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Justiça no concelho de Loures
Em nome
da Lei
As sociedades humanas, em todas as épocas históricas e
em todas as áreas geográficas do planeta, sempre se regeram
por normas. Nesse sentido, o Direito sempre existiu.
As fontes de direito, essas, podem ser várias. No passado,
a religião e o costume eram fonte de Lei – ainda hoje o são,
em muitas sociedades.
Posteriormente, com a complexificação das sociedades e
a crescente especialização de funções, surgem as normas
jurídicas, produzidas por uma classe especializada. Essas
normas podem ser – e são frequentemente – inspiradas pela
religião ou o costume, mas configuram uma realidade
diferente, pois prevêem sanções a aplicar em caso de
incumprimento, como multas ou penas de prisão. Esse poder
coercivo das normas jurídicas distingue-as das normas
religiosas e sociais, pois no caso das duas últimas, as sanções
por incumprimento são de natureza metafísica ou social.
Em Portugal, os poderes régio e eclesiástico tiveram nas
mãos, durante séculos, a condução e execução da Justiça.
Depois, com o advento do liberalismo, os tribunais e os magistrados
passaram a dispor de uma autonomia classificada,
hoje, como pedra basilar na definição de um Estado de Direito.
Com a República, essa independência foi ainda mais vincada,
cenário posteriormente invertido pelo Estado Novo.
Com o 25 de Abril e a independência dos poderes executivo
e deliberativo, as matérias como a aplicação da Lei, mediação
de conflitos ou definição de penas passaram a ser responsabilidade
de quem se formou para o efeito: os magistrados.
A democratização da Justiça é relativamente recente.
Com a descentralização de meios pelo País, sendo os tribunais
de comarca o rosto mais visível dessa realidade, os cidadãos
passaram a ter possibilidade de usufruir de um direito expresso
no Artigo 20.º da Constituição da República Portuguesa: “A todos é assegurado o acesso ao direito e aos tribunais
para defesa dos seus direitos e interesses legalmente protegidos,
não podendo a justiça ser denegada por insuficiência
de meios económicos.”
Por tudo isto, e também pelo facto de a Justiça ser, nos
dias que correm, um tema em foco na sociedade portuguesa,
a Loures Municipal dá-lhe agora a conhecer, “à lupa”, as
instituições judiciais existentes no concelho, para que melhor
possa entender o mundo das leis e das organizações que as
tutelam.
Ministério da Justiça, tribunais, Ministério Público, conservatórias,
notários ou advogados foram alguns dos “alvos”
da nossa pesquisa. Nas próximas páginas, traçaremos os
cenários que regem actualmente as políticas de Justiça a nível
nacional, com especial incidência nos seus reflexos a nível
local, bem como as medidas previstas para a modernização
do sistema judicial, e apresentaremos as várias instituições e
serviços judiciários à disposição dos munícipes de Loures.
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A Justiça em Portugal
Da modernização dos tribunais
ao novo mapa judiciário

Durante anos, as alterações visíveis no sector da Justiça consistiam
sobretudo na construção de equipamentos para acolher novos tribunais.
Hoje, com o advento das novas tecnologias, o sector judiciário prepara-se
para dar o decisivo «passo em frente». Se a essa realidade juntarmos
o futuro Novo Mapa Judiciário ou a publicação do novo Código de Processo
Penal, poder-se-á dizer que está em marcha uma autêntica revolução
do “direito” em Portugal.
Definido como Thémis XXI, o Programa
de Modernização do Sistema Judicial, que neste
momento já se encontra em curso, pretende
concretizar um conjunto de mudanças de procedimentos
que têm por objectivos, essencialmente,
reestruturar e modernizar a área da
Justiça, não só em termos organizativos, como
também na gestão de infra-estruturas e equipamentos,
definir o novo mapa judiciário
português, promover os futuros “Campus de
Justiça” e melhorar significativamente as condições
nas salas de audiência dos tribunais
portugueses.
Embora algumas das medidas se encontrem
já implementadas, a verdade é que somente
após a aprovação do Novo Mapa Judiciário
se poderá fazer um balanço crítico da eficiência
de tais alterações.
Modernização dos tribunais
No que respeita à modernização dos tribunais,
a aposta do Ministério da Justiça passa
pela requalificação e apetrechamento de
infra-estruturas e equipamentos, com vista
a melhorar as condições de funcionamento dos tribunais nacionais e a sua respectiva fruição
pública.
De entre outras situações mais específicas,
neste âmbito destacam-se os processos já em
curso de reforço e modernização do parque
informático (hardware e software); a mudança
do sistema de gravações de audiências, passando
do “primado” das cassetes para o sistema
digital com possibilidade de recurso à gravação
vídeo; e a instalação de equipamentos de vídeo-conferência para realização de audiências.
Num futuro próximo avançará a implementação
de medidas de reforço da segurança
nos tribunais, e também a criação de novas
salas de audiência.
Actuar para descongestionar
No entanto, ainda que todas as medidas
de modernização tivessem um sucesso imediato,
os seus efeitos práticos ficariam comprometidos
pelo congestionamento do sistema
judicial. Por isso, e paralelamente ao salto
tecnológico em curso, teve lugar a aprovação
de uma série de alterações legislativas – muitas
delas decorrentes do Pacto da Justiça assinado
entre os grupos parlamentares do PS e do
PSD –, que visam inverter o actual panorama.
Assim, para além da descriminalização do
cheque sem provisão quando os valores não
ultrapassem 150 euros, foram ainda aprovadas
as alterações aos regimes de pagamento de
prémios de seguro e de recuperação do IVA,
foram adoptados benefícios fiscais para quem
desistir de processos de cobrança de dívidas inferiores a 400 euros e converteram-se transgressões
e contravenções em contra-ordenações.
Paralelamente a estas medidas, o
alargamento da competência territorial dos
solicitadores de execuções e o alargamento
do número de dias úteis do ano judicial – em
virtude da circunscrição ao mês de Agosto do
período de férias dos magistrados – produziram
uma maior eficácia e celeridade do tratamento
dos processos. Assim, em 2006, e pela
primeira vez nos últimos dez anos, o número de
processos presentes nos tribunais portugueses
diminuiu, em virtude também da redução dos
processos que transitaram de anos anteriores.
Não será estranha a esta realidade a criação
de novos juízos de execução
em Lisboa, Porto,
Guimarães, Oeiras e Maia,
sendo que, para 2007, o
Ministério se prepara para
instalar outros juízos deste
género em todo o país. Loures
será uma das comarcas
visadas.
“Campus
de Justiça”
Uma das medidas mais
significativas com vista à
melhoria das infra-estruturas
que gerem os serviços
de Justiça é a implementação
do conceito de “Campus
de Justiça”. Trata-se de
um projecto que visa concentrar,
no mesmo local,
todos os serviços judiciais
de uma determinada comarca
que até hoje estejam
dispersos.
Para além das evidentes
vantagens desta solução em termos de qualidade
urbanística, funcionalidade, eficácia e
racionalidade logística, a criação deste “campus”
diminuirá significativamente as despesas
com a reparação, remodelação e outros
melhoramentos nas actuais instalações.
Depois de, em Abril de 2006, ter sido
apresentado o projecto do “Campus da Justiça”
do Porto, encontram-se presentemente em
fase de estudo os futuros “campus” de Lisboa,
Coimbra, Évora, Faro e Leiria.
Quanto a Loures, com a construção do
novo Palácio da Justiça, em 1999, foram resolvidos
grande parte dos problemas a este nível.
Contudo, à época não foi possível relocalizar
o Tribunal de Pequena Instância Criminal e o
Tribunal Administrativo e Fiscal, embora a futura
reorganização do mapa judicial possa
oferecer novas soluções nesta matéria.
Novo Mapa Judicial
Em Fevereiro de 2006, foi apresentado o
estudo, elaborado pelo Observatório Permanente
da Justiça Portuguesa, relativo à reforma
do Mapa Judiciário, consubstanciando uma
primeira abordagem científica aos modelos em
confronto no processo da reorganização da
Justiça nacional.
Na sequência deste estudo, e tendo presentes
os princípios definidos no Acordo Político-Parlamentar para a Reforma da Justiça, foi
encomendado à Associação para o Desenvolvimento
da Engenharia Civil, da Universidade
de Coimbra, um estudo sobre a configuração
concreta de um novo Mapa Judiciário, baseado
nas novas unidades territoriais (as NUT II e
NUT III), incluindo propostas de localização,
de capacidade e de área de competência para
os equipamentos judiciários.
Para já, sabe-se que as soluções a encontrar
passarão por uma redefinição das necessidades
de equipamentos e infra-estruturas a uma
escala mais alargada, o que poderá implicar
uma nova delimitação das áreas geográficas
de competência das comarcas, e pela constituição
de tribunais específicos de âmbito regional.
Desta forma, conseguir-se-á maior
rentabilização dos recursos existentes, facilitando
a reorganização dos serviços judiciais,
especialmente em casos como o de Loures,
onde as boas condições físicas do Palácio da
Justiça permitem de imediato a inclusão dos
restantes serviços ainda dispersos.
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Tribunais
Especificidades
consagradas
Existem diversos tipos de tribunais, uns
específicos e outros “generalistas”. Em Loures, a comarca engloba um Tribunal
Judicial (designado em regra Tribunal
de Comarca), Tribunal do Trabalho, Tribunal
de Família e Menores e Tribunal de Pequena
Instância Criminal. Todos eles são “tutelados”
pelo Tribunal de Comarca.
Há ainda um outro tribunal específico
que se relaciona com o Círculo Judicial de
Loures: o Tribunal Administrativo e Fiscal
de Loures. É o único que não se situa fisicamente
no concelho (está estabelecido em
Lisboa). Ao contrário dos anteriores, não
“reporta” em última instância ao Supremo
Tribunal de Justiça, mas sim ao Supremo
Tribunal Administrativo e Fiscal.
Tipos de tribunais existentes
Tribunais Judiciais – São os tribunais
comuns em matéria cível e criminal e
exercem jurisdição em todas as áreas não
atribuídas a outras ordens judiciais. Na
primeira instância pode haver tribunais
com competência específica e tribunais
especializados para o julgamento de
matérias determinadas, como é o caso
dos tribunais de Família e Menores ou
do Trabalho. Os tribunais de recurso e o
Supremo Tribunal de Justiça – a mais
alta instância – podem funcionar em secções
especializadas.
Tribunais Administrativos e Fiscais –
Compete aos tribunais administrativos e
fiscais o julgamento das acções e recursos
contenciosos que tenham por objecto
os litígios emergentes das relações
jurídicas administrativas e fiscais, nomeadamente
processos interpostos por pessoas
singulares ou colectivas contra o Estado.
O Supremo Tribunal Administrativo é o órgão superior da hierarquia, sem prejuízo
da competência própria do Tribunal
Constitucional.
Tribunais de Comércio – Criados em
1997 como tribunais de recuperação de
empresas e falências, passam a tribunais
do Comércio dois anos depois. Desde
então, foram vendo as suas competências
aumentadas, regendo-se sempre pelo
Código de Registo Comercial.
Tribunal de Contas – É o órgão supremo
de fiscalização da legalidade das despesas
públicas e de julgamento das contas que a
Lei manda submeter-lhe, competindo-lhe,
nomeadamente, dar pareceres sobre as
contas gerais do Estado, incluindo regiões
autónomas, “e efectivar a responsabilidade
por infracções financeiras, nos termos da Lei”.
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Instituições judiciais em Loures
Cobertura legal total

A Comarca de Loures, uma das
maiores e mais importantes do País, é composta por praticamente todos
os serviços judiciais possíveis,
uma realidade com paralelo
apenas nos círculos judiciais
dos grandes pólos urbanos do País.
Para além do Tribunal Judicial
(ou de comarca), Loures
possui ainda Tribunal de Pequena
Instância Criminal, Tribunal
de Família e de Menores,
Tribunal de Trabalho e Tribunal
Administrativo e Fiscal.
Fique agora a conhecê-los “à lupa”.
O território nacional divide-se em quatro
distritos judiciais, com sede, respectivamente,
em Lisboa, Porto, Coimbra e Évora. Os distritos
judiciais dividem-se em círculos judiciais,
sendo estes constituídos por uma ou
mais comarcas. Cada comarca abrange um ou mais municípios e, assim, as várias freguesias.
No caso de Loures, a Comarca tem jurisdição
nos concelhos de Loures e de Odivelas,
pertencendo ao Círculo Judicial de Loures e
ao Distrito Judicial de Lisboa. A sua composição
obedece a legislação própria, que define
a organização dos tribunais.
Para mais fácil compreensão, digamos que
a Comarca se divide em quatro grandes unidades
orgânicas com secretarias judiciais
distintas: o Tribunal de Família e Menores e de Comarca; Juízos Criminais e de Pequena
Instância; Ministério Público; e Tribunal de
Trabalho (ver infografia).
Nas secretarias, a divisão mais comum é
feita através de Juízos, ou seja, uma unidade
orgânica à qual corresponde um magistrado
titular. De todos os juízos que regularmente
uma comarca comporta, apenas o Juízo de
Execução não foi ainda instalado em Loures,
embora já tenha sido criado em Junho de
2004. Prevê-se a sua instalação ainda no decorrer
do ano de 2007.
Quanto ao Tribunal Administrativo e Fiscal
de Loures, detém uma especificidade
própria, pelo que não se pode definir
como parte integrante da Comarca, embora
tenha jurisdição na área do Círculo
Judicial de Loures.
Face à complexidade do sistema,
a Loures Municipal deixa-lhe agora
algumas “pistas” para que melhor entenda
as diferenças entre as várias instâncias
judiciais da Comarca a que
pertence:
Justiça Criminal e Justiça Cível – É esta a grande distinção que é feita
pela organização judiciária. O que
as distingue é o facto de na Justiça
Criminal se julgarem acções que
constituem crimes (contra a paz e a humanidade,
contra o Estado, contra as
pessoas), enquanto que a Justiça Cível
está vocacionada para julgar litígios
(dívidas, sucessões, inventários, etc.).
Varas – A sua composição passa sempre
pela presença de três juízes, ou seja, um
colectivo. Só às varas é permitida a realização
de julgamentos cuja moldura penal ultrapasse
os cinco anos, podendo chegar aos 25, pena
máxima em Portugal, assim como processos
cujos valores ultrapassem os 14 963,94 euros.
Podem ser divididas em varas criminais e varas
cíveis, mas no caso de Loures o que existe são
as chamadas varas mistas, o que quer dizer
que estão habilitadas a julgar casos de ambas
as matérias, ou seja, proferir acórdãos nos
termos dos códigos de processo Penal e Civil,
respectivamente.
Juízos – Podem ser de competência genérica,
especializada ou específica. No caso
da Comarca de Loures, estão divididos em criminais,
cíveis, de pequena instância criminal,
de trabalho ou de família e menores, e apenas
comportam um magistrado cada, ou seja, cada
um é um tribunal singular. Têm competência
para produzir despachos ou sentenças nos
julgamentos de crimes contra a autoridade
pública e todos os crimes com penas inferiores
a cinco anos, ou todos aqueles para os quais, embora as penas previstas possam ser
superiores a cinco anos, o Ministério Público
tenha pedido condenação inferior.
Juízos existentes em Loures
Juízos de Pequena Instância Criminal – Julgam processos em tudo semelhantes aos
que correm nos juízos criminais, mas cuja espécie
seja de índole sumária, sumaríssima ou
abreviada, como são os casos das transgressões
ou multas, entre outros.
Juízos de Família – Dirimem conflitos
entre cônjuges, acções de divórcio, separação
de pessoas e bens, instauração de tutela e
administração de bens, entre outras matérias.
Juízos de Menores – Trata-se de juízos
específicos, cuja competência está delimitada
pela presença de menores no processo.
No caso dos processos-crime, a idade para ser
definido como menor é de 16 anos, enquanto
que no que respeita aos processos cíveis se
situa nos 18. Podem também decretar medidas
relativamente a menores entre os 12 e os 16
anos que pratiquem condutas impróprias ou
mostrem sérias dificuldades de integração
social.
Juízos de Trabalho – Têm apenas competência
para julgar processos de cariz laboral,
como sejam as questões de interpretação da
regulamentação colectiva do trabalho, acidentes
de trabalho, anulação de actos contratuais,
transgressões de normas reguladoras das relações
laborais, etc.
Juízos de Execução – Compete-lhes
exercer jurisdição em matéria de execução de
pena de prisão, concessão de liberdade condicional
ou sua revogação, decidir sobre a modificação
da execução da pena, ou declarar a
extinção das execuções das penas, entre outras
matérias.
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História da Comarca
Crescimento
exponencial
A Comarca de Loures foi criada a 11 de
Maio de 1967, através do Decreto-Lei n.º 47691.
Até lá, Loures pertencia à Comarca de Lisboa,
muito porque o volume processual não justificava
a criação de uma Comarca própria.
Na altura da sua criação, tinha apenas um
juízo e pertencia ao Círculo Judicial de Lisboa.
A história da sua evolução acompanhou,
grosso modo, o crescimento populacional do
Município. Em 1972, foi alargada para dois
juízos, sendo que a partir de 1978 passou a
ter três juízos, Tribunal de Instrução Criminal
e Tribunal do Trabalho.
Dando resposta ao boom do crescimento
demográfico ocorrido no final dos anos 70,
em 1982 foi acrescentado um quarto juízo e,
em 1988, foi criado o então chamado “Tribunal
de Pequenas Causas”, actual Tribunal
de Pequena Instância. Entretanto, foram extintos
o quarto juízo e o Tribunal de Instrução
Criminal, este último devido a uma alteração
orgânica dos tribunais de instrução criminal.
Nesta altura, a Comarca não englobava ainda
todas as freguesias dos actuais concelhos de
Loures e Odivelas, já que Odivelas, Pontinha,
Sacavém e Moscavide pertenciam à comarca
de Lisboa.
A partir de 1993, passou a ter uma organização
semelhante à actual, já que foi criado
o Círculo Judicial de Loures, que abrangia
os concelhos de Loures e Mafra. Passou a ter
quatro juízos cíveis e dois criminais. Quando
em 1999 foi inaugurado o actual Palácio da
Justiça de Loures, o âmbito da Comarca foi
alargado para os moldes actuais, ou seja,
compreendendo todas as freguesias do concelho
de Loures e as sete do então recém-formado concelho de Odivelas.
Dados Estatísticos
Comarca de Loures em números
Se há poucos anos atrás o número de processos que dava entrada
nos tribunais parecia não ter fim face ao seu constante crescimento,
actualmente a situação é bastante diferente, em grande parte
graças às reformas instituídas pelo Governo no que diz respeito à Administração Pública e ao sector da Justiça em Portugal.
Desde 2003 que, de uma forma geral, o número de processos
que deram entrada na Comarca de Loures tem acompanhado
esta curva descendente, como se pode constatar
pelas infografias abaixo representadas.

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Comissão de Protecção de Crianças e Jovens
Prioridade
aos mais novos
As comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) são instituições
oficiais, não judiciárias, que visam promover os direitos da
criança e do jovem, bem como prevenir ou pôr termo a situações
susceptíveis de afectar a sua segurança, saúde, formação, educação ou
desenvolvimento integral.
Como entidade que possui competências para intervir em situações
em que o jovem se encontra em perigo, impõe-se que mantenha uma
relação estreita com o Tribunal de Famílias e Menores, de modo a assegurar
a defesa dos direitos dos menores.
Ângela Botelho, Presidente da CPCJ de Loures, em entrevista à
Loures Municipal, explicou que “a intervenção deve ser efectuada, em
primeiro lugar, pelas entidades de primeira linha, ou seja, pelas forças
de segurança, Segurança Social, escolas e outras com competência
em matéria de infância e juventude. Só depois pelas comissões de
protecção e, em última instância, pelo tribunal”.
De acordo com Ângela Botelho, só quando a CPCJ “não consegue
intervir, por exemplo, quando não há consentimento dos pais, ou quando é feito um acordo que não é cumprido, é que remete o processo
para o tribunal e é este que tem a última palavra”. Depois de dar entrada
em tribunal, “muitas vezes, a CPCJ é chamada para prestar
declarações e, quando chega a debate judicial, é solicitada para dar o
seu parecer sobre o que acha que deverá ser o mais correcto e positivo
para o superior interesse da criança”, concluiu a técnica.
Comissão de Protecção de Crianças e Jovens

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Escola da Polícia Judiciária com sede em Loures
Na vanguarda da
investigação criminal
Importante auxiliar da administração da Justiça, a Polícia Judiciária é o principal órgão de investigação criminal do nosso país. A formação
dos agentes, quer inicial, quer contínua, passa pelo Instituto Superior
de Polícia Judiciária e Ciências Criminais, sedeado na localidade do Barro,
em Loures.

A investigação criminal assume um papel
fundamental no decurso de qualquer processo
judiciário. Em Portugal, a Polícia Judiciária
(PJ) é o principal órgão policial de investigação
criminal, funcionando sob a tutela do Ministério
da Justiça e a orientação do Ministério
Público.
Vocacionada para o combate à grande
criminalidade, nomeadamente crime organizado,
terrorismo, tráfico de estupefacientes,
corrupção e criminalidade económica e financeira,
a PJ teve como primeiro antecedente a
Polícia Cívica, criada em 1867 na dependência
da Justiça do Reino. Porém, a sofisticação de
meios utilizados na prática dos crimes tornou
necessária a criação de um corpo policial especialmente
dedicado à investigação criminal, o
que ocorreu em 1945.
Essa evolução tornou indispensável a formação
de agentes especializados e dotados
de meios técnicos e científicos modernos. Localizado
em Loures, o Instituto Superior de Polícia
Judiciária e Ciências Criminais (ISPJCC) é a
instituição responsável pela formação profissional,
bem como pela investigação e divulgação
de conhecimentos no âmbito das ciências criminais e judiciárias. Tal formação não passa
apenas pelo recrutamento de novos agentes,
mas também pela formação contínua e especializada,
bem como pela formação para promoção,
uma vez que é essencial a adaptação
da estrutura da PJ às novas formas e métodos
de criminalidade.
Quase todos os anos é aberto concurso
para a formação de inspectores da PJ, na qual
ingressam entre 100 a 150 pessoas, depois de
superadas diversas provas eliminatórias. Também
a formação contínua e a especialização
são bastante procuradas pelos funcionários,
no sentido de actualizarem saberes e procedimentos.
A formação ministrada pelo ISPJCC alicerça-se na cooperação e articulação com as
autoridades judiciárias, escolas, institutos de
formação policial e outros organismos nacionais
ou estrangeiros. Atendendo ao mundo
globalizado em que vivemos, a cooperação internacional é cada vez mais determinante para
o sucesso da investigação. Neste domínio,
destacam-se a cooperação do ISPJCC com os
países africanos de língua oficial portuguesa,
Brasil, Academia Europeia de Polícia (CEPOL), Associação dos Colégios Europeus de Polícia
(AEPC), Serviço Europeu de Polícia (EUROPOL),
Unidade Europeia de Cooperação Judiciária
(EUROJUST) e restantes redes europeias.
O ISPJCC é ainda palco de realização de
diversas conferências, seminários e reuniões, no âmbito da investigação criminal, da cooperação
judiciária e de outras temáticas relacionadas
com os sistemas penal e judicial.
O Instituto assumirá papel de especial
relevância durante a presidência portuguesa
da União Europeia (UE), que acontecerá no
segundo semestre deste ano, pois, ao presidir à UE, Portugal irá também chefiar as agências
para a cooperação de polícia e justiça em matéria
penal – CEPOL, EUROPOL e EUROJUST – consideradas o terceiro pilar da União.
Museu da PJ
Nas instalações do ISPJCC encontra-se o Museu e Arquivos Históricos de Polícia Judiciária (MAHPJ), ao qual compete a recolha, guarda e exposição de objectos de interesse criminalístico existentes na PJ, assim como dos objectos que venham a ser declarados perdidos a favor do Estado.
O museu ocupa, actualmente, salas de reserva visitáveis mediante marcação prévia. Do seu espólio fazem parte os arquivos históricos fotográfico e documental, o núcleo central com equipamento policial obsoleto ligado à história da investigação criminal, e material criminal apreendido ao longo do trabalho policial.
Paralelamente, o MAHPJ tem desenvolvido vários projectos de prevenção criminal, entre os quais o projecto Igreja Segura e, mais recentemente, o projecto SOS Azulejo.
Tendo em conta os problemas de segurança a que muitas igrejas estão sujeitas, obrigando ao seu encerramento e inviabilizando a sua visita, foi criado o projecto Igreja Segura. Procurando combater os problemas de segurança e de preservação do património das igrejas portuguesas, o projecto conta com a parceria e colaboração de várias entidades.1
O acréscimo do furto de azulejos históricos e artísticos na região de Lisboa e arredores levou ao nascimento do Projecto SOS Azulejo. A iniciativa visa proteger o património azulejar português, que se tem perdido, não apenas através de furtos, mas também pela ausência de cuidados de conservação. Motivo pelo qual o projecto aposta na sensibilização da população para este problema, bem como no aconselhamento de prevenção criminal para quem possui este tipo de património.
Para tal, o projecto prevê a elaboração de um site onde constarão imagens de azulejos furtados procurados pela polícia e informações sobre a temática, a realização de workshops e acções de formação sobre conservação e restauro de azulejos, bem como de uma exposição itinerante multimédia, entre outras actividades que promovam a salvaguarda do património azulejar português.
No projecto surgem como parceiros o Instituto Politécnico de Tomar, o Instituto Português do Património Arquitectónico, a Associação Nacional de Municípios Portugueses, a PSP e a GNR.
1 Associação Nacional dos Municípios Portugueses, Comissão Episcopal dos Bens Culturais da Igreja, Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, Instituto Português de Conservação e Restauro, Instituto Politécnico de Portalegre, Ordem dos Engenheiros, União das Misericórdias, Universidade Católica Portuguesa, Instituto Português do Património Arquitectónico, PSP, GNR, Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, Millennium BCP e fundações Calouste Gulbenkian, Oriente e Stanley Ho.
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Ministério Público
A voz do povo
No que respeita ao funcionamento da Justiça,
o Ministério Público surge como responsável pela
defesa da ordem jurídica e dos direitos sociais
e individuais. Em Loures, é representado por seis
procuradores da República e 20 procuradores-adjuntos.

As origens do Ministério Público (MP) em Portugal, como
organização estável e permanente, remontam ao século XIV, tendo a
sua evolução sido ditada pelas exigências da Justiça e da Administração
do País.
De acordo com a Constituição da República Portuguesa, compete-lhe “representar o Estado e defender os interesses que a Lei determinar,
bem como [...] participar na execução da política criminal
definida pelos órgãos de soberania, exercer a acção penal orientada
pelo princípio da legalidade e defender a legalidade democrática”.
As suas atribuições incluem ainda o exercício de funções consultivas
e a fiscalização da aplicação da Lei e defesa da sociedade.
O MP goza, hoje, de autonomia orgânica e funcional, possuindo
um corpo de magistrados próprio, separados da magistratura judicial.
Está excluída a interferência de outros poderes na sua acção concreta,
com excepção para os casos em que defende e sustenta interesses
privados ou específicos do Estado.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) é o órgão superior do
Ministério Público, sendo presidida pelo Procurador-Geral da República,
o qual é nomeado pelo Presidente da República, sob proposta
do Governo. A PGR compreende o Conselho Superior do Ministério
Público, o Conselho Consultivo, os auditores jurídicos e os serviços
de Apoio Técnico e Administrativo, funcionando também na sua
dependência o Departamento de Investigação e Acção Penal, o Gabinete
de Documentação e Direito Comparado e o Núcleo de Apoio
Técnico.
Nas comarcas ou grupo de comarcas exercem funções os delegados
do Procurador da República, agentes de base do MP. Da Comarca de
Loures fazem parte seis procuradores da República, distribuídos pelas
varas mistas, Tribunal de Família e Menores e Tribunal de Trabalho,
e 20 procuradores-adjuntos. Os serviços do MP no Tribunal de Comarca
contam ainda com uma secretaria, constituída pela secção central
e secção de processos, e cerca de três dezenas de funcionários, quatro
dos quais no Tribunal de Família e Menores. Já o Tribunal do
Trabalho conta com o apoio de quatro oficiais de Justiça.
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Ordem dos Advogados
Chamado a defender
Agente fundamental na administração da Justiça,
o advogado assume papel de especial relevância
na manutenção de um Estado de Direito, enquanto
representante de salvaguarda de direitos, liberdades
e garantias dos cidadãos. A Loures Municipal dá-lhe
a conhecer a instituição representativa desta
classe – a Ordem dos Advogados –, com destaque
para a Delegação de Loures.

O exercício da advocacia constitui-se como um dos pilares do
Estado de Direito. De acordo com a Constituição Portuguesa, o advogado é considerado “elemento essencial à administração da justiça”,
na medida em que estabelece a ligação entre as partes e o tribunal,
salvaguardando os direitos dos cidadãos.
Criada em 1926, sob o impulso do então Ministro da Justiça,
Manuel Rodrigues, a Ordem dos Advogados (OA) é a associação pública
que representa os licenciados em Direito que exercem advocacia.
Entre as várias funções que lhe são atribuídas pelos estatutos,
cabe-lhe não apenas proteger os interesses dos seus membros, regulamentar
e zelar pela dignidade da profissão de advogado, mas sobretudo “defender o Estado de Direito e os direitos, liberdades e garantias
dos cidadãos e colaborar na administração da justiça”, promovendo o
acesso ao Direito, de acordo com os princípios constitucionais.
Independente dos órgãos do Estado, a
Ordem é livre e autónoma nas suas regras, englobando
Congresso, Assembleia Geral, Conselho
Superior, Conselho Geral, assembleias e
conselhos distritais, conselhos de deontologia,
assembleias de comarca e delegações.
A OA é representada pelo Bastonário, seu
Presidente, que assegura o cumprimento das
funções da instituição, ocupando, por inerência,
os cargos de Presidente do Congresso,
da Assembleia e do Conselho Geral.
De acordo com a organização da instituição,
em cada comarca que não seja sede
de distrito e em que haja pelo menos dez
advogados inscritos, funciona uma Assembleia
de Comarca, constituída por todos os advogados
inscritos na respectiva comarca, a qual
elege uma Delegação, composta por um presidente
e por mais dois a quatro membros.
A Assembleia de Comarca de Loures conta
com mais de 400 advogados inscritos, “cerca
de 50 por cento estão vinculados plenamente à advocacia, sendo que a maioria está inscrita
no apoio judiciário, e a outra metade trabalha
fora da comarca, quer em empresas, escritórios
ou empresas públicas”, como refere o Presidente
da Delegação, Amílcar de Melo.
A delegação tem autonomia em questões
relacionadas com a comarca, como a organização
de escalas nos tribunais e nas entidades
policiais, estando no restante dependente do
Conselho Distrital que, entre outras funções,
promove a orientação da vida financeira das
comarcas.
O atendimento e apoio aos advogados, o
atendimento de requerentes do apoio judiciário,
a realização de reuniões regulares com os
agentes judiciários, bem como de formação
profissional permanente, são algumas das
principais actividades exercidas pela Delegação
da Ordem, em Loures.
ENTREVISTA
Amílcar de Melo, Presidente da Delegação de Loures
da Ordem dos Advogados
Como avalia a evolução da Comarca de Loures,
especialmente depois da construção do Palácio da Justiça?
Notou-se uma grande evolução, pois concentrar vários serviços
num só edifício acaba por facilitar a vida às pessoas. No entanto,
quando foi construído o Palácio da Justiça, o Governo alterou a
Comarca de Loures, que passou a englobar muitas zonas que anteriormente
pertenciam à Comarca de Lisboa, aumentando a quantidade
de processos.
A Comarca de Loures funciona bem e, para tal, também contribui
o bom relacionamento com a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia
de Loures. Contudo, o elevado número de processos faz com que não
seja possível resolver todas as questões com a celeridade que se desejaria,
provocando na população a ideia de que os tribunais não funcionam
bem.
Como classifica o papel da Delegação da Ordem
dos Advogados de Loures no âmbito
do apoio judiciário que confere aos munícipes?
A Delegação tem um papel muito importante, pois a questão
do apoio judiciário e do acesso ao Direito é fundamental. Estamos a
tentar criar, com o apoio da Câmara Municipal, um Gabinete de
Consulta Jurídica, com consultas gratuitas de aconselhamento e encaminhamento
da população. Nesse Gabinete, o advogado analisa se
o assunto apresentado tem ou não valor jurídico, aconselhando a
pessoa a avançar ou a desistir do caso. Se o cidadão tiver dificuldades
económicas, é então encaminhado para a Segurança Social, onde irá requerer apoio judiciário, sendo-lhe depois
nomeado um advogado pela Ordem.
Estes gabinetes são muito importantes,
porque efectivamente há um local, um horário
e um advogado a quem as pessoas podem
apresentar os seus problemas e dúvidas.
Qual o papel dos advogados na
reforma da Justiça agora em curso?
O advogado é um colaborador na administração
da Justiça e, como tal, deve apresentar
os problemas que mais afectam as populações
e a própria classe. Há um intercâmbio muito
grande entre a Ordem dos Advogados e o
Ministério da Justiça, através de reuniões,
estudos e pareceres, para que a Justiça funcione
melhor.
Qual a sua opinião sobre as principais
medidas contempladas no Pacto
da Justiça, nomeadamente no que
respeita ao Código de Processo Penal?
Penso que as alterações que estão a ser
preparadas no âmbito da Justiça são boas.
Nós temos um bom Código de Processo Penal,
talvez dos melhores da Europa, e a reforma
que o Governo vai levar a cabo, em colaboração
com vários órgãos, é uma reforma pontual.
Fundamentalmente, baseia-se nas questões
do segredo de justiça, da prisão preventiva e
dos meios de obtenção de prova, com destaque
para as escutas telefónicas.
Os tempos vão mudando e vão surgindo
novas questões, pelo que se torna necessário
que o Governo vá adaptando os vários órgãos
judiciais às situações, para que a investigação
seja eficaz e, na fase de julgamento, os juízes
tenham condições para tomar decisões.
Que impacto teve, no funcionamento
da Justiça, a implementação
de novas tecnologias
e a modernização administrativa?
Tem-se verificado uma melhoria extraordinária,
uma vez que, actualmente, são praticados
muitos actos nos tribunais, nas
conservatórias, nos notários e nas finanças,
que eram impensáveis há 15 ou 20 anos. Os
meios informáticos facilitaram os procedimentos,
por exemplo, em termos de cruzamento
de dados, que é fundamental no campo da
Justiça.
Embora muitos advogados ainda se socorram
do seu saber e não utilizem frequentemente
os novos meios, a tendência é
para os mais novos se especializarem, agrupando-se em sociedades, o que lhes confere
mais possibilidades económicas para concentrarem
nos escritórios as tecnologias
mais modernas. A vídeo-conferência é outro
grande avanço, que facilita o contacto e
permite acelerar o andamento dos processos.
Pode dizer-se que estamos no início de
uma nova era, para a advocacia e para a Justiça
em geral.
Contactos:
Morada: Av. Major Rosa Bastos, 23 - 1.º
2670-459 Loures
Telefone: 219 839 114 / Fax: 219 839 115
E-mail: loures@del.oa.pt
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Em geral, na sede de cada concelho existe uma Conservatória do Registo
Civil, Predial e Comercial. Contudo, quando o volume de serviço o justifica,
no mesmo município podem coexistir mais do que uma conservatória
da mesma espécie. É o caso de Loures, que passamos a apresentar.
No concelho de Loures estão representados
todos os tipos de conservatórias, existindo
uma de Registo Civil que abrange também o
concelho de Odivelas, uma outra com competências
sobre o Registo Predial e ainda uma última que reúne jurisdição sobre os registos
prediais e comerciais (ver contactos).
É impossível dissociar das câmaras municipais
o trabalho das conservatórias, uma vez
que existem situações em que se complementam. É do conhecimento geral que Loures
possui vastas Áreas Urbanas de Génese Ilegal
(AUGI), que se encontram em reconversão.
Resumidamente, para que isso seja possível, é
necessário que o Município solicite à conservatória
certidões relativas ao teor dos prédios
abrangidos pelas AUGI e que, após concluída
a emissão do alvará de loteamento, a conservatória
proceda ao respectivo registo.
Para além disso, qualquer acto que incida
sobre uma propriedade, envolvendo operações
urbanísticas sujeitas a licenciamento e autorização
de construção, ou outras, como é o
caso dos destaques (divisão de uma propriedade
em duas partes), emparcelamento de
terrenos, aumento do número de compartes
de um prédio, necessitam do parecer da
Câmara Municipal, cujo deferimento resulta
na actualização do Registo Predial, relacionando-a directamente com a conservatória
que possui essa competência.
O Registo Predial destina-se essencialmente
a dar publicidade à situação jurídica
dos prédios. Por outras palavras, é através da
informação disponibilizada pelo registo, com
interesse designadamente para quem compra
casa, que poderá ficar a saber qual a composição
de determinado prédio, a quem pertence
e que tipo de encargos (hipotecas, penhoras,
etc.) incidem sobre ele.
Quanto ao Registo Comercial, destina-se
a dar publicidade à situação jurídica dos
comerciantes individuais, das sociedades
comerciais, cooperativas, empresas públicas,
sociedades civis sob forma comercial, bem
como de outras pessoas singulares ou colectivas,
por Lei sujeitas a registo, tendo em vista
a segurança do comércio jurídico.
Por fim, são factos sujeitos a Registo Civil
o nascimento, filiação, casamento, adopção,
regulação do exercício do poder paternal, óbito,
tutela de menores ou interditos, etc.
De referir que, recentemente, o Ministério
da Justiça apresentou 17 medidas incluídas
no Simplex – Programa de Simplificação
Administrativa e Legislativa. Dessas medidas,
14 dizem respeito às pessoas singulares, tendo
como objectivo simplificar o registo civil e
facilitar o acesso à propriedade, e as restantes às empresas, onde se destaca o acesso à propriedade
industrial, passando a ser possível
adquirir a “Marca na Hora”, independentemente
da constituição de sociedade.
“O meu trabalho em Loures
tem sido gratificante”
Chama-se Fernando de Pina Aragão, nasceu
em 1946, e é conservador na 1.ª Conservatória
do Registo Predial/Comercial de Loures.
Licenciado em Direito, passou por vários cartórios
e conservatórias, de todo o país, tendo
ingressado, em 1997, na 1.ª Conservatória
de Loures. Sobre a sua actividade, diz que “é obrigado a resolver cada vez mais tarefas
complicadas que exigem, por vezes, conhecimentos
jurídicos de vários ramos do Direito”.
A “sua” conservatória tem competências
a nível predial e comercial, sendo que no primeiro
caso abrange apenas as freguesias de
Loures e Santo António dos Cavaleiros, e no
segundo, todas as freguesias do concelho.
De acordo com Pina Aragão, os actos registrais
mais comuns, em termos prediais, são “a
compra e venda de imóveis, hipotecas, penhoras,
locações financeiras, usufrutos e loteamentos”.
Já em termos comerciais “existem
muitas constituições de empresas, renúncias,
fusões, dissoluções e liquidações”, prosseguiu. “De facto, existem muitas sociedades em Loures,
estando, pelo menos, 15 mil no activo”.
Pina Aragão avalia favoravelmente as medidas
de modernização administrativa preconizadas
pelo Governo: “É positivo, porque
se trata de uma forma de transpor para o sistema
informático os dados relativos a prédios
e sociedades que, mais tarde, através do seu
cruzamento, podem ser úteis a todos.”
Medidas como «Empresa» e «Marca na
Hora» “nunca foram requeridas nesta conservatória.
Estão disponíveis, mas as pessoas continuam
a fazê-lo pelo processo normal, muito
embora já tenham sido criadas empresas, alteração
de órgãos sociais e transmissões de quotas
on-line. Os nossos serviços funcionam bem, e
por isso não tem havido essa necessidade”,
adiantou. Contudo, o conservador revela ser
bastante benéfico o facto de ser possível pedir
certidões on-line, destacando a importância da
certidão permanente de registo comercial,
lançada em Dezembro de 2006, que permite a “qualquer sociedade ou entidade cujo registo
tenha sido informatizado ter uma certidão
permanentemente acessível por internet, assegurando-se que, enquanto essa informação
estiver disponível on-line, nenhuma entidade
pública ou privada possa exigir uma certidão
em papel”. Para o conservador, o próximo
objectivo é “terminar o processo de informatização
na conservatória, e desformalizar os
actos de modo a não beliscar a segurança do
comércio jurídico”.
Por enquanto, Pina Aragão reconhece que o
seu trabalho em Loures “tem sido gratificante”,
até porque tenta “sempre receber todos os utentes
e informá-los o melhor que posso. Foi com
eles que fiz um contrato. São eles que podem
avaliar a qualidade do meu trabalho”, remata.
Contactos:
> Conservatória do Registo Civil
Rua Manuel Augusto Pacheco, n.º 6, 4.º Dto. 2670-450 Loures
Telefone: 21 983 51 65
> Conservatória do Registo Predial/Comercial
Rua 25 de Abril, n.º 6 r/c A e B, 2670-482 Loures
Telefone: 21 982 69 50
> Conservatória do Registo Predial
Rua de Goa, n.º 13 A, 2670-437 Loures
Telefone: 21 983 88 30
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Notários
Modernização como aposta segura
A recente liberalização do sector,
tem permitido um significativo
aumento do número de cartórios
notariais em todo o país.
Loures não foi excepção.

Razões de vária ordem justificaram a privatização
dos cartórios notariais, processo
que teve início com a promulgação da Lei
n.º 49/2003, que autorizava a aprovação do
novo regime jurídico do notariado e a criação
da Ordem dos Notários. O diminuto número
deste tipo de serviços existente em Portugal,
aliado à crescente burocracia que norteava
a sua actividade, foram alguns dos aspectos
que incentivaram à mudança.
Como profissionais liberais, os notários
passaram a ter a gestão privada dos seus
cartórios, ficando mais próximos dos utentes,
sempre no quadro de uma actividade rigorosamente
regulada e fiscalizada pelo Estado.
Desta forma, estão obrigatoriamente inscritos
na Ordem dos Notários, associação pública
que colabora com o Governo, através do Ministério
da Justiça, no acesso, regulação e
fiscalização da actividade notarial.
Uma das consequências da privatização
foi o aumento do número de notários no País,
já que antes do processo de mudança não
ultrapassava os 300, estando previstas 545
licenças, metade das quais já entregues. Em
Loures, o panorama é idêntico, tendo-se evoluído
de um para seis notários (ver contactos).
A tónica para a adopção do novo modelo
centrou-se sobretudo nos benefícios para os
cidadãos, empresas e notários, suportada pela
ideia de que os utentes iriam lucrar com a
redução dos custos dos actos notariais, devido
a uma maior concorrência, e com o aumento significativo do número de notários, facilitando-se assim o acesso à prestação de serviços,
e reduzindo os tempos de espera. Com
a privatização os notários desenvolveram ainda
novos serviços, aproveitando a exploração
do mundo digital. Deste modo, é possível
transpor a documentação original em papel
para formato electrónico, autenticando, enviando
e recepcionando documentação electrónica
para cidadãos e empresas.
No entanto, quando falamos da relação
entre notários e o Estado, nem sempre é assim
tão linear, já que continuam a persistir divergências,
nomeadamente no que diz respeito às consequências que a reforma do sector,
proposta pelo Governo, pode trazer para esta
classe profissional, que se tem vindo a manifestar
contra o esvaziamento das suas competências
e a ameaça à sustentabilidade
financeira.
A função notarial destina-se sobretudo
a dar forma legal e conferir fé pública aos
actos jurídicos extrajudiciais. A intervenção
do notário abrange ainda numerosos factos
e actos, que se reflectem numa variedade
de documentos, e só pode dar-se por vontade
das partes, com o acordo de todos os interessados.
Contactos:
> Cartório Notarial de Lúcia Ataíde Oliveira Sucena;
Rua Manuel Augusto Pacheco, n.º 8 1.º, Loures; Tel.: 21 982 88 20.
> Cartório Notarial de José de Moura Sucena;
Rua Manuel Augusto Pacheco, n.º 8, 1.º, Loures; Tel.: 21 982 88 00.
> Cartório Notarial de Rosa Mendes Matos Alves Duarte; Rua
Fernão Mendes Pinto, n.º 7, r/c dt.º, Infantado; Tel.: 21 983 14 13
> Cartório Notarial de Ana Helena Sena Gonçalves;
Alameda dos Oceanos, Rotunda das Oliveiras, Lote 4.40.01C,
Moscavide; Tel.: 21 896 11 04.
> Cartório Notarial de Maria Margarida Martins Craveiro Mourão;
Rotunda Nuno Rodrigues dos Santos, n.º 1, 4.º C, Portela;
Tel.: 21 944 90 20.
> Cartório Notarial de Maria Cristina Castro de Vilhena Fragoso;
Quinta do Património, lote 30, loja 2, Sacavém; Tel.: 21 949 19 10.
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Juiz de Direito dos tribunais administrativos e fiscais desde 2003, José Conde Rodrigues, 42 anos,
licenciou-se em Direito na Universidade Clássica de Lisboa, em 1987. Ocupou cargos políticos de relevo,
como a Presidência da Câmara Municipal de Cartaxo (1994-2000)
ou a Secretaria de Estado da Cultura, durante o último consulado de António Guterres.
Actualmente, é Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, um cargo que o transforma no “número dois”
de um Ministério que gere uma das mais complexas e problemáticas áreas da política nacional.
À Loures Municipal deixou a sua opinião acerca do actual estado da Justiça, tendo expressado
algumas ideias e reflexões sobre o futuro da esfera institucional que tutela,
para além de fazer revelações sobre o papel de Loures no futuro mapa judicial.
Dois anos depois do início de funções do Governo, qual o balanço que faz da evolução do Ministério da Justiça?
A avaliação que se pode fazer destes dois anos de Governo, e particularmente na área da Justiça, é bastante positiva, uma vez que tem sido possível concretizar um conjunto de medidas que vieram resolver alguns dos problemas que encontrámos. Falo nomeadamente da nossa preocupação em modernizar o sistema judicial, desenvolvendo paralelamente um sistema de controlo da legalidade, no que diz respeito a todos os actos praticados pelos cidadãos em contacto com os serviços públicos. Demos assim, simultaneamente, sinais de que a Justiça pode contribuir para o desenvolvimento do País, e não constituir um entrave ao crescimento do País.
Como têm conduzido esse trabalho?
Tem sido levado a cabo em várias vertentes, quer através de alterações legislativas, algumas delas já em vigor, e outras que esperam apenas aprovação por parte da Assembleia da República, quer através da alteração de um conjunto de práticas vigentes no Ministério da Justiça, que permitiram uma maior agilidade e flexibilidade na sua gestão. Paralelamente, procurámos promover mudanças nas infra-estruturas físicas, qualificando-as, naturalmente, e isto tanto no que diz respeito à área judicial, como também no que concerne ao sistema prisional, de reinserção social ou de medicina legal, áreas onde o Ministério da Justiça tem uma intervenção de relevo.
É certo que, para o cidadão comum, a Justiça avalia-se pelos resultados das decisões. Muitas vezes, para não dizer todas, o Ministério apenas tem responsabilidades no que diz respeito à logística e aos meios, pois na área das decisões isso concerne ao trabalho dos magistrados, sendo essa actividade completamente independente da acção do Governo.
Mas quais os pontos que definiram como prioritários quando assumiram funções?
Penso que havia, desde logo, a noção de que algumas reformas legislativas seriam importantes, como é exemplo a matéria processual penal, a nível da garantia dos direitos dos cidadãos em matéria penal, de forma a combater o crime em novas áreas. Também entendemos como decisivo efectuar mudanças na simplificação processual, no âmbito da própria acção executiva, onde havia estrangulamentos enormes. De forma concertada com as restantes tutelas do Governo, considerámos importante fazer uma alteração orgânica dos diferentes serviços, para que melhor pudessem responder aos desafios que lançámos, fazendo em simultâneo uma reestruturação financeira do Ministério, para permitir resolver novos problemas, o que nos leva, por exemplo, a ter hoje um novo regime de apoio judiciário para o acesso ao direito por parte dos cidadãos, e também um novo regime de financiamento da Justiça. Digamos talvez que tenham sido estes os pontos mais relevantes das nossas intervenções prioritárias.
Pelas suas palavras pode concluir-se que a Justiça hoje está melhor do que há dois anos…
O balanço final só o Ministro da Justiça o pode fazer. Mas é verdade que já houve oportunidade de registar resultados positivos na melhoria do funcionamento do sistema judicial. Hoje, temos soluções informáticas a funcionar melhor nos tribunais, que permitem maior agilidade, temos sistemas de gravação digital de audiências que não existiam há dois anos, descongestionámos os tribunais, a ponto de termos conseguido, pela primeira vez nos últimos dez anos, parar e até reduzir o número de entradas de processos nos tribunais. Falo de valores que vinham a crescer exponencialmente ao longo dos últimos anos, constituindo esses dados uma referência para esse balanço extremamente positivo.
Apesar de todas as intervenções que efectuaram, a verdade é que os cidadãos continuam a queixar-se da morosidade dos processos judiciais. O que se pode fazer para romper definitivamente com esta realidade?
A morosidade e a complexidade do sistema de Justiça são referidas como as principais causas do estrangulamento dos tribunais. Mas é bom lembrar que a Justiça é sempre o último recurso por parte dos cidadãos. As pessoas só chegam à Justiça quando não foi possível estabelecer acordos, ou quando prevaricaram nas suas acções. Por isso, o sistema de Justiça não pode ser simples, sob pena de se transformar num sistema meramente autoritário, quase policial, em que as decisões são tomadas “na hora”. A ponderação e a necessidade de procedimentos, que para muitas pessoas são longos, também correspondem a uma garantia para os próprios cidadãos. Se eu estiver na posição de autor quero que o sistema ande depressa, mas se estiver na posição de réu quero ter a oportunidade de me defender. A oportunidade para a defesa também é conferida pelos prazos: prazos para contestar, para interpor recurso e, naturalmente, prazos para se efectuarem julgamentos e para os magistrados poderem decidir, produzir a prova, etc. Se pensarmos nisto, percebemos que é sempre exigível tempo. O que sabemos é que se houver poucos processos nos tribunais, tudo isto se pode fazer rapidamente. Mas a verdade é que nos últimos anos o número de processos que deram entrada nos tribunais aumentou muito, porque a sociedade também se transformou e hoje, por exemplo, há milhares de processos de divórcios, algo que há 30 anos não existia, muitas vezes associados a questões do âmbito dos tribunais de família e de menores, sempre que está em causa a tutela de uma criança.
Há também uma maior democratização da Justiça…
É um facto que hoje há um maior acesso à Justiça. As pessoas reivindicam mais a defesa dos seus direitos, e isso vê-se no número de processos interpostos contra as instituições públicas. Há uns anos atrás, havia seis a oito mil processos nesta área e hoje são muitos mais. E porquê? Porque os cidadãos exigem e recorrem aos tribunais para defender os seus direitos. A vida comercial também aumentou exponencialmente. Os litígios resultantes das cobranças de dívidas multiplicaram-se. É claro que, associados à evolução da sociedade, surgiram novos tipo de crimes, como os que resultam da internacionalização da sociedade, ou seja crimes transfronteiriços, criminalidade organizada, novos fenómenos associados às novas tecnologias e à actividade comercial existente no mundo virtual, entre outros. Destaco ainda a questão da maior facilidade da obtenção de créditos ao consumo e à aquisição de bens, os leasings para aquisição de automóveis, electrodomésticos, etc. São tudo matérias que trazem aos tribunais milhares de processos. Ora isto não acontecia há alguns anos atrás.
Justificava-se então um maior investimento na área judicial…
A verdade é que o Estado tem gasto cada vez mais com o sistema de Justiça. Os cidadãos também pagam para usar esse mesmo sistema, e o número de magistrados e funcionários tem acompanhado essa evolução, mas é verdade que importa fazer mais. O programa de descongestionamento dos tribunais – que já introduzimos – visa criar-lhes soluções alternativas, ou retirar-lhes os conflitos que não tenham “dignidade” judicial. Mas também é verdade que não se pode dar o sinal de que o sistema judicial se retira da protecção dos cidadãos, pelo que tudo isto tem de ser feito de forma equilibrada.
Parece que, ainda assim, falta concretizar uma grande reforma…
Essa grande reforma já está a ser preparada e passa pela criação de um novo modelo de gestão dos tribunais e de distribuição de competências judiciais no território em moldes diferentes dos actuais. Falo da reforma que o Governo tem prevista para a segunda parte da legislatura, ou seja, a criação do famoso Novo Mapa Judiciário Português.
O que se tem feito, ao longo dos últimos anos, têm sido retalhos e remendos numa estrutura que assenta numa visão do século XIX. Quando tudo mudou, o que se fez na Justiça foi apenas criar novas infra-estruturas, adquirir novos equipamentos, mas tudo assente no mesmo sistema que vigora há séculos. Para dar um exemplo: a maior parte dos tribunais não tem, ainda hoje, um serviço de atendimento ao público que recolha os pedidos e que informe, num local só, todos os cidadãos do estado dos seus processos. Continuamos a obrigar as pessoas a percorrer o tribunal, o que já não acontece na maior parte dos serviços públicos. Como exemplo disso, veja-se o caso das autarquias que já conseguiram criar modernas condições de acolhimento, atendimento e organização, mais próximas do cidadão. O sistema de Justiça viveu muitos anos fechado, com a sua tal complexidade, crescendo sob si próprio sem se abrir à comunidade de um modo mais moderno.
Portanto, criar novos espaços de atendimento integrado, como fizemos em modelo experimental no novo Tribunal do Trabalho de Lisboa, e também na Amadora, é uma realidade para desenvolver noutros pontos do país. A eliminação da maior parte do papel, desmaterializando o funcionamento dos tribunais, também já está em curso. Nesse sentido, com o novo modelo de gestão e com uma reorganização diferente, que dê mais especialização e que crie uma Justiça de proximidade com mais qualidade, penso que está encontrado o caminho para atingir as metas que pretendemos alcançar.
Depois do trabalho feito pelo Observatório Permanente da Justiça, já há novidades em relação ao novo mapa judiciário, especialmente no que à Área Metropolitana de Lisboa diz respeito?
Estão ainda a ser feitos estudos complementares e há um grupo de trabalho do Ministério da Justiça que envolve os mais diferentes operadores judiciários, de forma a preparar todas as alterações legislativas necessárias, acautelando também os aspectos mais práticos, pois sabemos que esta reforma terá impactos significativos em todo o território. O que já se assentou é que, basicamente, iremos reconfigurar as actuais comarcas, que actualmente têm uma jurisdição que abarca um ou dois concelhos, consoante os casos. Sabemos que têm um modelo de gestão muito atomizado, dividido pelo País, onde os secretários reportam à Direcção-Geral da Administração da Justiça e onde os juízes presidentes dos tribunais não têm uma intervenção muito significativa na gestão dos tribunais, ou no fluxo processual de cada comarca.
Pretendemos criar uma circunscrição mais vasta, que possa assentar nas novas unidades territoriais (NUT III), que hoje já são muito utilizadas nos modelos de gestão do território (n.d.r.: a NUT III, onde Loures se insere, compreende ainda os concelhos da Amadora, Cascais, Lisboa, Odivelas, Oeiras, Sintra e Vila Franca de Xira). Nessa nova circunscrição, pretendemos criar tribunais especializados e, simultaneamente, definir um juiz presidente e um secretário que possam fazer a gestão dos meios humanos e materiais do seu próprio tribunal em moldes mais modernos, até porque só assim podemos estipular objectivos e exigir determinados resultados aos tribunais.
Mas as grandes áreas metropolitanas têm uma realidade muito própria, única no País…
Isto já está consensualizado à escala nacional, mas estamos a trabalhar os detalhes, que não são menos importantes. Por isso, não podemos anunciar muito mais. Contudo, é certo que, no que respeita às NUT III, as soluções a encontrar poderão ser um pouco diferentes, pois temos de ter em conta a escala da dimensão populacional e a especificidade das próprias áreas urbanas. Vai ser difícil ter um único tribunal que corresponda a uma área desta dimensão. A solução passará por dividir as áreas metropolitanas num conjunto de pontos de referência, que sejam também novas circunscrições enquanto tribunais. Onde e como, ainda não está definido. O que vamos ter em conta, com toda a certeza, é a qualidade das instalações já existentes, os fluxos populacionais, ou a facilidade de acesso aos equipamentos. No que respeita à Área Metropolitana de Lisboa, o que acontecerá será provavelmente uma divisão em função dos tribunais actualmente existentes, de modo a poder configurar soluções de oferta de Justiça que sejam melhores do que as actuais. Concretamente em relação ao concelho de Loures, a oferta em termos de Justiça é, pode dizer-se, completa, relativamente ao que hoje o sistema oferece. Está apenas por concretizar a instalação de um Juízo de Execução, que até já está criado, mas tudo o resto já existe. Pensamos que até final de 2007 esse juízo será instalado. Mas poderá haver uma reorganização dos serviços existentes no que é hoje a comarca de Loures, não esquecendo que no concelho temos também equipas de reinserção social, que são estruturas complementares ao funcionamento do próprio tribunal, e que procuram responder às necessidades existentes.
Com as boas condições que o Palácio da Justiça de Loures oferece, o futuro parece estar assegurado no que respeita aos serviços judiciais prestados aos cidadãos…
Isto não é nenhuma promessa, mas obviamente, e usando uma linguagem um pouco mais lata, Loures continuará sempre a ser um pólo de Justiça no conjunto da Área Metropolitana de Lisboa. Esta noção permitirá até, talvez, responder a um problema existente, que passa pela dispersão de serviços judiciais na cidade, nomeadamente no que se refere ao Tribunal de Pequena Instância Criminal. Com essa reconfiguração, haverá uma arrumação de modo a ter todos os serviços no mesmo local, com vista à melhoria da qualidade de atendimento dos cidadãos.
O projecto da criação dos “Campus de Justiça”, locais que centralizem todos os serviços da área da Justiça e dos registos, é há muito ansiado por todos. Em Loures, além da Pequena Instância, as conservatórias também se encontram dispersas. Será possível concretizar a concentração de todos estes serviços?
É um processo que está em marcha por todo o país e que facilita a vida a todos os cidadãos, aos profissionais da área da Justiça e, é claro, ao Ministério. Contudo, temos de ter noção das prioridades e dos custos de tal operação. Em Loures, a lógica será transferir o que está “fora” para dentro do Palácio da Justiça, sempre tendo em atenção as realidades paralelas da Área Metropolitana de Lisboa. Isso irá permitir uma nova configuração dos serviços.
Difícil é pensar na construção de novas instalações judiciais. Nesta área, temos de valorizar as instalações existentes e, paralelamente, procurar resolver alguns problemas no País onde existam instalações degradadas, sem as mínimas condições de trabalho e de atendimento à população. Felizmente não é esse o caso de Loures.
Apesar de todas as reformas em curso, admite que muito ainda há a fazer no que respeita à modernização administrativa, especialmente no que se refere ao parque informático à disposição dos Oficiais de Justiça…
O trabalho que é feito pelos oficiais de Justiça é fundamental e passa muito por eles o bom funcionamento dos tribunais. O facto de disporem de boas condições de trabalho facilita muito a eficiência de todo o sistema. Estamos em franco processo de substituição do parque informático, posso dizer que já o fizemos em mais de 70 tribunais, e estou a falar de tribunais de primeira instância, e o que posso dizer é que vamos continuar a fazer esse esforço de investimento ao longo deste ano, onde iremos gastar qualquer coisa como dez milhões de euros, um valor que já é significativo.
Mas essa modernização passa ainda pela instalação de uma nova tecnologia que, não só facilitará o trabalho dos oficiais de Justiça, como tornará os serviços dos tribunais muito mais céleres. Falo da substituição do sistema de cassetes usado para a gravação dos julgamentos, que hoje em dia já ninguém utiliza sem ser os tribunais, e que causa graves constrangimentos, que passam por vezes pela possibilidade da utilização, por parte dos advogados, da alegação da não-validade do julgamento e sua posterior repetição. Iniciámos no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa, o novo sistema de gravação em CD ROM, que permite uma rápida gravação da audiência e o posterior envio do ficheiro por correio electrónico, sendo que o sistema permite também a gravação em vídeo. Esse equipamento está agora a ser instalado em diversos tribunais, sendo nossa meta, até final de 2008, alcançar mais de 200 tribunais com este novo equipamento de gravação. O Tribunal de Loures vai ser um dos que, ainda este ano, serão contemplados. Penso que será uma mais-valia, especialmente em matéria de crime, e acredito que esta é também uma aposta numa ideia de tribunal que aposta nos seus recursos humanos.
Gostaria também de destacar a nossa aposta em matéria de formação profissional dos oficiais de Justiça, formação essa que este ano vai ser alargada. Falo de formação na área da informática, mas também formação no que concerne ao tratamento dos próprios processos e, mais importante, formação para a introdução de um novo sistema de controlo financeiro dos tribunais. Neste momento, com os tribunais todos ligados em rede à Direcção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ), entidade responsável pela logística do sistema, temos uma visão integrada do funcionamento dos tribunais, das suas necessidades e das respostas que precisam de ser dadas. O que acontece é que há uma maior autonomia na gestão dos tribunais, deixando para a DGAJ apenas as responsabilidades de maior vulto a nível da aquisição de equipamentos e material.
Há dois anos, quando chegámos, era a confusão total nesta matéria, com diversos técnicos a trabalhar em simultâneo. Quando assim é, torna-se difícil apurar responsabilidades. Hoje “separámos as águas” e há uma maior clareza acerca das responsabilidades da gestão do Tribunal e dos investimentos de maior impacto. Nesse aspecto, houve também uma melhoria significativa.
Por último, quais as medidas que ainda gostaria de ver implementadas para que esta legislatura seja por si considerada um sucesso?
Julgo que com a concretização de toda a simplificação administrativa, com a melhoria do funcionamento do sistema judicial, com as alterações que estamos a fazer na melhoria do sistema prisional e na rede de centros educativos da área de reinserção social, além da reforma do mapa judicial, que decorre em “velocidade cruzeiro”, penso estarem reunidas condições para que este mandato, que de momento ainda está a meio, seja um sucesso.
Julgados de Paz
“Apontamos para um alargamento da rede”
A criação dos julgados de Paz poderá ser a solução para parte dos problemas existentes?
A oferta do sistema judicial assenta em várias vertentes. Nos tribunais clássicos, na rede existente dos julgados de Paz e hoje também em diferentes esquemas alternativos de resolução de litígios, que passam pela criação de soluções de mediação. Embora esta área não esteja sob a minha responsabilidade directa, posso adiantar que é intenção do Governo alargar essa rede de estruturas de mediação. Nesse sentido, foi já aprovada a mediação laboral para resolver conflitos de trabalho, que assim não terão de passar pelo Tribunal. Também já foi aprovado, em Conselho de Ministros, o novo regime de mediação penal, e também apontamos para um alargamento da rede de julgados de Paz, com base nas suas actuais competências, o que permitirá a criação de mais uma solução de oferta para resolver pequenos litígios em áreas que dizem respeito ao dia-a-dia das pessoas, como questões do direito de propriedade, condomínios, contratos de pequena importância, entre outros. Especialmente em zonas de forte densidade populacional, como é o caso de Loures, esta é uma solução muito válida.
Herdámos uma rede de julgados de Paz, que já alargámos a concelhos em que havia protocolo estabelecido com as respectivas câmaras municipais, e fizemos já o estudo do alargamento da rede a outros, embora nesta matéria tenhamos de articular as decisões com o projecto do novo Mapa Judicial, de forma a que ambas as redes tenham coerência, e para que não haja sobreposição de serviços. Mas penso que continua a ser uma solução com viabilidade, e que pode vir a ser ajustada a alguns municípios que tenham características adaptáveis à lógica que preside aos julgados de Paz.
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Instituto Superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais
“Fizemos uma forte aposta na investigação criminal”
Que importância atribui o Ministério à formação dos agentes da Polícia Judiciária, que têm a sua escola em Loures, nomeadamente no que se refere à qualidade e eficiência da investigação criminal?
A qualidade da investigação criminal é fundamental, quer para se obterem condenações, quer para se chegar ao absolvimento dos inocentes. O Ministério da Justiça tem a tutela da Polícia Judiciária (PJ), que é aliás um dos seus organismos mais importantes. Trata-se de uma força que tem por missão fazer a investigação criminal, com autonomia técnica e táctica, sob coordenação do Ministério Público. Da nossa parte, há um grande empenho em ter uma polícia competente, eficaz, digna. Isso tem-se traduzido no reforço dos meios e na própria reorganização interna da PJ, o que já tem vindo a ocorrer ao longo destes dois anos. Reforçámos os meios materiais e adquirimos os meios tecnológicos mais avançados para a investigação criminal, com um reforço do orçamento disponível para esta instituição.
Prova disso mesmo, está neste momento em curso o recrutamento de novos inspectores, algo que não acontecia há muitos anos. Isso significa uma aposta forte na investigação criminal.
É claro que esse recrutamento vai pressupor um investimento na formação especializada e de qualidade, formação essa que tem sede em Loures, no Instituto Superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais.
E que deve ser contínua e de acordo com normas europeias, segundo se sabe…
A formação não pode passar apenas pelos novos agentes. Tem de ser uma formação avançada, contínua, que se vai fazendo com qualidade, alicerçada também na cooperação internacional, que é cada vez mais, nos dias de hoje, determinante para o sucesso da investigação. Por isso, a Polícia Judiciária está coordenada com as principais polícias da Europa e do mundo, através da Europol e da Interpol. Também a esse nível, a PJ faz formação especializada.
Estamos fortemente empenhados em ter uma estrutura da PJ que seja adaptada às novas formas de criminalidade. Tal significará, como o Ministro da Justiça já teve ocasião de anunciar, uma alteração orgânica da instituição, que melhorará assim a sua disposição no terreno, permitindo uma maior repartição dos recursos humanos da área da investigação, concentrando a investigação da criminalidade “menos importante” e menos especializada nas Direcções Regionais. Conseguiremos assim distribuir essa investigação pelo território, concentrando em unidades nacionais áreas mais sensíveis como combate à corrupção, fraude fiscal, crimes económicos ou terrorismo, usando para isso tecnologia da informação que exige uma elevada formação.
O que antes acontecia é que havia uma grande dispersão de meios em unidades departamentais, que necessitavam de muito pessoal administrativo. Hoje esse trabalho pode ser mais centralizado, por exemplo em áreas de apoio logístico. Podemos, assim, ter mais inspectores com maior formação nas mais diversas áreas. |
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