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DIAGNÓSTICO SOCIAL:
Comissões Sociais de Freguesia:
 
 
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Santo António dos Cavaleiros
 
Comissões Sociais Inter-Freguesias
 
Fanhões, S.Julião do Tojal e Sto. Antão do Tojal
 
Bobadela, Sta. Iria e J.João da Talha
 
Apelação, Frielas
e Unhos
 
Camarate,
Sacavém
e Prior Velho
 
 
 


1

 

 

Comissão Social Inter-Freguesias Apelação, Frielas e Unhos

Fonte: Censos 2001

Nota Introdutória

Este documento apresenta-se como uma síntese do trabalho realizado com os vários parceiros da Comissão Social Inter-freguesias da Apelação, Frielas, Unhos (CSIFAFU), e insere-se num conjunto de documentos que resultam do processo de Pré-Diagnóstico da Rede Social no Concelho de Loures.

 

O trabalho levado a cabo no terreno iniciou-se com uma reunião da parceria alargada da CSIFAFU que teve por objectivos a realização de uma primeira reflexão conjunta sobre o que consideravam ser, os principais problemas das suas freguesias, e definição de um "Plano de Acção" para pré-diagnóstico.

 

No âmbito deste, e por se pensar que cada freguesia detinha especificidades distintas, formaram-se três grupos de trabalho (um por freguesia), cada um deles integrando os parceiros específicos de cada freguesia, para identificação dos problemas específicos a cada freguesia. Daí as Fichas de Problema, que a seguir se apresentam, reproduzirem esta lógica territorial.

 

De referir ainda que, sempre que por motivos vários, determinado parceiro local, julgado relevante para o aprofundamento do conhecimento de um problema, não podia estar presente nas referidas sessões de trabalho, o técnico que acompanhou esta Comissão, tomou a iniciativa de o contactar individualmente. Pode-se dizer, que estas reuniões bilaterais tiveram uma dupla função: a) contribuir para uma descrição mais apurada do problema; b) contribuir para o reforço da motivação do parceiro, para a participação neste processo.

 

Em síntese, a sistematização que agora se apresenta, resultou da participação dos seguintes parceiros:

 

Tabela 1 - Listagem de parceiros presentes na reunião de pré-diagnóstico da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Frielas e Unhos

Entidade

Junta de Freguesia de Apelação (presidente)

Junta de Freguesia de Frielas (presidente)

Junta de Freguesia de Unhos (presidente)

Centro Social e Paroquial Sagrados Corações (2 participantes)

Paróquia de Unhos

Associação de Melhoramentos e Recreativo do Talude

Associação Pomba da Paz

Associação de Moradores da Apelação (2 participantes)

EB1 nº 2/ JI Unhos (Catujal)

EB1 / JI Apelação

EB1 Frielas

ARPI Catujal

Associação de Pais da EB23 Alto do Moinho

PSP Sacavém (2 participantes)

Bombeiros de Camarate

GARSE (Câmara Municipal de Loures) (2 participantes)

 

 

Tabela 2. Entidades contactadas durante o processo do pré-diagnóstico

 

Contactos efectuados

Quando

Objectivos

Grupo de trabalho de Unhos:

-António Varela (presidente da JF de Unhos);

-Deolindo Julo (Assoc. Pais Escola Alto do Moinho);

-António Morgado (presid. Comissão Executiva Instaladora EB23 Alto do Moinho, EB1 nº 1 Unhos e EB1 nº 3 Unhos);

-Anabela Pacheco (presid. Conselho Executivo EB1 nº 2/ JI Unhos);

-Fernando Pereira (ARPI: Assoc. Reformados e Pensionistas do Catujal);

21/04/04

1. Aprofundamento das áreas temáticas consideradas problemáticas na freguesia de Unhos, definidas na reunião de pré-diagnóstico da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas:

1.1) Segurança;

1.2)   Saúde;

1.3)   Habitação;

1.4)   Educação;

1.5)   Apoio a idosos;

1.6)   Pobreza/ exclusão social.

2. Definição de um plano de acção para maior aprofundamento dos problemas e recolha de indicadores relativos aos mesmos junto dos parceiros relevantes em cada área temática.

EB1 nº 2/ JI Unhos (Catujal):

-Anabela Pacheco (Presidente do Conselho Executivo da Escola EB1 nº2/ JI de Unhos - Catujal)

22/04/04

1. Entrevista exploratória visando aprofundar os problemas educativos identificados na reunião do grupo de trabalho de Unhos da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas;

2. Recolha de elementos de caracterização da escola (valências, recursos, população escolar), bem como de indicadores referentes aos problemas identificados.

EB23 Alto do Moinho (Catujal):

- António Morgado (Presidente do Conselho Executivo da EB23 Alto do Moinho - Catujal, e da Comissão Executiva Instaladora do Agrupamento de Escolas de Catujal - Unhos)

22/04/04

1. Entrevista exploratória visando aprofundar os problemas educativos identificados na reunião do grupo de trabalho de Unhos da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas;

2. Recolha de elementos de caracterização da escola (valências, recursos, população escolar), bem como de indicadores referentes aos problemas identificados.

Associação Pomba da Paz:

- Arlindo (Assoc. Pomba da Paz)

22/04/04

1. Entrevista exploratória visando aprofundar os problemas identificados na reunião de pré-diagnóstico da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas, bem como na reunião do grupo de trabalho da freguesia de Unhos, nomeadamente ao nível do apoio à infância e à população idosa;

2. Recolha de elementos de caracterização da instituição (valências, recursos, utentes), bem como de indicadores referentes aos problemas identificados.

Centro Social e Paroquial Sagrados Corações:

-Paula Magalhães;

-Irmã Pilar

22/04/04

1. Entrevista exploratória visando aprofundar os problemas identificados na reunião de pré-diagnóstico da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas, bem como na reunião do grupo de trabalho da freguesia de Unhos, ao nível do apoio à população mais carenciada, particularmente idosos e imigrantes;

2. Recolha de elementos de caracterização da instituição (valências, recursos, utentes), bem como de indicadores referentes aos problemas identificados.

Grupo de trabalho de Apelação:

-José Henriques Alves (presidente da JF de Apelação);

-Ana Cabrita (Presidente Conselho Educativo EB1/ JI Apelação);

-Subcomissário Paulo Costa (PSP Sacavém);

-Agente Sandra (PSP Sacavém);

23/04/04

1. Aprofundamento das áreas temáticas consideradas problemáticas na freguesia de Apelação, definidas na reunião de pré-diagnóstico da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas:

1.1)   Segurança;

1.2)   Saúde;

1.3)   Habitação;

1.4)   Educação;

1.5)   Apoio a idosos;

1.6)   Pobreza/ exclusão social.

2. Definição de um plano de acção para maior aprofundamento dos problemas e recolha de indicadores relativos aos mesmos junto dos parceiros relevantes em cada área temática.

EB1/ JI Apelação:

-Ana Cabrita (Presidente do Conselho Executivo da Escola EB/ JI de Apelação);

23/04/04

1. Entrevista exploratória visando aprofundar os problemas educativos identificados na reunião do grupo de trabalho de Apelação da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas;

2. Recolha de elementos de caracterização da escola (valências, recursos, população escolar), bem como de indicadores referentes aos problemas identificados.

EBI Apelação:

-Carla Portela;

23/04/04

Ficou combinado o envio para o GARSE de elementos de caracterização da escola. Recebidos a 4/05/2004.

Associação de Moradores da Apelação:

-Mário Moreira (Presidente da Direcção da Associação de Moradores da Apelação);

Dulce Mendes (Vice-presidente da Associação de Moradores da Apelação);

26/04/04

1. Entrevista exploratória visando aprofundar os problemas identificados na reunião de pré-diagnóstico da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas, nomeadamente os relacionados com a população do bairro da Quinta da Fonte;

2. Recolha de elementos de caracterização da associação (valências, recursos, associados), bem como de indicadores referentes aos problemas identificados.

Grupo de trabalho de Frielas:

-Álvaro Cunha (presidente da JF de Frielas);

-Armandina Isabel (membro Conselho Educativo EB1 Frielas);

-sr. Guedes ("Os Frieleiros" - Rancho Folclórico e Etnográfico);

26/04/04

1. Aprofundamento das áreas temáticas consideradas problemáticas na freguesia de Frielas, definidas na reunião de pré-diagnóstico da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas:

1.1)   Saúde;

1.2)   Ambiente;

1.3)   Segurança;

1.4)   Educação;

1.5)   Transportes.

2. Definição de um plano de acção para maior aprofundamento dos problemas e recolha de indicadores relativos aos mesmos junto dos parceiros relevantes em cada área temática.

Segurança Social (serviços locais de Sacavém):

-Rute Pereira e Nelson (técnicos responsáveis pela freguesia de Apelação);

7/05/04

1. Entrevista exploratória visando conhecer os principais problemas e domínios de intervenção da Segurança Social na freguesia de Apelação;

2. Recolha de indicadores referentes aos tipos de apoios prestados.

A.M.R.T. (Associação de Melhoramentos e Recreativo do Talude):

-Carla Santos (membro da Direcção da A.M.R.T.)

7/05/04

1. Entrevista exploratória visando aprofundar o conhecimento dos problemas que afectam a população do Talude Militar, identificados previamente nas reuniões da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas e do grupo de trabalho da freguesia de Unhos;

2. Recolha de elementos de caracterização da associação (valências, recursos, utentes), bem como de indicadores referentes aos problemas identificados.

Segurança Social (serviços locais de Moscavide):

-Rosário Rei e Chairose (técnicas responsáveis pela freguesia de Unhos)

10/05/04

1. Entrevista exploratória visando conhecer os principais problemas e domínios de intervenção da Segurança Social na freguesia de Unhos;

2. Recolha de indicadores referentes aos tipos de apoios prestados.

Segurança Social (serviços locais de Loures):

-Cristina Caetano (técnica responsável pela freguesia de Frielas)

11/05/04

1. Entrevista exploratória visando conhecer os principais problemas e domínios de intervenção da Segurança Social na freguesia de Frielas;

2. Recolha de indicadores referentes aos tipos de apoios prestados.

Pastoral dos Ciganos:

-Aida Marrano (Pastoral dos Ciganos)

10/05/04

1. Entrevista exploratória visando aprofundar os problemas identificados na reunião de pré-diagnóstico da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas, nomeadamente os relacionados com a população do bairro da Quinta da Fonte;

2. Recolha de elementos de caracterização da associação (valências, recursos, utentes), bem como de indicadores referentes aos problemas identificados.

Associação Ajuda de Mãe:

-Fátima Silva (psicóloga);

-Catarina Rodrigues (psicopedagoga);

14/05/04

1. Entrevista exploratória visando aprofundar os problemas identificados na reunião de pré-diagnóstico da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas, nomeadamente os relacionados com a população do bairro da Quinta da Fonte;

2. Recolha de elementos de caracterização da associação (valências, recursos, utentes), bem como de indicadores referentes aos problemas identificados.

Casa de Sta. Tecla:

-Célia Leite (técnica de serviço social)

21/05/04

1. Entrevista exploratória visando aprofundar os problemas identificados na reunião de pré-diagnóstico da Comissão Social Inter-Freguesias de Apelação, Unhos e Frielas, nomeadamente ao nível do apoio à população idosa;

2. Recolha de elementos de caracterização da instituição (valências, recursos, utentes), bem como de indicadores referentes aos problemas identificados.

 


 

Ficha de Problema 1 - Apelação - Acção Social/ Infância

Freguesia:

Apelação

Área temática:

Acção Social/ Infância

Problema:

Inexistência de respostas institucionais para a primeira infância

Problemas relacionados:

 

Causas:

-Carências económicas (não permitindo o acesso generalizado a respostas privadas, p. ex. amas);

 

-Proporção de famílias monoparentais (recaindo geralmente sobre a mãe a totalidade das responsabilidades e encargos);

 

-Longas (e por vezes duplas) jornadas de trabalho (o que, conjugado com a pendularidade e a utilização massiva de transportes públicos, prolonga o tempo de ausência dos pais);

 

-Precariedade laboral (obstáculo potencial à justa fruição dos direitos de paternidade e maternidade e ao acesso ao subsídio de desemprego)

 

Consequências:

-Bebés deixados ao cuidado de outros menores ou de adultos sem as necessárias competências;

 

-Bebés submetidos à movida de um dia de trabalho, com possíveis impactos na sua saúde;

 

-Solicitação de apoio a familiares ou conhecidos, ou a berçários e creches fora da área de residência, alongando o tempo dispendido nestes percursos diários;

-Tempo de isolamento prolongado por parte de crianças e bebés;

 

Indicadores que podem ajudar a traduzir o problema:

-Nº de I.P.S.S.'s com valência de berçário/ creche/ creche familiar;

-Nº de crianças residentes com menos de 3 anos;

-Nº de famílias monoparentais;

-Movimentos pendulares de saída da freguesia;

Quais as possíveis soluções para este problema?

Quais as potencialidades existentes na organização/ freguesia/ concelho?

Quais os recursos e meios operacionais de que se dispõe para actuar?

Observações/

constrangimentos:

Expansão da cobertura ao longo do dia dos JI's da rede pública, possibilitando a reconversão do JI da I.P.S.S. "O Nosso Mundo" (que até agora tem assegurado a complementaridade com a EB1/ JI da Apelação) em berçário/ creche;

-Razoável cobertura da rede pública de Jardins de Infância;

 

-Dinâmica de parceria induzida pela PIC Qta. da Fonte (GARSE);

 

-Existência da I.P.S.S. "O Nosso Mundo", vocacionada para o apoio à infância, em articulação com a EB1/ JI Apelação;

-2 JI's da rede pública (EB1/ JI Apelação e JI nº 2 Apelação), com 2 e 6 salas, respectivamente;

 

-Salas vagas no JI nº 2 Apelação;

 

-I.P.S.S. "O Nosso Mundo", com valências de Jardim de Infância e A.T.L.;

-Não se sabe da  viabilidade técnica e financeira da solução aconselhada, no que se refere ao alargamento da cobertura do JI;

 

-Ausência de representação por parte da I.P.S.S. "O Nosso Mundo" na CSIF e no grupo de trabalho local, o que poderá indicar falta de motivação para o processo;

Instituição que identificou o problema:

EB1/ JI Apelação

Outras instituições contactadas:

Ajuda de Mãe

 

A necessidade de assegurar respostas institucionais na área educativa resulta de um complexo de causas históricas profundas, que não cabe aqui desenvolver. Dir-se-á apenas, resumidamente, que a sociedade industrial induziu doses massivas de assalariamento, no mesmo passo transformando profundamente as funções familiares tradicionais. Algumas destas funções, e mais notavelmente as educativas, passaram progressivamente a ser partilhadas pela família com instituições especializadas e publicamente financiadas, modelo político conhecido por Estado-providência. O Estado passa a garantir uma escolaridade obrigatória e gratuita para todos.

 

Ainda assim, modernidade e tradição continuaram a coexistir, sendo frequentes os casos em que o nascimento de uma criança determinava a suspensão ou mesmo cessação da vida activa da mulher. Tais situações são, no entanto, cada vez menos a regra e mais a excepção: as taxas de actividade de homens e mulheres tendem para o nivelamento.

                                                                                    

Tabela 3 - Evolução das taxas de actividade masculina e feminina 1991-2001

 

Portugal

Lisboa e Vale do Tejo

Grande Lisboa

Loures (concelho)

Apelação

Taxa de actividade masculina 1991

54,3

55,7

56,3

58,1

n/d

Taxa de actividade feminina 1991

35,5

38,5

41,7

42,3

n/d

Taxa de actividade masculina 2001

54,8

56,3

57,2

58,3

52,1

Taxa de actividade feminina 2001

42

46

48,4

48,7

42,2

Fonte: INE, Censos 1991 e 2001

 

Um dos efeitos da aproximação entre as taxas de actividade masculina e feminina (parte resultante de mudanças culturais de fundo e de direitos conquistados, parte decorrente da necessidade económica) é o incremento da procura de respostas institucionais, públicas e/ou privadas, de apoio à infância. Assim, surge uma rede pública de Jardins de Infância que acolhe crianças dos 3 aos 5 anos[1]. Até aos 3 anos, a providência é sobretudo privada, seja através de instituições particulares (lucrativas, cooperativas ou de solidariedade social), de amas, ou ainda das redes de suporte familiar e vicinal, não raras vezes convocadas para esta função.

 

Na freguesia da Apelação, as respostas institucionais para esta primeira fase da infância inexistem. A I.P.S.S. "O Nosso Mundo", sediada na freguesia e vocacionada para o apoio à infância, possui as valências de Jardim de Infância (em complementaridade com um dos JI's da rede pública) e de A.T.L., mas não as de berçário, creche e/ou creche familiar, pelo que a freguesia está bastante descoberta a este nível. O que é particularmente preocupante, tendo em conta a estrutura etária da freguesia, cuja análise revela tratar-se de uma das mais jovens do concelho, sendo a única freguesia que no período intercensitário registou um decréscimo do índice de envelhecimento.

 

Tabela 4 - Alguns indicadores demográficos referentes à freguesia da Apelação e às unidades territoriais em que se insere

 

Grande Lisboa

Loures (concelho)

Apelação

Variação do índice de envelhecimento 1991-2001

+32,8

+49,5

-3,41

Variação da população residente 1991-2001 (%)

+3,1

+3,6

+76,7

Percentagem de Jovens em 2001

N/d

14,7

20,9

População residente até aos 4 anos em 2001

N/d

10516

417

População residente até aos 4 anos (%) em 2001

N/d

5,3

6,9

Fonte: INE, Censos 1991 e 2001

 

Boa parte deste dinâmica rejuvenescedora deve-se à construção do Bº Qta. da Fonte, no âmbito do Plano Especial de Realojamento, composto essencialmente por indivíduos jovens (52% têm 24 ou menos anos). Note-se, contudo, que não se trata de uma necessidade especificamente induzida pelo processo de realojamento: os últimos dados disponíveis revelam que, dos 2213 residentes no referido bairro (devido às flutuações e ocultações, o valor estará possivelmente subavaliado), apenas 67 têm 4 ou menos anos.

 

Outro indicador que sublinha a pertinência do problema referido é o nº de famílias monoparentais. Face ao concelho de Loures na sua totalidade, a freguesia da Apelação apresenta, proporcionalmente, uma maior incidência deste tipo de estruturas familiares (sendo o elemento adulto, na maioria dos casos, uma mulher), potencialmente mais carentes de redes de suporte (institucionais ou não).

 

Tabela 5 - Alguns indicadores relativos às estruturas familiares na freguesia da Apelação e no concelho de Loures

 

Loures (concelho)

Apelação

Famílias clássicas residentes (2001)

70949

1882

Famílias com uma pessoa do sexo masculino com 15 ou mais anos, e com uma ou mais pessoas de idade inferior a 15 anos (2001)

179

8

Famílias com uma pessoa do sexo feminino com 15 ou mais anos, e com uma ou mais pessoas de idade inferior a 15 anos (2001)

1233

57

Percentagem de famílias com uma pessoa com 15 ou mais anos, e com uma ou mais pessoas de idade inferior a 15 anos (2001)

1,99

3,45

Fonte: INE, Censos 1991 e 2001

 

 

Uma nota final. Um dos efeitos perversos comummente apontados ao Estado-providência e às solidariedades institucionais por si organizadas, é o de ter acelerado a erosão das solidariedades comunitárias (assentes no parentesco, na vizinhança, na amizade, etc.). A nova geração de políticas sociais que actualmente vai emergindo incorpora já esta crítica, apontando não para a substituição, e sim para a articulação e revitalização das redes informais de suporte pré-existentes. O princípio da autonomia da sociedade civil não deve ser perdido de vista na tentativa de propiciar uma relação menos administrativa e assistencial entre os indivíduos e o Estado.

 

Ficha de Problema 2 - Apelação - Pobreza e Exclusão Social

 

Freguesia:

Apelação

Área temática:

Pobreza e exclusão social

Problema:

Pobreza e exclusão social na Qta. da Fonte

Problemas relacionados:

 

Causas:

-Carências económicas e baixos salários;

 

-Insucesso, abandono e desqualificação escolar;

 

-Desqualificação profissional, precariedade e desemprego;

 

-Deficientes condições habitacionais e de higiene urbana;

 

 

Consequências:

-Reprodução da pobreza e da exclusão social;

 

Indicadores que podem ajudar a traduzir o problema:

 

-Rendimentos brutos e rendimentos declarados;

-Percentagem de beneficiários do R.S.I.;

-Perfil de escolaridade da população residente no Bº Qta. da Fonte;

-Insucesso, absentismo, abandono e violência escolar;

-Estrutura sócio-profissional e peso dos grupos profissionais desqualificados;

-Nº de desempregados e beneficiários do subsídio de desemprego;

-Percentagem de famílias monoparentais e com 5 ou mais elementos;

-Percentagem de alojamentos sobrelotados;

 

Quais as possíveis soluções para este problema?

Quais as potencialidades existentes na organização/ freguesia/ concelho?

Quais os recursos e meios operacionais de que se dispõe para actuar?

Observações/

constrangimentos:

Implementação de estratégias sectoriais, cuja especificação se procurou levar a cabo nas fichas referentes a cada um dos problemas que compõem a problemática da exclusão social, numa perspectiva mais pró-activa e menos assistencial, procurando dinamizar a sociedade civil;

-Densidade de associações, programas e projectos no Bº Qta. da Fonte;

 

-Dinâmicas de trabalho em parceria pré-existentes;

-Todas as instituições e associações da freguesia ou com acção na freguesia;

-Conferir as fichas referentes a cada uma das problemáticas que dão forma à exclusão social;

Instituição que identificou o problema:

Grupo de trabalho da Apelação

Outras instituições contactadas:

 

-Segurança Social (técn. resp. Apelação);

-Associação de Moradores da Apelação;

-Pastoral dos Ciganos;

-EB1/ JI Apelação;

 

A problemática da exclusão social ganhou em anos recentes um protagonismo inédito. Transcendendo o conceito de pobreza, demasiadamente acantonado na privação económica, a exclusão social integra outros domínios de "pobreza" (pobreza de recursos escolares, de qualificações profissionais, de condições habitacionais, etc.) que geralmente vão de par com a pobreza económica, integrando-os num conceito multidimensional. A exclusão social é portanto composta por vários sub-tipos de exclusão, interligados entre si, e que tendem a reforçar-se mutuamente.

 

A população da Quinta da Fonte acumula uma série de desvantagens sociais que vão ao encontro do acima referido. Congregando gentes que se encontravam dispersas pelo concelho, em situações de degradação e insalubridade habitacional certamente bem piores que as actuais, o bairro acaba por constituir, pela sua dimensão, uma autêntica bolsa de pobreza e de exclusão social. A reversão do ciclo vicioso da exclusão é um enorme desafio, em relação ao qual têm sido ganhas pequenas batalhas. A geração de oportunidades escolares e profissionais afigura-se fundamental e prioritária para que, lenta mas seguramente, a exclusão ceda lugar à plena integração social.

 

Ficha de Problema3- Apelação Acção Social/ Idosos

 

Freguesia:

Apelação

Área temática:

Acção social/ idosos

Problema:

Despersonalização dos cuidados

prestados à população institucionalizada em lar

Problemas relacionados:

 

Causas:

 

-Dimensão excessiva do único equipamento da freguesia com valência de lar;

-Cativação, ao abrigo do acordo de gestão, de metade das vagas em lar para a Segurança Social, donde decorre o encaminhamento de "emergências sociais" (resultantes do encerramento compulsivo de lares lucrativos) que induzem uma grande diversidade de problemáticas sociais (deficiências físicas, psicopatologias, vítimas de abuso, sem-abrigo, etc.);

-Pessoal auxiliar pouco qualificado e motivado para as funções, o que produz uma acentuada rotatividade que inibe a personalização dos laços com os utentes;

-Maioria de utentes em lar com reduzida autonomia funcional/ elevada dependência física, daí a disponibilidade limitada para actividades lúdicas e recreativas no exterior;

-Corte com a família por vezes resultante do internamento;

Consequências:

-Continuação e mesmo reforço do isolamento do idoso;

-Esmorecimento do idoso, iniciando-se um ciclo de desânimo, depressão e demência;

-Cuidados dispensados às problemáticas específicas (por vezes insuficiente, dada a carência de pessoal técnico especializado) acabam por obstar a um maior investimento nos cuidados aos restantes utentes;

 

Indicadores que podem ajudar a traduzir o problema:

 

-Dimensão do lar (nº de utentes);

-Caracterização dos utentes institucionalizados em lar (diversidade de idades, origens geográficas, deficiências, psicopatologias, problemáticas sociais, etc.);

-Incidência de psicopatologias detectadas já após o internamento;

-Nº de utentes que em média aderem às actividades lúdicas propostas;

-Frequência de visitas de familiares e amigos;

Quais as possíveis soluções para este problema?

Quais as potencialidades existentes na organização/ freguesia/ concelho?

Quais os recursos e meios operacionais de que se dispõe para actuar?

Observações/

constrangimentos:

 

-Promover actividades (lúdicas, transmissão/ aquisição de conhecimentos, partilha intergeracional de experiências de vida, etc.) que incentivem o envolvimento não só das famílias, mas da comunidade local, das escolas, etc.;

 

-Reformulação do acordo de gestão, por forma a que o encaminhamento de problemáticas específicas se faça para instituições com pessoal especializado;

 

-Contratação de pessoal técnico especializado nas problemáticas sociais encaminhadas para a instituição, por forma a libertar tempo e recursos para os utentes idosos;

 

 

-Articulação já existente entre a Casa de Sta. Tecla e a CURPI Apelação, nomeadamente na promoção de actividades lúdicas para o idoso;

 

-PIC da Qta. da Fonte;

 

-Projecto de Apoio ao Idoso (PSP de Sacavém);

 

-Gabinete do Idoso (CM Loures);

-Casa de Sta. Tecla, com valências de lar, centro de dia e apoio domiciliário;

 

-CURPI Apelação (centro de convívio);

-Limitações financeiras à contratação de pessoal por parte da Casa de Sta. Tecla

;

-Grau de dependência dos idosos inibe a adesão às actividades;

 

-Desconhecem-se as possibilidades de reformulação do acordo de gestão com a Segurança Social;

Instituição que identificou o problema:

-Casa de Sta. Tecla

Outras instituições contactadas:

-

 

Na freguesia da Apelação situa-se um dos maiores equipamentos do país, ao nível do apoio a idosos. Com capacidade para 131 utentes na valência de lar, 20 em centro de dia e também 20 em apoio domiciliário, a Casa de Sta. Tecla é desde 1997 gerida pela Associação Luís Pereira da Mota, ao abrigo de um acordo de gestão celebrado com a Segurança Social. O referido acordo prevê a cativação de 50% das vagas de lar para a Segurança Social, utilizadas sobretudo para resolver situações de "emergência social", decorrentes do encerramento forçado de lares privados.

 

A valência de lar apresenta, por isso, diversos problemas. Além do óbvio sobredimensionamento, que por si só contribui para uma maior diluição dos casos individuais no imenso colectivo de utentes, o encaminhamento por parte da Segurança Social de utentes com problemáticas sociais específicas produz uma enorme heterogeneidade de casos aos quais muitas vezes não de pode dedicar a devida atenção, quer do ponto de vista pessoal, quer do ponto de vista técnico. A tudo isto acrescem os tradicionais efeitos nefastos da institucionalização: corte com a família, depressões, demências, etc.

 

A instituição promove já, em articulação com a CURPI da Apelação, actividades de animação sócio-cultural, às quais aderem em média uns 30 utentes, de entre os internados em lar (geralmente, os mais autónomos do ponto de vista funcional). Esta é a via que urge aprofundar, transformando tanto quanto possível os idosos em protagonistas, em vez de meros recipientes. Por exemplo, recolhendo as suas sugestões no que a actividades lúdicas diz respeito, dinamizando a edição de um pequeno boletim local com relatos de vida dos próprios idosos, ou ainda possibilitando a transmissão/ aquisição de conhecimentos. A angariação de um grupo de voluntários na comunidade local, não apenas idosos mas também jovens, proporcionando fóruns de troca de experiências entre gerações, constituiria um suporte de vida ideal para muitos dos idosos que, deslocados e desenraizados, tendem a deixar-se vencer pelo desânimo.

 

Ficha de Problema 4 - Apelação - Acção Social/Idosos

Freguesia:

Apelação

Área temática:

Acção social/ idosos

Problema:

Insuficiente resposta ao nível do apoio domiciliário a idosos

Problemas relacionados:

 

Causas:

-Envelhecimento populacional, decorrente do prolongamento da esperança média de vida;

 

-Aumento do nº de agregados familiares compostos por indivíduos com 65 ou mais anos;

 

-Erosão das redes tradicionais de suporte ao idoso (assentes no parentesco e na vizinhança), daí resultando o predomínio da lógica asilar;

 

-Incidência de patologias geradoras de dependência e concomitante necessidade de cuidados profissionais;

 

-Sobrelotação das enfermarias hospitalares e minimização dos tempos de internamento;

 

-Carências económicas decorrentes das baixas pensões de reforma e das elevadas despesas com medicamentos;

 

-Escassez e onerosidade das respostas privadas, nomeadamente lares;

 

Consequências:

-Aumento do nº de idosos em situação de isolamento social;

 

-Degradação do estado de saúde do idoso, decorrente de inadequada alimentação, medicamentação, etc.;

 

-Deterioração das condições de higiene pessoal e habitacional;

 

-Tendência para a institucionalização do idoso, com os potenciais efeitos nefastos: corte com a família, despersonalização dos cuidados, depressões, demências, etc.;

 

Indicadores que podem ajudar a traduzir o problema:

 

-Variação da população residente com mais de 65 anos na freguesia (1991-2001);

-Variação do índice de envelhecimento na freguesia (1991-2001);

-Nº de agregados familiares compostos por um ou dois indivíduos com 65 ou mais anos;

-Nº de instituições que prestam serviço de apoio domiciliário na freguesia;

-Nº de utentes na valência de apoio domiciliário;

-Nº de utentes em lista de espera para apoio domiciliário;

-Caracterização dos utentes da valência de apoio domiciliário;

 

Quais as possíveis soluções para este problema?

Quais as potencialidades existentes na organização/ freguesia/ concelho?

Quais os recursos e meios operacionais de que se dispõe para actuar?

Observações/

constrangimentos:

-Ampliação do acordo de cooperação entre a Segurança Social e a Casa de Sta. Tecla para a valência de apoio domiciliário;

 

-Sensibilização da comunidade para o problema do isolamento do idoso, visando a criação de um grupo de voluntários que possa dinamizar actividades regulares com os idosos;

 

-Existência de instituição especializada no apoio ao idoso (Casa de Sta. Tecla), com acordos de cooperação assinados com a Segurança Social;

-Ampliação do acordo de cooperação para apoio domiciliário (de 20 para 30 utentes) já solicitada à Segurança Social, aguardando-se deferimento;

-Articulação já existente entre instituições locais (Casa de Sta. Tecla e CURPI Apelação), nomeadamente na promoção de actividades lúdicas para o idoso;

 

-PIC da Qta. da Fonte (grupo de trabalho saúde);

-Projecto de Apoio ao Idoso (PSP de Sacavém);

-Gabinete do Idoso (CM Loures);

 

-Casa de Sta. Tecla, com valências de lar, centro de dia e apoio domiciliário;

 

-CURPI Apelação (centro de convívio);

-Restrições orçamentais da Segurança Social podem impedir o alargamento do acordo de cooperação para apoio domiciliário com a Casa de Sta. Tecla;

Instituição que identificou o problema:

-Casa de Sta. Tecla

Outras instituições contactadas:

-

 

A freguesia da Apelação distingue-se demograficamente das restantes pertencentes ao concelho de Loures por duas razões principais: por apresentar o maior crescimento populacional relativo no último período intercensitário[2]; e, decorrendo em parte desse crescimento populacional, por apresentar um recuo do índice de envelhecimento[3], o que a coloca entre as três freguesias mais jovens do concelho (logo atrás de Sto. António dos Cavaleiros e Frielas). Esta imagem recém-adquirida de "freguesia jovem" tende a sobrepor-se a uma outra realidade, ocultando-a: o nº de indivíduos residentes com 65 ou mais anos quase duplicou no último decénio.

 

Tabela 6 - Alguns indicadores relativos ao envelhecimento demográfico na freguesia da Apelação

 

Freguesia da Apelação

Índice de envelhecimento (1991)

51,32

Percentagem de idosos (1991)

9,1

População residente com 65 ou mais anos (1991)

310

Índice de envelhecimento (2001)

47,91

Percentagem de idosos (2001)

10,0

População residente com 65 ou mais anos (2001)

606

                                                                                                                     Fonte: INE, Censos de 1991 e 2001

 

O aumento absoluto da população residente com 65 ou mais anos significa, pelo menos potencialmente, uma maior incidência das problemáticas sociais geralmente associadas à velhice. Curiosamente, o nº de idosos que residem sós é relativamente diminuto face ao total de idosos da freguesia, o que poderá prenunciar a sua coabitação com descendentes e a relativa protecção que daí advém.

 

Tabela 7 -Alguns indicadores relativos aos agregados familiares compostos total ou parcialmente por indivíduos idosos na freguesia da Apelação

 

Freguesia da Apelação

Famílias com uma pessoa do sexo masculino com 65 ou mais anos

14

Famílias com uma pessoa do sexo feminino com 65 ou mais anos

60

Famílias com duas pessoas, ambas ou uma delas com idade igual ou superior a 65 anos

155

Total de famílias clássicas residentes

1882

Fonte: INE, Censos de 2001

 

O apoio domiciliário, conceito que congrega ajudas várias nos domínios da alimentação, da higiene pessoal e habitacional e do tratamento de roupa, significa uma mudança paradigmática na abordagem ao idoso, tradicionalmente dominada pela perspectiva institucionalizante. Na freguesia da Apelação, apenas a Casa de Sta. Tecla efectua apoio domiciliário, possuindo um acordo de cooperação com a Segurança Social para 20 utentes. Actualmente, a instituição presta já apoio a 22 utentes, tendo 16 em lista de espera (boa parte destes, aliás, encaminhados pela própria Segurança Social). Daí a necessidade de ampliar o referido acordo, solicitação que já foi formalizada e transmitida à Segurança Social, aguardando-se deferimento.

 

Acrescente-se que, se o apoio domiciliário pode proporcionar um envelhecimento mais saudável e dignificante sem desenraizar o idoso do seu espaço vital, ele, por si só, não resolve o desânimo, o isolamento e o vazio afectivo sentidos por muitos idosos. Daí a necessidade, paralelamente, de promover actividades de cariz colectivo: não apenas geracionais mas também intergeracionais, não somente lúdicas mas também educativas (transmissão e aquisição de conhecimentos). Neste campo haverá ainda um longo caminho a percorrer, mas a freguesia possui um tecido associativo que será importante dinamizar e motivar para este tipo de actividades.

 

Ficha de Problema 5 - Apelação - Educação

Freguesia:

Apelação

Área temática:

Educação

Problema:

Insucesso, absentismo e abandono escolar

Problemas relacionados:

 

Causas:

-Carências económicas (exs. acesso a manuais e material escolar, computadores, transportes, etc.);

 

-Dificuldades no domínio da língua portuguesa por parte de algumas comunidades de imigrantes;

 

-Baixos níveis de escolaridade dos pais;

 

-Divórcio percebido entre os currículos escolares e o mercado de trabalho (ou entre teoria e prática);

 

-Desarticulação interna da comunidade educativa (escola, família, meio de origem);

 

Consequências:

-Insucesso, absentismo e abandono escolar precoce;

 

-Problemas disciplinares nas escolas;

 

-Delinquência juvenil e trajectórias de marginalidade;

 

-Dificuldades de inserção no mercado de trabalho, decorrente dos baixos níveis de escolaridade atingidos;

 

-Empregos desqualificados, precariedade laboral e desemprego;

 

-Reprodução das carências económicas;

 

Indicadores que podem ajudar a traduzir o problema:

 

-Taxas de insucesso escolar;

-Distribuição etária dos alunos por ano de escolaridade;

-Incidência de problemas disciplinares nas escolas;

-Nº de abandonos escolares;

-Apoios prestados pelos Serviços de Acção Social Escolar (SASE);

-Perfil de escolaridade dos pais;

-Perfil profissional dos pais;

 

Quais as possíveis soluções para este problema?

Quais as potencialidades existentes na organização/ freguesia/ concelho?

Quais os recursos e meios operacionais de que se dispõe para actuar?

Observações/

constrangimentos:

 

-Aposta na formação profissional (articulação entre escolas, associações locais, centros de formação profissional e Centros de Emprego);

 

-Maior divulgação dos cursos de formação profissional nas escolas;

 

-Actividades de ocupação de tempos livres com componente educativa (ex. explicadores);

 

-Angariação de um grupo de explicadores voluntários;

 

-Ensino recorrente para adultos;

 

-Elevada densidade de associações e projectos no Bº Qta. da Fonte, onde os referidos problemas têm especial incidência;

-Escolas e Jardins-de-infância da rede pública (EB1/ JI, JI nº 2 e EBI);

 

-PIC Qta. da Fonte (GARSE);

 

-Programa Escolhas (Bº Qta. da Fonte);

 

-Projecto Apelarte/ Centro Comunitário da Apelação; (GARSE);

 

-Incertezas quanto ao futuro do Programa Escolhas, com o qual a articulação se julga essencial;

Instituição que identificou o problema:

Grupo de trabalho da Apelação

Outras instituições contactadas:

-EB1/ JI Apelação;

-EBI Apelação;

 

Os problemas de insucesso, absentismo e abandono escolar têm uma forte incidência na freguesia da Apelação, e particularmente no Bº Quinta da Fonte: tratando-se de um bairro predominantemente jovem[4], não surpreende que aqui resida a maioria da população escolar da freguesia. A população deste bairro acumula uma série de desvantagens sócio-económicas, que afectam dramaticamente o desempenho escolar destas crianças. O que é particularmente preocupante, na medida em que, nas sociedades modernas, é na escola que se desenham trajectos de mobilidade social ascendente.

 

Os indicadores relativos à freguesia denotam uma subida das taxas de analfabetismo, contrariando as tendências verificadas em unidades territoriais mais amplas[5].

 

Tabela 8 - Evolução das taxas de analfabetismo na freguesia da Apelação e nas unidades territoriais em que se insere

 

Grande Lisboa

Loures

(concelho)

Apelação (freguesia)

Taxa de analfabetismo 1991

5,4

6,1

7,5

Taxa de analfabetismo 2001

5,2

5,9

8,8

Variação %

(0,2)

(0,2)

+1,3

Fonte: INE, Censos 1991 e 2001

 

Esta dissonância foi em grande parte induzida pelo processo de realojamento da Quinta da Fonte (que quase duplicou a população da freguesia), cuja população adulta detém fracos ou nulos recursos escolares. Não surpreende que, para estas crianças, a escola surja como um mundo estranho, um jogo de que desconhecem as regras.

 

Elementos de caracterização da população escolar da EB1/ JI da Apelação demonstram-no claramente. Mais de metade das crianças que frequentam o 1º ciclo são oriundas do Bº Quinta da Fonte[6]. A sua distribuição etária revela a presença de alunos com uma idade muito superior à que corresponde a um trajecto escolar regular.

 

Tabela 9 - Distribuição etária dos alunos da EB1/ JI Apelação

Idade

Nº de alunos

6 anos

34

7 anos

28

8 anos

40

9 anos

51

10 anos

17

11 anos

18

12 anos

11

13 anos

3

14 anos

9

15 anos

3

Total

215

                                               Fonte: Caracterização dos alunos 2003/ 2004, EB1/ JI Apelação

 

E o perfil de escolaridade dos pais reflecte que estas crianças provêm de meios já de si escolarmente desqualificados, e com toda a probabilidade também profissionalmente desqualificados. Note-se que estes dados não se restringem à Quinta da Fonte, pelo que tal será também em boa parte aplicável ao resto da freguesia (Apelação velha e bairros limítrofes).

 

 

Tabela 10 - Escolaridade dos pais dos alunos da EB1/ JI Apelação

Escolaridade dos pais

Nº pais

Nº mães

Analfabeto

53

43

1º ciclo

76

80

2º ciclo

40

42

3º ciclo

25

26

Secundário

6

15

Bacharel

3

1

Licenciatura

1

2

Desconhecido

5

6

Total

215

215

Fonte: Caracterização dos alunos 2003/ 2004, EB1/ JI Apelação

 

Tabela 11 - Principais profissões por titular de alojamento na Qta. da Fonte

Profissão

%

Construção civil (pedreiros, carpinteiros, pintores)

169

31,1

Vendedores, caixas e similares

85

15,6

Desempregados

65

11,9

Reformados

54

9,9

Serviços pessoais e domésticos

40

7,4

Pessoal da limpeza, porteiros e similares

39

7,2

Total

544

100,0

Fonte: CM Loures/ DMH, registo de dados "Gestão de Habitação", Janeiro 2003

 

Alguns dados referentes à EB Integrada da Apelação sublinham isto mesmo. A situação é particularmente preocupante na população de etnia cigana, fortemente presente no 1º ciclo, mas apenas escassamente representada no 3º ciclo.

 

Tabela 12 - Número e proporção de crianças de etnia cigana na EBI Apelação

 

Nº de crianças a frequentar a EBI Apelação (2002/2003)

1º ciclo

2º ciclo

3º ciclo

Crianças de etnia cigana (nº)

42

32

3

Crianças de etnia cigana (%)

43,8

21,1

2,5

Total de crianças

96

152

122

Fonte: EBI Apelação

A freguesia, e especificamente o Bº Quinta da Fonte, dispõe já de uma panóplia de programas, projectos e associações a trabalhar directa ou indirectamente nesta área, visando qualificar escolar e profissionalmente estas crianças, desviando-as de trajectórias de delinquência e marginalidade. Pede-se a estes uma maior articulação e imaginação no desenho e implementação de estratégias preventivas do insucesso escolar.

 

 

Ficha de Problema 6 - Apelação - Educação/Infância

Freguesia:

Apelação

Área temática:

Educação/ infância

Problema:

Desadequação entre a oferta e a procura ao nível dos Jardins-de-infância da rede pública local

Problemas relacionados:

 

Causas:

-Erro (por excesso) na estimação da população potencial do JI nº 2 Apelação (Qta. da Fonte);

 

-Hipotético decréscimo da taxa de natalidade no Bº Qta. da Fonte;

 

-Importância das redes informais de suporte no Bº Qta. da Fonte (parentescos, vizinhanças, amizades, naturalidades), acentuada pela dimensão dos agregados familiares, pelo nº de estudantes e domésticas, e ainda pelas situações de desemprego em que caem algumas das jovens mães;

 

-Representações negativas do bairro por alguns dos seus habitantes (que assim tenderão a excluir a hipótese de inscrever das suas crianças no Jardim de Infância localizado no bairro);

 

-Concepção arquitectónica e acessos ao JI nº 2 Apelação;

 

-Insuficiente cobertura durante o dia do JI nº 2 Apelação (por comparação com a EB1/ JI Apelação, que articula com a I.P.S.S. "O Nosso Mundo", ampliando assim a sua cobertura);

 

-Renitência por parte da população de etnia cigana face à institucionalização das suas crianças;

 

Consequências:

-Nº de crianças inscritas no JI nº 2 Apelação aquém da capacidade total (em salas e educadoras) do referido equipamento;

 

-Crianças em lista de espera para Jardim-de-infância na EB1/ JI Apelação;

 

-Separação entre a população infantil da Apelação "velha" e do Bº Qta. da Fonte, contribuindo para produzir e reproduzir algumas representações negativas já existentes;

 

Indicadores que podem ajudar a traduzir o problema:

-Nº de salas do JI/ EB1 Apelação e do JI nº 2 Apelação (Qta. Fonte);

-Nº de crianças que frequentam os referidos JI's;

-Listas de espera em cada um dos JI's;

-Nº de crianças que frequentam o JI/ EB1 nº 2 Unhos (Catujal), oriundas da Apelação;

Quais as possíveis soluções para este problema?

Quais as potencialidades existentes na organização/ freguesia/ concelho?

Quais os recursos e meios operacionais de que se dispõe para actuar?

Observações/

constrangimentos:

-Expansão da cobertura ao longo do dia no JI nº 2 Apelação (Qta. da Fonte);

 

-Dinamização de actividades lúdicas abertas à comunidade no JI nº 2 Apelação (Qta. da Fonte), visando aproximá-lo não só do bairro, como da própria Apelação velha;

 

-Suspensão dos critérios de preferência local no JI nº 2 Apelação (Qta. da Fonte), por forma a abrir o equipamento a crianças oriundas de toda a freguesia;

-Razoável (apesar de desproporcionada) cobertura da rede pública de Jardins-de-infância;

 

-Dinâmica de parceria induzida pela PIC Qta. da Fonte (GARSE);

 

-Tecido associativo em actividade no Bº Qta. da Fonte (conhecedores privilegiados das realidades locais);

-2 JI's da rede pública (EB1/ JI Apelação e JI nº 2 Apelação), com 2 e 6 salas, respectivamente;

 

-I.P.S.S. "O Nosso Mundo", com valências de Jardim-de-infância e A.T.L.;

-Ausência de representação do JI nº 2 Apelação (Qta. da Fonte) na CSIF e no grupo de trabalho local;

 

-Não se sabe da exequibilidade técnica das soluções propostas, nem da receptividade das comunidades;

Instituição que identificou o problema:

Grupo de trabalho da Apelação

Outras instituições contactadas:

EB1/ JI Apelação

 

Apesar de razoável, a cobertura de Jardins-de-infância da rede pública na freguesia da Apelação revela-se algo desequilibrada. Aquando do processo de realojamento que culminou em 1997 na construção do Bº Qta. da Fonte, e com base em elementos de caracterização da população a realojar que revelavam uma estrutura etária piramidal (isto é, com predominância dos escalões etários mais jovens: bebés, crianças, jovens, e adultos jovens em idade fértil), entendeu-se premente a construção de um novo equipamento de apoio à infância, localizado no próprio bairro, que pudesse responder às necessidades desta população. Construiu-se então o maior Jardim-de-infância do concelho, com 6 salas, cada uma com capacidade para 25 crianças (para um total de 150 crianças). Uma vez que na freguesia existia já desde 1989 um Jardim-de-infância da rede pública (inserido na EB1/ JI Apelação, com 2 salas e capacidade total para 50 crianças), foram instituídos critérios de preferência local no interior da freguesia: as crianças oriundas do Bº Qta. da Fonte deveriam frequentar o JI local; as crianças residentes nas remanescentes localidades (Apelação velha e bairros circundantes) frequentariam o JI apenso à EB1 da Apelação.

 

Um estudo preliminar de caracterização sócio-demográfica da população realojada, realizado sobre uma amostra de 236 famílias compostas por 1014 indivíduos (para um total previsto de 776 famílias), e com base no qual se inferiram os potenciais utilizadores dos futuros equipamentos do bairro, anunciava de facto uma população extremamente jovem, com 50% dos indivíduos até aos 14 anos de idade e 79% até aos 34 anos. Segundo este mesmo estudo, as referidas 236 famílias incluíam 120 crianças com 4 ou menos anos de idade, e 156 entre os 5 e os 9 anos, justificando assim plenamente a dimensão do Jardim-de-infância, destinado às crianças entre os 3 e os 5 anos. No entanto, dados mais recentes, referentes agora à totalidade do bairro, revelam uma realidade ligeiramente diferente. Sem de forma alguma colocar em causa a ideia de estarmos perante um bairro composto por indivíduos maioritariamente jovens, nota-se um ligeiro envelhecimento da população do bairro: relativamente ao estudo anterior, o nº de indivíduos até aos 14 anos de idade baixa de 50% para 28,7%, e a população até aos 34 anos decresce de 79% para 65,5%. O que suscita duas hipóteses, que poderão ter conduzido ao sobredimensionamento do equipamento: enviesamento da primeira amostra, ou recuo recente da taxa de natalidade no bairro. Acresce ainda o hipotético significado das redes informais de suporte, previsível em contextos de famílias alargadas e de incidência da domesticidade e do desemprego.

 

 

Tabela 13 - Composição etária do Bº Quinta da Fonte

 

Composição etária do Bº Quinta da Fonte (Janeiro de 2003)

%

0-4 anos

67

3,0

5-9 anos

247

11,2

10-14 anos

320

14,5

15-19 anos

310

14,1

20-24 anos

202

9,2

25-29 anos

142

6,4

30-34 anos

157

7,1

35-39 anos

239

10,8

40-44 anos

175