| Património Arqueológico e planeamento
no concelho de Loures
A actividade do Município na disciplina cultural da Arqueologia,
conta desde 1984/1985 com um serviço que vem acumulando o
reconhecimento de testemunhos e realizando o seu estudo sistemático,
através de um percurso de progressivo aperfeiçoamento
metodológico. Tal actividade ganha hoje um nível substancialmente
desenvolvido, quando a especificidade disciplinar do conhecimento
da Arqueologia, aplicada à realidade territorial do concelho
de Loures, se projecta na Carta
Arqueológica, prosseguindo o papel de instrumento de
planeamento sectorial de nível municipal, já preconizado
pelo PDM para outros
domínios, como o escolar e o desportivo (igualmente cumpridos
pela Carta Escolar e pela Carta Desportiva).
A Carta Arqueológica, tal como outros instrumentos da mesma
natureza, ao nível municipal, antecipa criativamente conteúdos
e métodos de sistematização exemplares e aplicáveis
à figura de Plano Sectorial consagrado no Decreto-Lei 380/99,
enquanto instrumento de planeamento de nível nacional. Em
tal medida, constitui-se como uma componente pericial de grande
importância para o planeamento territorial, enquanto contributo
qualificador das opções de ordenamento, nos três
níveis de responsabilidade municipal consagrados no sistema
dos instrumentos de gestão territorial: o Plano Director
Municipal (PDM), integrador
da classificação geral de aptidão de uso dos
solos em coerência com uma estratégia territorial de
desenvolvimento que consagra os aspectos sociais, económicos,
culturais e ambientais; Planos de Urbanização (PU),
que procedem à estruturação morfológica
dos sistemas urbanos, conjugada com as infra-estruturas e equipamentos
colectivos e sistemas verdes de lazer e equilíbrio ambiental
que lhe conferem sustentabilidade; os Planos de Pormenor (PP) que,
abordando áreas circunscritas inseridas nos perímetros
urbanos, desenham a área de intervenção, com
a profundidade e detalhe que mais atendam aos parâmetros de
qualidade a garantir para o interesse público e, simultaneamente
mais se adeqúem à sua funcionalidade.
A sistematização temática da Carta
Arqueológica, referenciada ao “tipo” e ao
“período cronológico cultural” (designações
da Carta Arqueológica), constitui uma base imprescindível
para a determinação das prioridades que informam as
práticas neste domínio. No entanto, para a definição
de uma estratégia, importará ainda perspectivar o
património existente no concelho, no sentido da prefiguração
de “pólos”, correspondentes à concentração
local de vestígios arqueológicos ou sítios
com correlação de significados. Estes, relacionados
tematicamente, com localização e expressão
territorial diversa, formam redes com significado de âmbito
concelhio, regional, nacional ou mesmo internacional.
As prioridades fixadas pela Carta
Arqueológica, para além
dos aspectos relativos à provisão de meios, dotação
de estrutura funcional, adensamento da área e profundidade
de pesquisa, referenciam três projectos de intervenção
que importaria contextualizar e referenciar na temática em
que se inserem, potenciando os seus significados:
- Estação arqueológica
de Frielas (vestígios do período
romano e pesquisa de testemunhos de um Paço Medieval);
- Estação arqueológica
das Almoínhas – Loures (vestígios
do período romano);
- Projecto do Megalitismo.
Necrópole
/ Villa
Villa das Almoínhas
Almoínhas - Loures
Período Romano
Escavações de iniciativa municipal, realizadas anualmente
desde 1995, puseram a descoberto sepulturas de inumação
e de incineração, muros diversos, um tanque de salga,
uma lixeira e estruturas em fossa. Um capitel, tijolos diversos
e um tesouro de moedas no interior de uma ânfora, foram achados
acidentalmente no local. Espólio recolhido depositado no
Museu Municipal.
As estações arqueológicas referidas, pelo grau
de definição presente, justificam a criação
de uma linha de contactos privilegiada entre a Divisão de
Planeamento Urbanístico e os Serviços municipais de
arqueologia, informando nomeadamente o Plano de Pormenor da Envolvente
ao Palácio de Justiça de Loures, que abrange a área
coberta pela Estação das Almoínhas. Relativamente
a Frielas, onde não se encontra em curso qualquer Plano de
Pormenor, concertam-se procedimentos de articulação
entre os processos de classificação de imóveis
notáveis do ponto de vista arquitectónico, com a estação
arqueológica ali situada, propondo-se ao IPPAR a classificação
de um “sítio histórico-arqueológico”.

Bilha proveniente da Bolsa 4, campanha de 1999
Estação Arqueológica
de Frielas
Villa Frielas
Romano/Medieval
Villa, com ocupação provável
nos séculos III-IV DC. Reutilização no período
medieval, através de um conjunto de silos abertos no pavimento
em mosaico. Escavações de iniciativa municipal realizadas
anulamnente desde 1997. Espólio recolhido depositado no Museu
Municipal de Loures.
Tais iniciativas, para além
de determinarem servidões ou restrições legais
ao uso do solo na generalidade dos planos, têm diferentes
traduções aos diversos níveis de planeamento:
- No caso dos Planos de Pormenor, trata-se de cuidar da relação
espacial contemporânea do sítio arqueológico
em causa, com o domínio dos espaços públicos
e mesmo com o domínio dos espaços privados. Trata-se
ainda de cuidar do acompanhamento das obras de urbanização
e de edificação consequentes;
- Os Planos de Urbanização, tratam já a
relação dos pólos com a estrutura urbana
a estabelecer, cuidando da sua referenciação identitária
no sistema urbano em referência e, do seu significado cultural;
- No Plano Director Municipal, trata-se de identificar os Pólos
e as Redes, correlacionando-os com a estratégia territorial
municipal, potenciando o seu significado cultural, na articulação
com o tecido social, económico, dos equipamentos públicos,
do lazer, dos espaços verdes urbanos, da paisagem e do
ambiente.
topo |