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LOURES MUNICIPAL Nº10
 
Opinião
Caracterização Socio-Económica
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Caracterização Socio-Económica
Um concelho [de] com tradições

Estudar e perceber o concelho de Loures é uma tarefa complexa e morosa. Dos naturais saloios até aos recentes moradores provenientes das sucessivas vagas de imigração e migração, muitos encontraram aqui o local ideal para reiniciar uma nova vida. Um concelho onde as tradições ainda são defendidas, mas onde as contradições, essencialmente sociais, também são evidentes.


Quais as semelhanças das estruturas sociais e económicas de Lousa e Moscavide? Poucas ou nenhumas. No entanto, fazem parte do mesmo concelho e merecem igual atenção por parte do organismo que gere todo o território. A Câmara Municipal de Loures, através da Divisão de Actividades Económicas, tem como objectivo a criação de uma plataforma generalista, assente na criação de sinergias e parcerias, tudo isto trabalhando numa gestão transversal de uma “moeda” com duas faces muito distintas.
Traçando uma imaginária e pouco rectilínea linha divisória de norte a sul, encontramos primeiro as freguesias de Santo Antão do Tojal, Fanhões, Frielas, São Julião do Tojal, Lousa e Bucelas que encerram em si mesmas uma imagem de ruralidade, apenas esbatida com as modernas redes viárias construídas nos últimos anos e com o crescimento moderado do sector terciário.

Embora o abandono do sector primário seja uma realidade, também é verdade que Loures se continua a assumir como um enorme centro de produção e venda de produtos hortícolas, os mesmos que durante séculos deram fama a esta terra. Prova disso foi a escolha de Loures para a localização do Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL), na freguesia de São Julião do Tojal.

Não descurando essa premissa, não deixa de ser relevante que apenas a cultura vitivinícola da região de Bucelas tenha ganho terreno à fuga em massa das gentes das terras. Prova evidente disso mesmo é dada pela frieza dos números: à entrada do século XXI, este sector tem o peso residual de apenas um por cento na actividade económica do concelho.

Seguindo para sul, encontram-se duas freguesias que servem de zona de transição entre a ruralidade a norte e a industrialização a oriente: Loures e Santo António dos Cavaleiros. Com mais de 50 mil habitantes entre as suas fronteiras, estas duas freguesias suportam 25 por cento da população concelhia. No caso de Loures, o sector terciário é o mais predominante, muito tendo contribuído para isso o facto de ser a sede do concelho e, por consequência, albergar a maior parte dos serviços municipais e estatais.

Quanto a Santo António dos Cavaleiros, continua a ser um importante pólo habitacional onde muitas pessoas ainda encontram na capital o seu posto de trabalho, embora essa realidade tenha vindo a diminuir nos últimos anos.

Mas as contradições de que anteriormente se falou são evidentes a oriente. Toda a faixa que vai de Moscavide a Santa Iria de Azóia, englobando as freguesias de Sacavém, Portela, Unhos, Camarate, Apelação, Prior Velho, Bobadela e São João da Talha, é uma área predominantemente industrializada, onde se situam as maiores empresas do concelho. Para aí se dirigiram milhares de pessoas que participaram nas enormes migrações dos anos 50, 60 e 70 e que, juntamente com a vinda dos portugueses das ex-colónias e com o último fluxo de imigração de populações sobretudo africanas, encontraram nesta faixa à beira-Tejo um espaço de acolhimento que originou, entre outros factores, o nascimento e consolidação das enormes áreas urbanas de génese ilegal que marcam a paisagem da Área Metropolitana de Lisboa no último quartel do século XX.

Contudo, embora algumas das grandes empresas nacionais tenham a sede ou os principais centros de operação no concelho de Loures, continuam a ser as micro-empresas a dominar o cenário da economia do concelho. As áreas da restauração, comércio e construção civil são as dominantes nesta matéria. É de destacar o facto de na década de 90 ter havido um enorme crescimento quantitativo do número de empresas. Tal facto deve-se, em grande parte, ao crescimento quantitativo da população nos últimos trinta anos, o que faz de Loures um dos concelhos mais jovens do País, factor vital para o crescimento das actividades económicas num determinado território.

Com o advento do sector terciário no Portugal democrático, o concelho de Loures também seguiu essa linha de crescimento, ao ponto de ele representar 85 por cento das actividades económicas concelhias. Seguindo uma lógica de descentralização, muitas empresas pensam agora deslocalizar as suas instalações para os concelhos limítrofes das grandes cidades, encontrando-se aí uma das grandes vantagens deste concelho.

Estrategicamente localizado entre a cidade de Lisboa e o Norte do país, o concelho de Loures é servido por algumas das mais importantes e estratégicas vias de comunicação rodoviária (A1, A8, Eixo Norte-Sul, Ponte Vasco da Gama, CREL, CRIL), ferroviária (Linha do Norte, terminal de mercadorias da Bobadela) e aérea (Aeroporto da Portela). Se a isto juntarmos a proximidade física do Porto de Lisboa e do terminal TIR de Alverca do Ribatejo, entende-se o porquê da enorme necessidade de equilíbrio que se deve estabelecer entre a evidente e óbvia procura deste espaço por parte dos empresários, e a necessidade de harmonizar e humanizar o território, garantindo qualidade de vida a todos quantos o habitam.

Num período em que as expressões “globalização”, “internacionalização” e “choque de civilizações” estão tão enraizadas, Loures acompanha há muito essa realidade. O intenso trabalho de reinserção social e apoio à educação efectuado nos últimos anos legitima as esperanças de ver nesta terra um concelho com uma actividade empresarial ambientalmente saudável, devidamente localizada com a orientação do Plano Director Municipal, geradora e promotora de uma força de trabalho qualificada, capaz de gerar riqueza para ser aplicada no bem comum.