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Loures e os Recursos Naturais
O concelho de Loures faz parte de uma região interior de colinas, com cotas normalmente inferiores a 400 metros, apresentando solos geralmente férteis, em especial nas várzeas de Loures e do Freixial, cujas baixas aluvionares são aproveitadas para hortas regadas.
Os barros basálticos originaram campos desarborizados da cerealicultura, enquanto os terrenos calcários e pedregosos, inaptos para a agricultura, desenvolveram matos. Nos restantes tipos de terreno, encontramos oliveiras, que nos dias que correm têm reduzida expressão no concelho, e pastagens.
A paisagem local define-se como uma extensa zona depressionária envolvida pelo relevo alteroso das colinas que se sucedem com um pendor por vezes acentuado, ora encimadas escarpas calcárias, ora arredondadas, muitas vezes carecas, e entre as quais se alojam vales frequentemente fundos e estreitos. A faixa ribeirinha é baixa e aplanada e separada da bacia interior por uma linha de destacados cerros de orientação paralela ao rio.
Dado o relevo, algumas das maiores elevações proporcionam excelentes vistas panorâmicas sobre a vasta área periférica, como nos cumes de Montachique, Fanhões, Serves ou Montemor.
No alto do Mosqueiro (356 metros) observam-se para norte diversas povoações e as várzeas; para oeste, ao fundo do horizonte, a serra de Sintra; para sul e leste, Caneças, a serra da Amoreira, Loures, Lisboa, o Tejo e as serranias da Arrábida e de Palmela.
Excluindo a zona ribeirinha, onde domina a actividade industrial, e o extremo Sueste sobretudo urbano, o concelho é maioritariamente rural com paisagem moldada pelas actividades pecuárias e agroflorestais.
Não obstante o relevo apresentar considerável irregularidade, visto alternar morros e vales ao longo de praticamente toda a extensão do concelho (exceptuando a ampla várzea de Loures), os níveis de altitude são modestos. A noroeste, a garganta de Lousa é aquela onde o relevo é mais revoltoso, imprimindo pujança e agressividade à paisagem. A planície fértil e os seus prolongamentos para norte, sul e oeste, acompanhando os principais cursos de água, como a zona da borda-d’água, a sueste, constituem os terrenos mais baixos.
Se dividido o concelho em “terras baixas” e “terras altas”, dadas as irregularidades do relevo, as primeiras têm como principal núcleo a várzea de Loures, que em meados do século XX tinha 80 por cento da área ocupada por culturas hortícolas regadas. Composta fundamentalmente por solos de aluvião, está abaixo dos 50 metros, ao passo que as terras altas podem ser subdivididas em três subzonas, devido entre outros factores à maior superfície abrangida. Assim, deparamo-nos com a subzona da vinha, entre Bucelas e Fanhões, a da oliveira, que compreende as elevações em redor da baixa de Loures, a sul e leste, bem como áreas mais elevadas de Sacavém, S. João da Talha e Santa Iria de Azóia. Por fim, a subzona da cultura cerealífera e florestal é a mais extensa e ocupa a totalidade das terras de basalto.
O limite concelhio da zona ribeirinha é traçado pelo rio Tejo, aqui representado pelo estuário, que constitui o maior e mais importante sistema estuarino português e um dos mais relevantes a nível europeu. A restante bacia hidrográfica pertence à bacia do Tejo por intermédio do rio Trancão, designado perto da foz por ribeira (ou vala) de Sacavém. Os cursos de água do interior municipal confluem para este rio. O Trancão nasce fora do concelho, próximo da Póvoa da Galega (concelho de Mafra), alternando o seu curso entre troços de evidente estrangulamento. O rio (ou ribeira) de Loures, que nasce a norte de Lousa, é o seu afluente mais importante.
Da flora existente no concelho, existe uma elevada percentagem de espécies de afinidades atlânticas, sejam elas claramente europeias ou mediterrânicas de fácies atlântico. Citamos algumas: medronheiro, queirão, castanheiro, saganho, loureiro, abrunheiro-bravo, carvalho-cerquinho, tojo-arnal, pinheiro-de-alepo, carrasco, maios-amarelos e diversas espécies de orquídeas, algumas relativamente raras em Portugal e sensíveis à alteração do ambiente.
A comunidade de vertebrados terrestres existentes no território municipal evidencia, como seria de esperar, predominância do grupo das aves, quer a nível de riqueza específica, quer no tocante ao número de indivíduos.
O grupo dos anfíbios está representado por cerca de dez espécies, mas apenas a rã-verde, o sapo-comum e a salamandra-de-pintas-amarelas deverão ser relativamente abundantes.
No que aos mamíferos diz respeito, pode afirmar-se que as comunidade de roedores e insectívoros têm considerável significado, tanto a nível de espécies, como na abundância. O coelho é o mamífero mais prolífero no concelho. Mamíferos predadores, encontramo-los em menor quantidade face ao número de presas. Encontramos sobretudo carnívoros oportunistas ou que são tolerantes à presença do homem: a raposa, o texugo, a fuinha.
Mais de um terço das cerca de cento e quinze aves referenciadas para o concelho vivem nele todo o ano. As aves húmidas são aquelas que evidenciam maior número de espécies com um estatuto de ameaça em Portugal, como por exemplo, a garça-imperial, o tartaranhão-dos-pauis e o flamingo.
Referência Bibliográficas:
Pena, António (2001): Loures – Um Roteiro Natural do Concelho. C.M. Loures/Departamento do Ambiente.
Madeira, N., Geoterra (2004): Conhecer a Floresta de Loures. Edição Câmara Municipal de Loures.
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