| Protecção Civil
Missão:
proteger
os cidadãos
A Protecção Civil tem
como missão prevenir
os riscos colectivos inerentes
a situações de acidente
grave, catástrofe
ou calamidade.
Sejam incêndios, inundações,
sismos, situações de seca,
ondas de calor, acidentes
domésticos ou industriais,
esta entidade tem
uma importância
preponderante tanto
na sua prevenção, como
na atenuação dos seus efeitos.
Em Loures, esta realidade não é excepção,
e o Serviço Municipal de Protecção Civil (SMPC) é um dos que, com rigor, trabalho e dedicação,
elaboram com detalhe planos de emergência
e outras acções de prevenção, de modo a estar
preparado para fazer face a qualquer tipo de
ocorrência.
Mas o papel da Protecção Civil não se
esgota aqui. Para além da análise constante
das vulnerabilidades perante situações
de risco causadas pela acção do Homem ou
da Natureza, da prestação de socorro e de assistência às pessoas em perigo e da inventariação
dos recursos e meios disponíveis mais
facilmente mobilizáveis, a informação e formação
das populações, visando a sua sensibilização
e colaboração com as autoridades, é uma das actividades com maior incidêncno trabalho da Protecção Civil. A constante
preocupação com o facto de cada cidadão ter
de desenvolver comportamentos de auto-protecção
adaptados à vida actual, e a vontade
de os ajudar a conhecer e a adoptar medidas
preventivas e procedimentos adequados,
tornou-se já uma missão para o SMPC.
Para que o bom funcionamento desta organização
seja permanente, a reunião de sinergias é factor fundamental. A Protecção Civil
não trabalha sozinha: os bombeiros, as forças
de segurança, os escuteiros, os radioamadores,
os sapadores florestais, as autoridades de
saúde, marítimas e aeronáuticas, as instituições
de segurança social, os serviços de telecomunicações,
entre outros organismos, têm
uma importância determinante nos domínios
do aviso, alerta, intervenção, apoio e socorro.
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Planos especiais
Prédios Urbanos -
Construções em altura
podem ser problema
O concelho de Loures, apesar de possuir
largas extensões de zonas verdes, também se
caracteriza por ter áreas densamente urbanizadas.
Santo António dos Cavaleiros é um exemplo
de freguesia em que as torres proliferam,
algumas delas ultrapassando os 28 metros de
altura, limite normal das escadas utilizadas
pelos corpos de bombeiros. O principal problema
reside em saber como contornar situações
de emergência e superá-las da melhor forma.
Os bombeiros têm, por isso, recorrido a simulacros,
de modo a analisarem as falhas surgidas
e encontrarem soluções.
É importante que os moradores verifiquem
ou instalem extintores e sirenes de incêndio, e
divulguem ao SMPC a localização das acessibilidades
do prédio, a planta, contactos dos
administradores e o número de moradores por
fracção. Pormenores que podem fazer a diferença.
Acidentes industriais
O novo risco das
sociedades modernas
A evolução tecnológica, a criação de novos
tipos de indústrias e a utilização de mais e
maiores quantidades de substâncias perigosas,
provocaram a aparição de outro tipo de ocorrências – os acidentes industriais. No concelho
de Loures existem algumas empresas que trabalham
com materiais perigosos. A zona oriental é a mais sobrecarregada com este tipo de
indústrias, localizadas, por vezes, paredes-meias com habitações É por isso necessário que se adoptem medidas
que impeçam a ocorrência de acidentes
e minimizem as suas consequências. É isso
mesmo que o SMPC está a fazer, elaborando
planos de emergência externos, que visam
informar os cidadãos sobre os riscos que
impendem sobre as empresas, definir as medidas
de autoprotecção adequadas e criar estratégias
para fazer face a todas as consequências.
Planos de emergência contra acidentes
Escolas do concelho preparadas
Ao longo dos últimos anos, o SMPC tem
vindo a desenvolver um programa de formação
dos mais pequenos e de criação de planos de
emergência para as escolas. Das 98 instituições
de ensino existentes, 65 têm já os seus planos
formalizados e em 27 já foram executados
simulacros.
Esta é uma das vertentes mais importantes
do trabalho desenvolvido pelo SMPC. É indispensável
que bombeiros e outras entidades
envolvidas na resolução de situações de emergência
tenham um conhecimento aprofundado
de cada uma das escolas: graus de ensino
leccionados, número de alunos, professores
e funcionários, horários de ocupação, equipamento
técnico existente, instalações com
características especiais, caminhos de evacuação,
entre muitos outros aspectos relevantes.
Desta forma, exercícios e simulacros são
actividades que não devem ser postas de lado.
Os próprios alunos e professores devem conhecer o plano de evacuação da escola, as
saídas alternativas, ter sempre em perfeitas
condições o material de combate a incêndios
e identificar os locais mais seguros para onde
se devem dirigir. Durante um exercício, as restantes
medidas a tomar ficam a cargo dos
bombeiros, que dão todas as instruções. Como
usar os extintores, primeiros socorros e técnicas
de fuga são algumas das regras básicas de
segurança transmitidas.
Mas não são só os mais pequenos que
fazem parte das preocupações da Protecção
Civil e dos bombeiros. Os idosos, por representarem
uma faixa etária com muitas limitações
a nível dos movimentos e deslocação,
necessitam de todas as condições para poderem
superar qualquer tipo de emergência.
Centros de dia e lares de terceira idade são,
por isso, equipamentos onde os simulacros e
as acções de sensibilização são também
indispensáveis.
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Escola de Prevenção
e Segurança
Mais vale
prevenir
que remediar
Há muito que o Serviço Municipal
de Protecção Civil (SMPC) ansiava
pela criação de uma escola
de prevenção e segurança
que ensinasse aos mais jovens
o que fazer em situações
de emergência. Um sonho prestes a tornar-se realidade.
A cultura da prevenção e da defesa
começa em cada um de nós, através do
nosso comportamento. Por essa razão, a Escola
de Prevenção e Segurança, que ficará
localizada na urbanização das Urmeiras,
em Loures, irá, a partir de uma abordagem
dos principais riscos, informar os jovens
sobre as medidas a tomar, quer para prevenir
eventuais situações anómalas, quer para lhes
fazer frente.
Sejam acidentes domésticos ou situações
provocadas por causas vindas do exterior,
como sismos, inundações ou incêndios, todas as ocorrências serão abordadas de forma
pedagógica, de modo a incutir em cada um
o papel a desempenhar.
A escola será executada com recurso a
uma solução modular pré-fabricada, sendo que
o seu valor total deverá rondar os 225 mil
euros. Trata-se de um equipamento temático,
composto por diversas salas direccionadas para
cada um dos assuntos tratados – riscos domésticos,
cheias, incêndios –, assim como por um
pátio interior coberto. Terá ainda uma sala
de jogos onde se procederá à verificação dos
conteúdos transmitidos.
Através do treino dos comportamentos
e do contacto com processos de simulação,
os mais novos ficarão aptos a fazer face a
qualquer tipo de acidente ou catástrofe que,
na ausência de conhecimento sobre o procedimento
correcto, são passíveis de trazer
consequências imprevisíveis.
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Plano Municipal de Intervenção na Floresta (PMIF)
Conhecer para melhor gerir
as florestas
Alguns concelhos do país, interessados em
dotá-lo de instrumentos capazes de corrigir a
actual situação, em que o número de incêndios
e a extensão das áreas ardidas tem aumentado,
resolveram criar um PMIF. Este plano, no caso
concreto de Loures, para além de contemplar
a vertente de prevenção e combate a incêndios,
incide fortemente sobre mais duas linhas de
acção: o ordenamento florestal, que propõe
o uso racional do espaço verde, e o ordenamento
cinegético, de modo a apoiar a gestão
sustentável da caça e desenvolvê-la de forma
compatível com a biodiversidade.
Os responsáveis pelo ordenamento florestal
ficam assim dotados de uma importante
ferramenta de trabalho. A Protecção Civil de
Loures é um dos pilares de todo este modelo
de organização, consistindo a sua actividade em criar condições para que bombeiros e outras
entidades envolvidas na protecção da floresta
possam actuar de forma célere em qualquer
situação de emergência. Para tal são elaboradas
cartas de declives, de exposição de encostas,
de modelos de combustível, de dificuldade de
extinção ou de prioridades de defesa. É toda
uma cartografia indispensável ao ordenamento
florestal, que permite analisar o terreno protegendo-o principalmente dos incêndios e da
sua propagação.
Um PMIF deve conter o estudo prévio de
caracterização das áreas (altitudes, geologia,
hidrologia, solos, entre outros aspectos) e
o levantamento de situações-tipo relacionadas
com incêndios, para que os meios disponíveis
para a sua prevenção, detecção e combate
sejam accionados.

De uma forma geral,
apesar de algumas oscilações,
o número de ocorrências tem
vindo a registar um nítido
decréscimo ao longo
dos últimos três anos,
fruto do
trabalho
desenvolvido pelo SMPC.
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Incêndios Florestais
Sempre alerta para o combate às chamas

Os incêndios florestais constituem um
sério problema em Portugal cada vez que
chega o Verão. Loures não tem conseguido
furtar-se a essa tragédia e é um dos concelhos
que também tem sido fustigado pelo
fogo. A onda de calor que se fez sentir há dois anos atrás precipitou o ritmo dos acontecimentos,
de tal forma que, em Bucelas e
Fanhões, o fogo chegou a ameaçar pessoas
e bens. Contudo, o dispositivo operacional
montado pelo SMPC surtiu efeito e a situação
foi rapidamente controlada. Mesmo assim, nesse ano, arderam cerca de 470 hectares de
floresta. No ano seguinte a redução foi notória,
e apenas 100 hectares foram “engolidos” pelas
labaredas.
A maior contrariedade surge quando os
fogos que têm origem nos concelhos vizinhos
atingem Loures. A Tapada de Mafra, em 2003
e a localidade do Bocal, Sintra, em 2004,
foram dois locais que sentiram vivamente a
fúria das chamas. Os incêndios chegaram
mesmo a ultrapassar fronteiras e Loures acabou
também por viver momentos difíceis. É de
salientar, no entanto, a entreajuda e a boa
articulação entre os vários serviços municipais
de protecção civil, dos bombeiros, da GNR e
demais entidades envolvidas no combate às
chamas.
Para garantir a segurança da população
e manter as zonas verdes do concelho intactas,
o SMPC de Loures operacionaliza, durante os
meses de Verão, um Sistema de Vigilância,
Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais.
Para além do PMIF, que ajuda a controlar
essa situação, existem ainda os Grupos de
Primeira Intervenção, sempre alerta para
qualquer eventualidade, os Grupos de Apoio
e de Intervenção Permanente, o Posto de
Vigia do Cabeço de Montachique, a vigilância
motorizada e os sapadores florestais. O objectivo
principal é a detecção precoce de focos
de incêndio. Além da vigia, muitas outras
acções são postas em prática: a dissuasão
de queimadas em dias de risco de incêndio
muito elevado, de actividades ilícitas, como
o despejo de entulho, e a sensibilização
da população são também uma mais-valia
para a preservação da floresta.
Seca e Calor
Fenómenos climáticos adversos
cada vez mais frequentes
As alterações climáticas que temos vivido
não passam despercebidas. À medida que o
Homem vai castigando o meio ambiente com
quantidades imensas de gases com efeito
de estufa lançados para a atmosfera, a Natureza
encarrega-se de responder com variações
no clima que anteriormente se não verificavam.
Só para se ter uma ideia, há dois anos, entre
Julho e Agosto, o nosso país viveu a sua mais
longa vaga de calor. Foram 16 a 17 dias com
os termómetros acima dos 30º C. Refira-se
que, a 1 de Agosto de 2003, foi batido o recorde
da mais alta temperatura registada em
Portugal, com a Amareleja a atingir os 47º C.
Ultimamente, quase não cai chuva no nosso
território, fazendo com que o último Inverno
fosse dos mais secos de que há memória. De
facto, segundo dados do SIAM (Scenarios, Impacts, and Adaptation Measures), o projecto
que estuda a alterações climáticas em
Portugal, desde a década de 60 que chove
sucessivamente menos.
Para que fenómenos como estes não aconteçam,é preciso reduzir drasticamente as
emissões de dióxido de carbono e mudar alguns
hábitos. Tanto o calor como a seca são problemas
que preocupam a Câmara de Loures e o
SMPC. Os SMAS esforçam-se por gerir da melhor
forma o abastecimento de água, tentando
reduzir as perdas desse bem tão precioso por
ser um recurso natural limitado. A divulgação
de medidas de protecção contra o calor, conselhos
para poupar água, campanhas para viver
o sol com protecção, de modo a evitar doenças
como o cancro da pele, são também algumas
das acções destinadas a sensibilizar a população.
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Cheias
Prevenir para evitar o pior
A última grande cheia do concelho de Loures ocorreu há cerca de 20 anos.
Para que catástrofes como esta não voltem a acontecer, o SMPC criou
o Plano de Emergência Específico para Cheias na Bacia do Rio Trancão,
uma zona considerada de risco.
As cheias ocorrem quando o nível das águas de rios, ribeiras ou do mar sobe de forma
acentuada, causando a inundação de povoações.
Como tal, este plano procura conhecer
as zonas do território mais vulneráveis a este
fenómeno, propondo soluções para os problemas
tendo sempre em mente o bem-estar da
população. Do plano fazem parte o conhecimento
do fenómeno físico de ocorrência de
cheias, o estudo da precipitação, caudais,
ondas de cheia e tempo de propagação, a
actualização de dados das infra-estruturas
e populações afectadas e a concepção de
estratégias de actuação.
Dos 44 pontos críticos identificados pelo
SMPC, Bucelas, Loures, Frielas, Santo Antão
do Tojal, São Julião do Tojal, Unhos e Sacavém
são os locais mais afectados pelas cheias. Em
marcha está já a construção da nova ponte
sobre o rio de Loures, que irá trazer vantagens
a nível de um muito maior e mais rápido
escoamento das águas. Também na zona do
Tojalinho se procedeu à regularização do rio
e à consolidação das margens. A requalificação
da Praça da República, ao abrigo
do PROQUAL, irá trazer benefícios à cidade
de Sacavém, visto tratar-se uma zona fortemente
fustigada por este fenómeno.
Os trabalhos de limpeza de linhas de água
e passagens hidráulicas são também indispensáveis
para o bom escoamento das águas da chuva, tornando-se por isso necessário
sensibilizar todas as entidades envolvidas
nesse trabalho. Contudo, essas intervenções
nem sempre são efectuadas no tempo
adequado, resultando em inundações que
se repetem ciclicamente nos mesmos locais.
Apesar disso, o rio Trancão e os seus
afluentes são frequentemente desobstruídos
pelas entidades municipais de modo
a manterem-se as boas condições de fluidez.
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Os parceiros
da Protecção Civil
Porque a protecção civil não se esgota nos serviços camarários, o
SMPC trabalha diariamente com um conjunto de entidades que são vitais
para o bom desempenho das suas funções.
Escuteiros e radioamadores são dois exemplos de instituições com as
quais a Câmara pode contar, integrando mesmo o próprio SMPC. Assim,
a Câmara estabeleceu acordos com o Núcleo de Escuteiros “Moinhos de
Vento”, do qual fazem parte todos os agrupamentos de escutismo católico
do concelho de Loures, e com a Associação de Radioamadores de
Moscavide.
Estas parcerias de nada valeriam se não se pudesse contar com as
forças de segurança. PSP e GNR são, obviamente, duas peças-chave
de todo o sistema. Todos juntos fazemos a diferença!

“Ser radioamador é muito gratificante”
Qual o vosso papel na ajuda ao Serviço
Municipal de Protecção Civil de Loures?
Os radioamadores são mais um elemento
do SMPC que está pronto a actuar em caso de
emergência ou catástrofe. Como temos capacidade
de operar equipamentos de comunicações
via rádio sem energia eléctrica, garantimos a ligação entre os diversos pontos afectados
junto dos bombeiros, das entidades policiais
e até da própria Protecção Civil. Se a sua rede
de comunicações falhar, somos a sua alternativa
operacional.
Desde quando colaboram com o SMPC?
Desde 1991. Ser radioamador voluntário é
muito gratificante. É nisto que somos especialistas
e queremos, através daquilo que melhor
sabemos fazer, estar ao serviço da comunidade.
Podemos responder na totalidade a quaisquer
dificuldades que ocorram a nível municipal. Basta
concentrar com perícia os nossos meios, os
treinos e a formação do nosso pessoal e actuar.

“A atitude preventiva é de extrema importância”
Em que se traduz o vosso apoio ao SMPC?
Os escuteiros colaboram em acções de
informação e sensibilização, quer no nosso
meio, o escutismo, quer junto da população.
A nível de Protecção Civil, a nossa grande
actividade é a prevenção de fogos no Parque
Municipal do Cabeço de Montachique.
Que importância atribuem à ajuda dos
escuteiros no combate aos fogos florestais?
A atitude preventiva é de extrema importância.
Estamos prontos para ajudar no terreno quando as autoridades competentes acharem
conveniente. Para além disso, é muito
importante para o crescimento dos nossos
elementos, de modo a conseguirem “construir”
uma cultura de preservação, vigilância e
carinho pela Mãe Natureza.
De que meios é que dispõem para patrulhar
as áreas indicadas? E que áreas são?
O projecto de prevenção de fogos visa o
Parque Municipal do Cabeço de Montachique
e toda a área envolvente. Velocípedes, rádios
e panfletos de divulgação e aconselhamento
são-nos cedidos pelo SMPC. Também temos
binóculos e pequenas farmácias que são do
nosso Núcleo e que os nossos elementos utilizam
para melhor desempenharem a sua missão.
PSP e GNR
Forças de segurança
no apoio à população
A Guarda Nacional Republicana (GNR) e
a Polícia de Segurança Pública (PSP) são mais
dois agentes de Protecção Civil que desempenham
um papel muito importante na segurança,
apoio e socorro das populações, e na
intervenção no terreno numa situação crítica. As funções da GNR e da PSP, durante um
acidente grave, catástrofe ou calamidade, são,
além de auxiliar os cidadãos, defender e
preservar os bens que se encontrem em situações
de perigo, causadas por acções humanas
ou naturais, assegurar a manutenção da lei
e da ordem, fazer o controlo de tráfego e de
acessos, apoiar nas acções de coordenação
da movimentação de populações e dar apoio
a outras forças de segurança, tudo isto nas
suas áreas de intervenção operacional.
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Entrevista
Joaquim Manuel - Comandante dos Bombeiros do Zambujal
e da Zona Operacional Loures/Odivelas
É vasto o conjunto de situações
com que os bombeiros
normalmente se deparam.
Sejam fogos, cheias, acidentes
ou pequenos sinistros,
os “soldados da Paz” precisam
de estar alerta e bem preparados
para qualquer ocorrência.
Joaquim Manuel, comandante
da Zona Operacional de Loures
e Odivelas, falou com a Loures
Municipal e desvendou um pouco
do dia-a-dia dos bombeiros,
as exigências do seu trabalho,
os maiores problemas, mas
também as maiores ambições.
Como caracteriza o seu trabalho?
O trabalho de comandante, nomeadamente
de uma zona operacional como é
a de Loures e Odivelas, tem mais relevo
quando há sinistros de maior impacte. É nessa
altura, devido ao número de corpos
de bombeiros e viaturas envolvidas, que é
solicitada a presença do comandante operacional.
Cabe-me a mim, então, comandar
as operações.
Quais são as áreas mais críticas
da zona que comanda?
O concelho de Loures é muito complicado.
Primeiro, tem uma rede viária que
nos causa problemas diariamente. É raro o
dia em não há vários tipos de acidentes.
Depois, possui uma área industrial forte, para
a qual é preciso estar preparado para qualquer
ocorrência. Existem ainda zonas particularmente
delicadas como Camarate, que
tem muitos bairros, armazéns e firmas, e
Santo António dos Cavaleiros, freguesia
conhecida pelas suas enormes torres. Por fim,
a zona norte do concelho possui uma vastaárea florestal que dá bastante trabalho,
particularmente no Verão. Os incêndios aqui
propagam-se muito rapidamente. Ao fim de
minutos já estão a atingir casas, quintais,
palheiros. Como as casas estão espalhadas,
há logo muitas chamadas de socorro ao
mesmo tempo. É aí que funciona a entreajuda
dos corpos de bombeiros. Quando acontecem
dois ou três incêndios em simultâneo tem que
haver uma maior mobilização de meios.
É imperativo que os bombeiros
estejam muito bem preparados...
De facto, isto obriga a que os bombeiros,
cada vez mais, tenham de estar bem preparados
no que diz respeito à parte física mas também
à parte técnica. No mesmo dia, podem ter de
fazer face a vários tipos de situação. Acontece
com alguma normalidade. Já passámos pela
experiência de, no mesmo dia, termos de
enfrentar um incêndio florestal e uma inundação.
Os bombeiros, felizmente, já começam a
ter bastante formação. São preparados com
instruções práticas e teóricas, através de
manuais, passagens de vídeos, filmes, slides...
Quais os maiores problemas sentidos
no seio dos bombeiros?
Há situações que poderíamos melhorar.
Antes de mais, penso que se devia apostar na
profissionalização dos bombeiros. Não faz
sentido estar a treinar uns quantos homens
para fazerem face às situações e depois
precisar deles e não estarem disponíveis. Porque,
se são voluntários, têm o seu trabalho e a sua
vida. Os profissionais não. Esses estão sempre
cá. O voluntariado tem de aparecer numa
segunda fase, numa fase de ajuda. Mas o
primeiro impacte tem de ser garantido por
profissionais.
Há ainda um factor que não tem sido
acautelado, que é a modernização das viaturas
e do material dos bombeiros. O reequipamento
está parado há uma série de anos. Já devíamos
estar numa fase mais avançada.
Como são as relações com
a Protecção Civil de Loures?
A Protecção Civil de Loures é uma das
que funcionam bastante bem. Tanto na parte
burocrática como na operacional, o trabalho
realizado é excelente. Além disso, tem uma
articulação muito boa, quase perfeita, com
todos os corpos de bombeiros.
Para este ano, penso que o dispositivo a
nível de Protecção Civil vai ser igual ou melhor
relativamente ao ano passado, quer no que
diz respeito à brigada de sapadores florestais
que fazem a vigilância e uma primeira
intervenção, quer no que respeita à vigia
motorizada, ao posto de vigia do Cabeço de
Montachique e ao grupo de escuteiros, que
durante o Verão patrulha diariamente o
parque de Montachique. Está tudo no bom
caminho, mais uma vez.
Com que situações de emergênciaé que se deparam regularmente?
O transporte de doentes e as emergências
na área da saúde representam 60 a 70 por
cento do nosso trabalho. Depois, existem
outro tipo de sinistros: pessoas que ficam
fechadas em casa, inundações, etc. Por fim,
como não podia deixar de ser, os incêndios
florestais, que as pessoas pensam que
acontecem mais no Verão mas que, este ano,
já têm assolado algumas zonas do nosso país.
Em 2004, a área ardida em Loures
decresceu bastante.
Mas se olharmos para Portugal
o mesmo já não se tem verificado...
De facto, houve uma redução de quase
400 hectares de área ardida no concelho.
No resto do país continua a não haver
ordenamento de florestas, reparação dos
caminhos florestais e corte de matos.
Em Loures tem havido algum cuidado.
Procedeu-se à limpeza de florestas e foram
abertos cerca de 30 quilómetros de caminhos
por entre o mato. Este ano já há um plano
específico nesse âmbito também.
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