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As
Linhas de Torres em Loures
O
secretismo e o esforço na construção das Linhas
A
Literatura de Cordel
A
Recuperação das Linhas de Torres
Glossário |
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As Linhas
de Torres em Loures
O
conjunto patrimonial, composto por mais de uma centena de obras militares,
designado como Linhas de Defesa de Lisboa, ou também como
Linhas de Torres Vedras, tinha como objectivo defender a capital.
A estratégia delineada para a defesa da cidade de Lisboa
deveria considerar várias frentes: a protecção
da costa Atlântica e do estuário do rio Tejo;
acautelar as principais vias de comunicação de acesso
à capital.
Existem no concelho de Loures vários exemplares deste sistema
militar defensivo, deste os Fortins de pequena dimensão,
redutos, baterias, escarpamentos e troços de estradas militares.
Do total das dezoito fortificações,
duas delas pertencem à 1.ª Linha e as restantes à
2.ª, procurando estas defender o possível avanço
sobre a capital, usando as vias que cruzavam os desfiladeiros de
Bucelas, Freixial e Montachique.
Ao nível da arquitectura militar, estamos perante um conjunto
que aplica, ao sistema da fortificação moderna abaluartada,
o conceito de linha, fortemente arraigada à topografia da
região. Adaptando o conceito de fortificação
abaluartada, Fortes e Redutos apresentam, de forma geral,
planta poligonal, sendo circundados por fosso seco, na sua totalidade,
ou nos locais de maior facilidade de acesso.
As técnicas construtivas variam de acordo com o local onde
se inserem. Assim, alguns deles apresentam um aparelho em pedra,
outros associam à pedra a terra, outros ainda são
escavados na rocha, especialmente onde esta é mais branda,
caso do saibro.
Independentemente de cada Forte ou Reduto possuir as suas particularidades,
teoricamente todos seguiam um esquema. Em perfil, uma praça
abaluartada poderá ser composta pelos seguintes elementos,
do interior para o exterior: a esplanada, o reparo (escarpa interior,
terrapleno, banqueta, parapeito, que pode ter ou não o cordão),
o fosso (berma, escarpa, cuneta, contra-escarpa), o caminho coberto,
a banqueta, a paliçada e a esplanada exterior.
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O secretismo
e o esforço na construção das Linhas |
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Compreender
o esforço de guerra, e da arquitectura deste sistema defensivo
em particular, implica a apreensão de um fenómeno
complexo que engloba toda a sociedade, na medida em esta intervém
na várias acções de conflito, sofre as suas
consequências e refaz a paz.
No mais absoluto segredo e com o auxílio das populações,
foram edificadas quatro linhas, enraizadas nas condições
naturais que circundam a cidade de Lisboa, formando uma barreira
delimitada pelo oceano e pelo rio Tejo, complementadas com baterias
flutuantes fundeadas no Tejo e junto à costa Atlântica.
Participaram na sua obra mais de 150 000 camponeses,
recrutados ao longo de um ano, tendo deixado para trás as
suas tarefas agrícolas e os seus parcos bens. Com efeito,
a política de terra queimada associada à construção
das Linhas exigiu um esforço suplementar àqueles
que, após a primeira Invasão Francesa, viram as suas
terras de cultivo e casas devassadas. O êxodo maciço
da população que foi forçado a viver a sul
das Linhas envolveu cerca de 200 000 pessoas. O secretismo foi mantido
sob ameaça de enforcamento, mas seguramente também
pela necessidade de afastar o temor de uma nova investida das tropas
napoleónicas.
As
equipas trabalhavam em grupos de 1000 a 1500 homens, coordenados
por um oficial engenheiro inglês e 150 capatazes. As várias
fortificações foram ocupadas por 25 000 milícias
e 11 000 ordenanças portuguesas, 8 000 espanhóis e
2 500 fuzileiros navais e artilheiros ingleses. Como tropas regulares
Wellington dispunha de 34 000 britânicos e de 24 500 soldados
portugueses, que atrás das Linhas estavam prontas a intervir.
1.ª Linha – abrangia uma extensão de
46 quilómetros, compreendia um conjunto de fortificações que
se entendia deste Alhandra, junto ao Tejo, até Torres Vedras,
junto à foz do Sizandro;
2.ª Linha – com uma frente de 13 quilómetros, que se estendia
deste a Póvoa de Santa Iria até Ribamar, em Mafra;
3.ª Linha – com uma extensão de 3 quilómetros,
constituía o perímetro defensivo da praia de embarque
do forte de S. Julião da Barra;
4.ª Linha – assente nos Altos de Almada, acautelava
uma possível penetração do inimigo vindo do
sul.
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A Literatura
de Cordel |
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Como
directa reacção às Invasões Francesas,
surgiu em Portugal um clima favorável ao aparecimento de
uma imprensa periódica, mais ou menos regular, numa época
em que a disputa pela opinião pública se tornou também
numa importante táctica de guerra.
A literatura de cordel, em prosa ou em verso, veio então
servir de pólo aglutinador de ideais e sentimentos nacionalistas,
tornando-se numa literatura de combate, que traduzia o ambiente conspirativo
que se vivia no País.
Com características subversivas e de intervenção
e com um discurso normalmente irónico, cáustico e
mordaz, os panfletos antifranceses foram, também eles, uma
arma eficaz na luta pela independência de Portugal. O humor
permitiu a universalização da mensagem, pois caricaturar,
escarnecer e ridicularizar descaradamente os inimigos, além
de dar um especial prazer aos escritores e, sobretudo, aos leitores, facilitava
também o contorno da censura e entrava na gíria
popular. Ainda hoje temos expressões populares que herdámos
desses inspirados tempos de sátira – o "ir para o Maneta" não
é mais que uma alusão ao terrível general francês
Loison (que perdeu a mão nas Campanhas de Itália),
temido e celebrizado pelos excessos de violência contra os
populares, como os terríveis massacres durante as operações
no Alentejo.
Os textos panfletários fizeram eco ao pensar e sentir do
povo, dando voz ao temor mas, sobretudo, à revolta do
País. Apesar das diferentes formas de abordagem na expressão
desse descontentamento, abarcaram, numa frente comum antifrancesa
e nacionalista, os ânimos da Nação, numa conjuntura
em que o poder da palavra manteve acesa a chama da esperança
e da luta.
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A Recuperação
das Linhas de Torres |
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Protocolo
de colaboração entre o Instituto Português do
Património Arquitectónico e as câmaras municipais
de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço,
Torres Vedras e Vila Franca de Xira, para a Salvaguarda, Protecção
e Valorização das Linhas de Torres
(...)
4 - Considerando o valor histórico, artístico,
arquitectónico e turístico das Linhas de Torres;
5 - Considerando o interesse conjunto das Câmaras
Municipais de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, sobral de Monte
Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira em desenvolver
um plano integrado de salvaguarda, conservação e valorização
do património incluído nas Linhas de Torres;
6 - Considerando o papel cometido ao Instituto
Português do Património Arquitectónico, enquanto
organismo da Administração Central responsável
pelo património arquitectónico, na política
de recuperação e valorização do património
nacional;
7 - Considerando a dimensão das áreas
de protecção legalmente geradas pela necessidade em
garantir a salvaguarda adequada aos diversos pólos patrimoniais
existentes nos concelhos envolvidos, entre outros;
(...)
9 - Considerando a necessidade de definir uma política
global e integrada que congregue os esforços visando a salvaguarda,
recuperação e valorização das Linhas
de Torres.
O Instituto Português do património Arquitectónico,
adiante designado por IPPAR, aqui representado pelo seu Presidente,
Dr. Luís Ferreira Calado e as Câmaras Municipais de
Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço,
Torres Vedras e Vila Franca de Xira, adiante designadas genericamente
por CM’s, aqui representadas pelos seus Presidentes, acordam
livremente e firmam reciprocamente o presente Protocolo, onde se
definem os modos de actuação e colaboração
a curto, médio e longo prazos, e que se rege pelas cláusulas
seguintes:
Cláusula 1.ª
O IPPAR e as CM’s envolvidas no presente protocolo reconhecem
que só através de um programa global, integrado e
concertado se poderão atingir resultados eficazes e favoráveis
visando a salvaguarda, recuperação e valorização
das Linhas de Torres;
Cláusula 2.ª
O presente protocolo tem como objectivo a salvaguarda, recuperação
e valorização das Linhas de Torres através
de acções concertadas e devidamente faseadas nomeadamente
quanto a:
salvaguarda do conjunto e dos sítios que o integram;
recuperação do conjunto e dos sítios que o
integram;
apresentação pública dos sítios que
vierem a ser seleccionados;
criação de condições para a salvaguarda
e requalificação urbana e paisagística nas
áreas de implantação do conjunto e dos sítios
que o integram.
(...)
Dezembro de 2001
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Glossário |
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ABATIZES
Obstáculo constituído por
grossos ramos de árvores fortemente ligados ao solo, com
as extremidades aguçadas na parte voltada para o inimigo.
BATERIA
Plataforma que serve para colocar alguns
exemplares de bocas de fogo de artilharia. Geralmente é coberta,
podendo ser do tipo barbeta, do tipo casamata, quando abobadada,
ou apresentar qualquer outro tipo de estrutura de cobertura. Pode
dar-se o nome de bateria às obras de fortificação
armadas com peças de artilharia, que podem fazer fogo a barbete,
ou em canhoneiras.
CANHONEIRAS
Intervalo entre os merlões de uma
fortificação abaluartada, para colocação
das bocas de fogo. Na sua fase final, podem apresentar-se com uma
configuração rectangular, sendo então designadas
por Troneiras.
CONTRA ESCARPA
Corresponde ao declive do fosso, oposto
à escarpa, localizando-se no topo o caminho coberto.
ESCARPA
Declive do reparo, dependendo da sua localização
na obra militar, pode ser designada como contra-escarpa, escarpa
interior ou escarpa exterior.
ESCARPAMENTO
Trata-se de um obstáculo artificial
que deve possuir uma inclinação mínima de 60º
a 70º, com talude superiormente consistente. Pode aproveitar
uma inclinação natural, apresentando um talude construído
artificialmente.
FORTE
Obra militar fortificada, de pequena dimensão,
isolada, que depende muitas vezes de uma praça principal,
podendo ser também autónoma. O mesmo que FORTIM.
FOSSO
Obra de escavação que rodeia
uma fortaleza, ou as zonas mais expostas da mesma, com o intuito
de dificultar a aproximação.
PAIOL
Local na fortificação que
se destina á armazenagem de explosivos ou munições,
segundo regulamentos preestabelecidos. Conforme a sua situação
em relação ao nível do solo, estes podem ser
paióis de superfície, paióis semi-enterrados
ou paióis enterrados.
PALIÇADA
Obra exterior destinada á defesa,
constituída por um conjunto de estacas cravadas verticalmente
no terreno, ligadas entre si, de modo a formarem uma estrutura firme.
Na fortificação abaluartada, a paliçada surge
normalmente implantada na banqueta do caminho coberto.
PARAPEITO
Muro de protecção, localizado
acima do reparo, com o objectivo de proteger os defensores do tiro
inimigo e com o declive suficiente para permitir a visibilidade
da linha da contra-escarpa.
PLATAFORMA
Infra-estrutura permanente ou temporária,
sobre a qual é colocada a boca de fogo, de modo a permitir
uma maior estabilidade na execução do tiro.
REPARO
Maciço de terra volumoso levantado
à volta da praça ou fortificação, normalmente
terra que resulta da escavação do fosso. Vulgarmente
é composto por escarpa-interior, terrapleno, banqueta, parapeito,
cordão e escarpa.
REDUTO
Pequena obra de planta quadrangular, num
baluarte ou revelim, outras vezes fora da esplanada, mas ainda ao
alcance do poder de fogo do caminho coberto da fortificação
abaluartada No caso do sistema defensivo das Linhas de Torres, aparece
muitas vezes isolado, no sentido de não estar associado a
um outro baluarte ou revelim.
O reduto também pode constituir uma obra de aproximação
dos sitiadores, apresentando com frequência quatro lados,
sem flancos.
REVELIM
Obra exterior da fortaleza abaluartada,
de planta triangular, cujo o objectivo é o de proteger as
portas e cortinas, podendo apresentar flancos.
TERRAPLENO
Corresponde à plataforma existente
no reparo, protegida pelo parapeito, para movimentação
das tropas e manobra das bocas de fogo.
TRINCHEIRA
Abrigo organizado mediante trabalho de escavação
para possibilitar a circulação das tropas e o tiro.
São escavadas a céu aberto e posteriormente cobertas,
ou são feitas em trabalhos de minas. Podem também
ser usadas num sentido inverso, ou seja, constituírem uma
obra de aproximação por parte dos sitiadores.
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