Caracterização Socio-Económica
Um concelho [de]
com tradições
Estudar
e perceber o concelho de Loures é uma tarefa complexa e morosa.
Dos naturais saloios até aos recentes moradores provenientes
das sucessivas vagas de imigração e migração,
muitos encontraram aqui o local ideal para reiniciar uma nova vida.
Um concelho onde as tradições ainda são defendidas,
mas onde as contradições, essencialmente sociais,
também são evidentes.
Quais as semelhanças das estruturas sociais e económicas
de Lousa e Moscavide? Poucas ou nenhumas. No entanto, fazem parte
do mesmo concelho e merecem igual atenção por parte
do organismo que gere todo o território. A Câmara Municipal
de Loures, através da Divisão de Actividades Económicas,
tem como objectivo a criação de uma plataforma generalista,
assente na criação de sinergias e parcerias, tudo
isto trabalhando numa gestão transversal de uma “moeda”
com duas faces muito distintas.
Traçando uma imaginária e pouco rectilínea
linha divisória de norte a sul, encontramos primeiro as freguesias
de Santo Antão do Tojal, Fanhões, Frielas, São
Julião do Tojal, Lousa e Bucelas que encerram em si mesmas
uma imagem de ruralidade, apenas esbatida com as modernas redes
viárias construídas nos últimos anos e com
o crescimento moderado do sector terciário.
Embora o abandono do sector primário seja uma realidade,
também é verdade que Loures se continua a assumir
como um enorme centro de produção e venda de produtos
hortícolas, os mesmos que durante séculos deram fama
a esta terra. Prova disso foi a escolha de Loures para a localização
do Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL), na freguesia
de São Julião do Tojal.
Não
descurando essa premissa, não deixa de ser relevante que
apenas a cultura vitivinícola da região de Bucelas
tenha ganho terreno à fuga em massa das gentes das terras.
Prova evidente disso mesmo é dada pela frieza dos números:
à entrada do século XXI, este sector tem o peso residual
de apenas um por cento na actividade económica do concelho.
Seguindo para sul, encontram-se duas freguesias que servem de zona
de transição entre a ruralidade a norte e a industrialização
a oriente: Loures e Santo António dos Cavaleiros. Com mais
de 50 mil habitantes entre as suas fronteiras, estas duas freguesias
suportam 25 por cento da população concelhia. No caso
de Loures, o sector terciário é o mais predominante,
muito tendo contribuído para isso o facto de ser a sede do
concelho e, por consequência, albergar a maior parte dos serviços
municipais e estatais.
Quanto a Santo António dos Cavaleiros, continua a ser um
importante pólo habitacional onde muitas pessoas ainda encontram
na capital o seu posto de trabalho, embora essa realidade tenha
vindo a diminuir nos últimos anos.
Mas as contradições de que anteriormente se falou
são evidentes a oriente. Toda a faixa que vai de Moscavide
a Santa Iria de Azóia, englobando as freguesias de Sacavém,
Portela, Unhos, Camarate, Apelação, Prior Velho, Bobadela
e São João da Talha, é uma área predominantemente
industrializada, onde se situam as maiores empresas do concelho.
Para aí se dirigiram milhares de pessoas que participaram
nas enormes migrações dos anos 50, 60 e 70 e que,
juntamente com a vinda dos portugueses das ex-colónias e
com o último fluxo de imigração de populações
sobretudo africanas, encontraram nesta faixa à beira-Tejo
um espaço de acolhimento que originou, entre outros factores,
o nascimento e consolidação das enormes áreas
urbanas de génese ilegal que marcam a paisagem da Área
Metropolitana de Lisboa no último quartel do século
XX.
Contudo, embora algumas das grandes empresas nacionais tenham a
sede ou os principais centros de operação no concelho
de Loures, continuam a ser as micro-empresas a dominar o cenário
da economia do concelho. As áreas da restauração,
comércio e construção civil são as dominantes
nesta matéria. É de destacar o facto de na década
de 90 ter havido um enorme crescimento quantitativo do número
de empresas. Tal facto deve-se, em grande parte, ao crescimento
quantitativo da população nos últimos trinta
anos, o que faz de Loures um dos concelhos mais jovens do País,
factor vital para o crescimento das actividades económicas
num determinado território.
Com o advento do sector terciário no Portugal democrático,
o concelho de Loures também seguiu essa linha de crescimento,
ao ponto de ele representar 85 por cento das actividades económicas
concelhias. Seguindo uma lógica de descentralização,
muitas empresas pensam agora deslocalizar as suas instalações
para os concelhos limítrofes das grandes cidades, encontrando-se
aí uma das grandes vantagens deste concelho.
Estrategicamente localizado entre a cidade de Lisboa e o Norte
do país, o concelho de Loures é servido por algumas
das mais importantes e estratégicas vias de comunicação
rodoviária (A1, A8, Eixo Norte-Sul, Ponte Vasco da Gama,
CREL, CRIL), ferroviária (Linha do Norte, terminal de mercadorias
da Bobadela) e aérea (Aeroporto da Portela). Se a isto juntarmos
a proximidade física do Porto de Lisboa e do terminal TIR
de Alverca do Ribatejo, entende-se o porquê da enorme necessidade
de equilíbrio que se deve estabelecer entre a evidente e
óbvia procura deste espaço por parte dos empresários,
e a necessidade de harmonizar e humanizar o território, garantindo
qualidade de vida a todos quantos o habitam.
Num período em que as expressões “globalização”,
“internacionalização” e “choque
de civilizações” estão tão enraizadas,
Loures acompanha há muito essa realidade. O intenso trabalho
de reinserção social e apoio à educação
efectuado nos últimos anos legitima as esperanças
de ver nesta terra um concelho com uma actividade empresarial ambientalmente
saudável, devidamente localizada com a orientação
do Plano Director Municipal, geradora e promotora de uma força
de trabalho qualificada, capaz de gerar riqueza para ser aplicada
no bem comum.
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