia desta escola. Depois de o concluir, em 1983, trabalhei no Hospital de Santa Marta. Pouco tempo depois, fui solicitado para apoiar a escola na área da formação teórico-prática em contexto hospitalar. Mais tarde, acabei por dirigir o próprio serviço de radiologia desse hospital.
Em 1991, a ESTeSL necessitou de um docente para coordenar o curso de Radiologia, pelo que pediu ao hospital que me concedesse acumulação de funções. Assumi então a coordenação do curso e leccionava algumas unidades curriculares.
Este processo manteve-se até 1996, altura em que a escola atravessou um período difícil em termos de direcção, tendo, em Dezembro desse ano, assumido as funções de subdirector. A Escola dispunha nessa altura de instalações muito precárias, e estava sedeada em Entrecampos.
A escola do Parque das Nações foi um projecto que ficou concluído em 2001. Em 2003, devido à saída do então Director da ESTeSL, o Dr. Esaú Dinis, fiquei um ano a dirigir a escola. Em 2004, realizaram-se eleições, candidatei-me e assumi as funções de Presidente do Conselho Directivo.
Que balanço é que faz destes anos à frente da direcção?
Esta escola é relativamente jovem, tem 26 anos. Atravessou uma grande fase de grande crescimento, sobretudo nos últimos três anos, quer no que diz respeito ao número de estudantes e licenciaturas, que entretanto desenvolveu, e à qualificação do seu pessoal docente, quer no que se refere às instalações que são próprias para o ensino e a investigação e em breve de prestação de serviço à comunidade envolvente.
Sendo a saúde uma área em permanente desenvolvimento, a escola tem assumido uma grande dinâmica, o que de algum modo constitui um grande desafio para os seus dirigentes e toda a comunidade académica. Penso que temos correspondido às expectativas da escola e ao seu plano de desenvolvimento, face às necessidades e exigências do serviço de saúde para os quais preparamos profissionais.
Como avalia o tipo de ensino praticado na ESTeSL?
O ensino da ESTeSL é de natureza politécnica, porque é nesse subsistema que estamos integrados. É um ensino que, na área da saúde, com alguma humildade, podemos reconhecer que constitui uma referência a nível nacional e mesmo internacional. Temos um número de estudantes muito significativo em mobilidade Erasmos, que visitam e estudam noutros países da Europa e, sob o ponto de vista técnico e científico, dizem que o tipo de ensino praticado na ESTeSL é dos melhores que se faz na Europa.
As referências que esses estudantes nos trazem, sobretudo quando comparam a prestação de cuidados de saúde que observam durante a sua aprendizagem em contexto clínico, são as de uma melhor organização dos serviços e maior humanização dos cuidados de saúde nesses países. São dois aspectos fundamentais na área das ciências sociais e humanas que a nossa Escola privilegia nos planos de estudos de todos os nossos cursos. Sabemos que os estudantes quando ingressam no mercado de trabalho estão preparados para aplicarem esses conhecimentos. Infelizmente, por razões a que a Escola é completamente alheia, a boa organização tarda em aparecer e quanto à humanização dos cuidados em Portugal, os doentes ainda vão pedindo desculpa por estarem doentes e necessitarem de ser tratados. Isto é inaceitável!
O que é que a ESTeSL tem para oferecer aos seus alunos?
Os estudantes que procuram esta escola cada vez mais o fazem como primeira opção na escolha do curso que procuram seguir. A escola desenvolve actualmente os cursos de Análises Clínicas e Saúde Pública, Anatomia Patológica, Citológica e Tanatológica, Cardiopneumologia, Dietética, Farmácia, Fisioterapia, Medicina Nuclear, Ortoprotesia, Ortóptica, Radiologia, Radioterapia e Saúde Ambiental.
Os dados de que dispomos permitem-nos saber que os estudantes, depois de ingressarem nesta instituição e no curso que escolheram, mesmo que não tenha sido a sua primeira opção, se dedicam com forte motivação ao seu curso e raramente temos situações de abandono. Procuramos oferecer-lhe as condições necessárias a uma formação tão exigente quanto a que nos pautamos por ministrar. As instalações são recentes e adequadas a este ensino e os laboratórios dispõem de equipamento próprio para cada área de formação.
Em relação ao corpo docente, dispomos hoje de professores devidamente qualificados nas múltiplas áreas do saber e continuamos a apostar cada vez mais na progressão dos seus graus académicos e no desenvolvimento de projectos de investigação para a produção de novo conhecimento, de forma a fazer face aos enormes progressos a que assistimos todos os dias. Temos de estar preparados para agarrar essa evolução e nunca perder de vista aquilo que será o futuro.
Os nossos estudantes sabem, por isso, que a Escola que os recebe e acolhe durante quatro anos, procura prepará-los para uma profissão nobre, mas muito exigente como é a área da saúde, dotando-os de conhecimentos técnicos, científicos, e sócio-culturais num verdadeiro processo de construção pessoal que há-de ser decisivo na actividade profissional de hoje e para os desafios de amanhã.
A ESTeSl é das poucas instituições do País a oferecer aos alunos a possibilidade de uma licenciatura específica na área da Saúde. De que forma se torna importante a formação especializada nesta área?
Sobretudo a partir dos anos sessenta do século passado a área tecnológica tem vindo a evoluir extraordinariamente. Os ciclos tecnológicos tornaram-se mais curtos. A tecnologia aplicada nos serviços de saúde, quer no diagnóstico, quer na terapêutica, não foi alheia a essa evolução e nesse sentido tornou-se necessário encontrar planos de formação que dotassem os profissionais dessas áreas, de conhecimentos específicos, para colocarem esses meios ao serviço das pessoas doentes.
Foi com esse objectivo que se criaram em 1980 as Escolas Técnicas dos Serviços de Saúde de Coimbra, Lisboa e Porto, a que mais tarde sucederam as actuais Escolas Superiores de Tecnologia da Saúde das mesmas cidades, que a par de outras Escolas da mesma natureza que entretanto foram criadas, desenvolvem actualmente formação especifica para as dezoito profissões que integram as Tecnologias da Saúde. Mas a preocupação com a formação não pode ir apenas até à licenciatura. Sabendo a rapidez com que a tecnologia evolui, o profissional deve procurar actualizar o seu saber e a Escola deve estar preparada para proporcionar esse novo conhecimento, mais específico, no âmbito da formação ao longo da vida.
De que forma é que a ESTeSL tem conseguido adaptar-se à evolução tenológica?
A concepção da Escola teve em conta a sua missão e a natureza da formação que lhe cumpre ministrar. Nesse sentido os meios de que dispõe, apesar de ainda não estar plenamente apetrechada, são meios que permitem aos estudantes desenvolver a sua aprendizagem quer sob o ponto de vista teórico, quer em contexto de prática laboratorial com bons padrões de qualidade. Os equipamentos de que dispomos são equipamentos de última geração o que permite aos estudantes, seja na parte final do curso em situação de treino clínico real na instituição de saúde onde realiza o seu estágio, seja após o ingresso na vida profissional, uma adaptação e integração muito fácil no local de trabalho.
Por outro lado, a Escola dispõe de uma parte do corpo docente que reveste a figura de convidado. Estes docentes cuja actividade principal é desempenhada diariamente nos serviços de saúde, onde convivem com as mais recentes inovações técnicas e científicas, constituem um factor de desenvolvimento para a Escola pela a actualização de conhecimentos que trazem e partilham com os estudantes e com outros professores.
Há pouco tempo a ESTeSL assinou um protocolo com a Câmara Municipal de Loures. Como o avalia?
Constitui dever da Escola prestar serviço à comunidade envolvente, de maneira mais formal, dentro das suas próprias instalações, ou de forma mais pontual, prestando serviço em acções de divulgação e de prevenção da educação para a saúde.
Este protocolo surgiu pelo facto de a Câmara Municipal de Loures ser uma autarquia que está próxima de nós e ter uma grande densidade populacional. O protocolo prevê a colaboração entre as duas instituições, em acções de natureza diversa e que podem, e devem, ser potenciadas em benefício sobretudo da comunidade que aqui reside e trabalha.
Durante o mês de Maio a ESTeSL colaborou na iniciativa “Exercício em Acção, Coração de Campeão”. Este é um apenas um dos exemplos das múltiplas colaborações que podem vir a existir entre a Escola e Câmara no âmbito da promoção da saúde e sobretudo na prevenção da doença.
Quais as suas preocupações e ambições em relação ao futuro da ESTeSL?
As nossas preocupações incidem particularmente nos constrangimentos financeiros a que vimos sendo sujeitos. Uma Escola superior que teve uma evolução de grande significado nesta última década quer no seu crescimento pelo número de cursos e de estudantes, quer pela qualidade do seu ensino reconhecida socialmente, não pode ser penalizada financeiramente a este nível, mesmo sabendo da conjuntura difícil que o País atravessa.
Ora essas restrições financeiras podem condicionar o desenvolvimento da Escola e pôr em causa aquela que é a sua principal e permanente ambição que é o ensino de excelência para a excelência dos cuidados de saúde de que os cidadãos necessitam, e a que têm pleno direito!

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