
Junta
Revolucionária de Loures*
Em pé
(da esquerda para a direita):
Jacinto Duarte,
José Joaquim Veiga,
Manuel Marques Raso,
Joaquim Augusto Dias
Sentados
(da esquerda para a direita):
António Rodrigues Ascenso,
Augusto Herculano Moreira Feio, José Paulo d’Oliveira
* Na foto não
se encontra
o oitavo elemento
da Junta Revolucionária: José Ferreira Cleto
|
Quando na madrugada do dia 4 de Outubro de 1910 se ouviu
na Calçada de Carriche o troar dos canhões,
para os republicanos de Loures era já a certeza do
derrube da monarquia.
No Centro Escolar Republicano, situado no Largo do Chafariz,
actual Largo 4 de Outubro, reúnem-se Augusto Moreira
Feio, farmacêutico; Manuel Marques Raso, padeiro; Jacinto
Duarte, operário da Câmara Municipal; José
Joaquim Veiga, escrivão das Finanças; Joaquim
Augusto Dias, comerciante; António Rodrigues Ascenso,
ourives e relojoeiro; José Paulo Oliveira, comerciante
e regedor; José Ferreira Cleto e outros cidadãos,
esperando o desenrolar dos acontecimentos.
Com a população reunida às 15 horas no Largo do Chafariz, os oito homens nomeados para
constituir a Junta Revolucionária saem do Centro e
dirigem-se aos Paços do Concelho na Rua Azevedo Coutinho,
actual Rua da República, n.º 70.
Ocupado o edifício, é hasteada, pela mão
de Joaquim Augusto Dias, uma bandeira com as cores republicanas – o verde e o vermelho. Junto ao estandarte improvisado, a Junta
Revolucionária declara, pela voz de Augusto Moreira
Feio, a implantação
da República em Loures: “Com os olhos da alma fitos na redenção
desta Querida Pátria, aviltada pela decrépita
e corrupta monarquia e aderindo entusiasticamente à
revolução republicana que então lavrava
em Lisboa, (...) resolveram tomar posse imediata das Repartições
Públicas do Concelho auxiliando, por este acto, a implantação
da República em Portugal, pela qual estava e estão
firmemente decididos a sacrificar até à última
gota de sangue.”
A ocupação da sede do poder monárquico
continua até ao final dos acontecimentos em Lisboa
e com a posterior confirmação da vitória
do movimento revolucionário, não se registando
qualquer perturbação da ordem pública no concelho .
No dia 13 de Outubro de 1910 toma posse uma Comissão
Administrativa provisória, nomeada por aclamação e pelos respectivos
delegados paroquiais no dia 7 do mesmo mês, composta
por Augusto Herculano Moreira Feio, presidente, José Pedro
Lourenço, Manuel Marques Raso, Júlio Camilo
Alves, vice-presidente, Jaime Manuel dos Santos, Tiago da
Silva Santos e Francisco Maria Borges.
Em 29 de Novembro é nomeada pelo governador civil,
Eusébio Leão, a Comissão Municipal do
Concelho de Loures, que absorve alguns membros da Junta
Revolucionária, ocupando os restantes posições
no próprio aparelho administrativo e na organização
do Partido Republicano.
(In “Loures na Memória
da República”) |